A “Igreja em saída” para as periferias. Assim muda a geopolítica do Vaticano

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15 Fevereiro 2016

Existe uma geopolítica do Papa Bergoglio? O que nos dizem as suas iniciativas para o degelo entre Cuba e os EUA, para levar ao Vaticano Peres e Abu Mazen, para a superação do conflito interno à Colômbia, para um acordo com a China, para o surpreendente encontro com Kirill em Cuba? Que ideia temos da geografia dos seus deslocamentos sobre o planeta?

O comentário é de de Luigi Accattoli, jornalista especializado em assuntos atinentes ao Vaticano, publicado no jornal Corriere della Sera, 13-02-2016. A tradução é de Benno Dischinger.

Uma primeira aproximação poderia fornecê-la a insistência das suas viagens para a Ásia e a América Latina: agora está no México, tocou por duas vezes Cuba, esteve no Brasil, no Equador, na Bolívia e no Paraguai.

Na Ásia viu a Coréia do Sul, o Sri Lanka e as Filipinas, disse que iria “também amanhã” à China e que na Ásia deve dedicar-se com particular empenho por estar naquele continente a mínima presença cristã.

O Papa vindo da Argentina olha às periferias mundiais, ao Sul do mundo em geral e – como jesuíta – com prioritária paixão olha para a China. Em outras palavras: o Papa da “Igreja em saída” quereria que a saída tivesse como meta as populações mais vastas e mais distantes em relação ao centro romano da catolicidade.

Com análoga aproximação poder-se-ia dizer que Karol Wojtyla, o Papa eslavo, olhava in primis à Europa centro-oriental, onde saiu a visitar por nove vezes a sua pátria e onde – tendo caído o império soviético – pôde ver em ordem de tempo a Checoslováquia, a Albânia, a Lituânia, Letônia, Estônia, Croácia, Eslovênia, Berlim, Bósnia, Romênia, Geórgia, Ucrânia, Cazaquistão, Armênia, Azerbaijão, Bulgária.

O coração de Bento XVI batia, ao invés, pela Europa centro-ocidental: nos seus oito anos voltou por três vezes à sua pátria e conseguiu ver – na ordem – a Polônia, Espanha, Áustria, França, República Checa, Malta, Portugal, Grã Bretanha, Croácia. Ele – que foi definido provisoriamente como “o último Papa europeu” – era preocupado pela crise das Igrejas do Velho continente e se esforçava, como podia, em despertá-lo.

Mas, nestes primeiros três anos do Pontificado de Francisco há mais deslocamentos sobre o planeta para captar algo da estratégia que o move. Sua ideia da Igreja em saída é uma ideia missionária a todo campo, que – na intenção – não está submissa a nenhuma regra política ou ideológica e mira até a subvertê-las, ou evitá-las, para obter o objetivo de aproximação a toda a humanidade.

Ei-lo, assim, tomando iniciativas aparentemente impossíveis, e ele se move com liberdade, não põe condições formais ou de prestígio. Preocupa-se - para usar a sua linguagem – em “aviar processos” mais do que em adquirir “território”, isto é, objetivos. Estabelece contatos, propõe encontros.

Expõe-se desarmado de toda instrumentalização. Está convencido que hostilidade e equívocos no final cairão se o caminho aviado prosseguirá.

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