“A melhor homenagem do ELN a Camilo Torres seria negociar a paz”, afirma o jesuíta De Roux

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16 Fevereiro 2016

A melhor homenagem que a guerrilha do ELN poderia fazer a Camilo Torres, “o padre guerrilheiro” que morreu em combate há 50 anos, seria negociar a paz, disse numa entrevista o jesuíta Francisco de Roux, símbolo da reconciliação na Colômbia.

A informação é publicada por Religión Digital, 15-02-2016. A tradução é de IHU On-Line.

De Roux está convencido de que Camilo Torres, que trocou a batina pelas armas para lutar por uma Colômbia mais justa e que hoje teria 85 anos, seria um devoto da paz.

Formado em Ciências Sociais na Universidade de Lovaina, Bélgica, e com um grande senso de justiça, Camilo entrou, em outubro de 1965, no recém criado Exército de Libertação Nacional – ELN e no seu primeiro combate, ocorrido no dia 15 de fevereiro de 1966, no município Patio Cemento, no departamento de Santander, perdeu a vida.

Assim nasceu o mito.

“Estou convencido que se Camilo vivesse estaria lutando pela causa da paz”, diz o padre De Roux que conheceu Camilo Torres quando tinha 21 anos, antes do seu ingresso nas fileiras do ELN.

Para recordar o meio século da morte do “padre guerrilheiro”, o ELN, que está em conversações exploratórias com o Governo para buscar abrir um processo de paz, convocou uma “greve armada” de 72 horas que começou  no domingo, 14-02-2016, e que De Roux considera que não é o caminho.

“A melhor homenagem que o ELN poderia lhe fazer é abrir a negociação e participar com todos os que estamos trabalhando desde a sociedade civil para que se façam mudanças que esta sociedade necessita”, disse o jesuíta.

De Roux explica que uma coisa que Camilo Torres e a Frente Unida, plataforma civil criada por ele para pressionar a favor das mudanças sociais, tinham era “um enorme respeito e um convite a escutar as maiorias”.

“E é evidente que as maiorias da Colômbia e, especialmente, as maiorias pobres dos lugares de conflito, estão gritando: por favor, parem com esta guerra, parem-na de todos os lados, parem imediatamente, e Camilo seria muito sensível a isso”, acrescenta  De Roux, criador do Programa de Desenvolvimento e Paz do Madalena Médio, uma das regiões mais atingidas pelo conflito armado.

Os ideais de Camilo Torres, de trabalhar pela justiça social desde a Igreja católica, são um antecedente da Teologia da Libertação.

“Ainda que ainda não tinha começado a corrente do que foi posteriormente a Teologia da Libertação, Camilo sente que sua obrigação sacerdotal implica na responsabilidade de contribuir para que a mesa da criação, a mesa do pão, da saúde e da moradia sejam compartilhadas por todos”, explica o padre De Roux.

À luz da Teologia da Libertação surgiram na Argentina os  “curas villeros”, que trabalhavam com os pobres das favelas e que desde os anos 1990 tiveram o apoio do cardeal Jorge Bergoglio, hoje papa Francisco.

Na Colômbia, o vínculo entre fé e compromisso social alcançou uma dimensão mais política porque, na trilha de Camilo Torres, vários padres, entre eles os espanhóis Manuel Pérez, Domingo Laín e José Antonio Jiménez, e outros da Missão de Burgos, inspirados na Revolução Cubana, passaram a empunhar os fuzis do ELN.

“Isso marca o interior do ELN, uma marca cristã que se manteve sempre”, recorda o jesuíta.

Manuel Pérez, mais conhecido como “Padre Pérez", chegou a ser chefe máximo do ELN até a sua morte em 1998, e Domingo Laín, que morreu em combate em fevereiro de 1974, foi o nome de uma das frentes dessa guerrilha.

Camilo Torres nunca pregou a luta de classes, nunca aceitou que a violência é a parteira da história. Camilo não tinha esse pensamento. Considero que ele pensa que se for à montanha se produz uma espécie de insurreição geral, não a guerra. Mas isto não aconteceu”, afirma De Roux ao falar sobre os motivos que fizeram Camilo Torres se inserir na luta armada.

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