Indispensável, 'O Filho de Saul' foi a grande novidade deste Oscar

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02 Março 2016

A grande novidade do Oscar em 2016 veio da categoria filme em língua estrangeira, habituada a premiar filmes absolutamente dispensáveis. O húngaro "O Filho de Saul", com seu olhar seco para a crueldade do Holocausto, muda bem o panorama.

Pode-se gostar ou não do filme, acusá-lo de obscenidade em relação aos mortos nos campos de extermínio nazistas ou destacar a forma original encontrada por Laszlo Nemes para mostrar (ou entremostrar, no caso) momentos desse horrível genocídio ao mesmo tempo em que retirava o assunto do mundo da espetacularização.

O comentário é de Inácio Araujo, crítico de cinema, em artigo publicado por Folha de S. Paulo, 01-02-2016.

Eis um filme arriscado, com uma concepção original de seus planos-sequência e uma experiência em que o estético não se dissocia da preocupação com o humano.

Exibicionismo

Quanto ao tão badalado "O Regresso", ressente-se de um roteiro fraco e de uma direção que substitui a invenção pelo exibicionismo patológico que caracteriza (e vem consagrando, admita-se), Iñarritu, novamente escolhido como melhor diretor.

Tem momentos fortes (o ataque do urso ao protagonista é o melhor) e outras virtudes óbvias (fotográficas, sobretudo), mas é uma mise-en-scène tão pesada quanto pretensiosa.

Foi graças a ele, porém, que Leonardo DiCaprio pôde, enfim, ganhar o Oscar que a Academia, a bem dizer, já lhe devia havia algum tempo. Ele se superou, é certo.

A lamentar apenas que para ganhar o prêmio de melhor ator hoje em dia seja preciso sofrer de deficiência física, ou mental. Nesse sentido, a escrita continua.

O Oscar de melhor filme acabou com o bom-moço da turma: "Spotlight". Sua virtude principal é exterior ao cinema: colocar em relevo a história dos padres pedófilos de Boston que a Igreja Católica conseguiu empurrar em boa medida para baixo do tapete.

O principal está no início: as cumplicidades entre jornal, políticos e igreja, rompidas por alguém que chega de outro lugar. Está no início e é pouco explorado. A investigação jornalística em si é infinitamente menos interessante do que, digamos, a de "Todos os Homens do Presidente".

Didatismo

Para o meu gosto, esse prêmio podia ter ido para "A Grande Aposta", bem mais complexo como concepção. Um filme que mostra como os bancos fraudaram o mundo inteiro na crise de 2008 não é fácil de fazer. Sua virtude maior consiste em mostrar didaticamente como é possível para nós leigos entender o funcionamento perverso do chamado mercado.

No setor feminino, o prêmio de melhor atriz para Brie Larson é um reconhecimento a ela, claro, mas também a "O Quarto de Jack", em que o melhor é a parte no interior do quarto-prisão da moça e de seu filho. Na sequência, o pequeno Jack se familiariza com o mundo exterior de maneira um pouco fácil.

"Mad Max" é um "remake" de sorte: teve a sorte de ser feito pelo autor da série original, George Miller. Fez um rapa no setor de direção de arte. Mais do que isso para um filme de ação seria difícil.

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