Francisco se encontra com patriarca russo, declarando: “Somos irmãos”

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15 Fevereiro 2016

O pontífice católico romano e o patriarca ortodoxo russo se encontraram pela primeira vez na história, pondo de lado séculos de separação por um diálogo, ao mesmo tempo, simbólico e significativo focado, em tese, nas necessidades dos cristãos que têm sofrido perseguição ao redor do mundo.

E, percorrendo a metade do mundo para um encontro no cenário de um país insular oficialmente secular, eles saudaram um ao outro na sexta-feira não como estranhos, mas como irmãos que há muito não se viam.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 12-02-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Entrando separadamente em uma pequena e esparsa sala no Aeroporto Internacional José Martí, em Havana, eles se deram um longo abraço, segurando o braço de cada um em um gesto fraterno.

Quando Francisco viu Kirill em pessoa pela primeira vez, disse: “Finalmente”.

Falando em espanhol, o pontífice declarou ao patriarca: “Somos irmãos”. O patriarca mais tarde respondeu, em russo: “Agora as coisas estão mais fáceis”. E o papa: “Está mais claro que essa é a vontade de Deus”.

Francisco, líder de uma comunidade com mais de 1 bilhão de membros, e Kirill, líder de uma comunidade com cerca de 200 milhões, nunca haviam se encontrado. O mesmo aconteceu com os seus predecessores, remontando ao estabelecimento do patriarcado russo no ano de 1589.

O encontro, resultado de décadas de tentativas, aproveita a visita anteriormente planejada de Francisco ao México e a visita de Kirill a Cuba, ao Brasil e ao Paraguai.

Ainda que encontros entre os líderes católicos e ortodoxos tenham se tornado lugar-comum nos últimos anos, em particular entre os papas e o Patriarcado Ecumênico sediado em Istambul, os esforços feitos desde a queda da União Soviética em organizar um encontro com o ortodoxo russo fracassaram todos.

Agora, Francisco e Kirill têm programado um encontro de 135 minutos na sexta-feira de tarde. Os diálogos serão privados, mas é sabido que eles deverão assinar uma declaração conjunta ao final em nome de ambas as igrejas, a qual pode dar alguns sinais de como eles preveem construir uma relação futura.

Dois especialistas em relações entre as igrejas ortodoxas e a católica contatados antecipadamente ao encontro entre Francisco e Kirill disseram que este documento seria um sinal de mais momentos históricos por vir na integração mais ampla das tradições cristãs.

“Podemos ter a esperança de que este momento venha a marcar o início de um novo estágio nas relações” entre as igrejas, disse o Pe. Ronald Roberson, diretor da Secretaria para Assuntos Ecumênicos e Inter-religiosos da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA.

Em uma breve oportunidade para fotos no começo de seu encontro na sexta-feira, o papa e o patriarca se sentaram em cadeiras a eles reservadas enquanto falavam entre si. Eles pareciam confortáveis no diálogo um com o outro, sorrindo e acenando em acordo. Atrás deles estava um crucifixo simples, feito em um estilo icônico.

Em um dos lados estava uma mesa com o presente do papa ao patriarca: um relicário de São Cirilo de Alexandria, do século IV. No outro lado da mesa, o presente do patriarca ao papa: um exemplar da imagem de Nossa Senhora de Kazan, ícone russa histórica certa vez de propriedade vaticana, mas que retornou ao patriarcado pelas mãos do Papa João Paulo II em 2004.

Diferentemente da Igreja Católica Apostólica Romana – que se organiza como uma única entidade liderada pelo papa –, as igrejas ortodoxas mundiais se organizam dentro de uma comunhão liderada por vários patriarcas ou arcebispos ao redor do mundo. O Patriarcado Ecumênico, atualmente liderado por Bartolomeu, atua como o “primeiro entre iguais” das igrejas.

A Igreja Ortodoxa Russa é a maior das igrejas, com um total de membros representando aproximadamente dois terços de toda a comunhão ortodoxa.

A visita dessa sexta-feira (12 de fev.) marca a segunda viagem de Francisco a Cuba dentro de um período de cinco meses apenas. O pontífice visitou o país de 19 a 22 de setembro antes de seguir para os EUA.

A escolha da ilha para o encontro histórico cumpre, de modo notável, uma função que o papa havia pedido que o país realizasse durante a sua primeira visita, em que falou aos líderes políticos do país que façam desta nação um valor central na junção entre o norte e o sul, o leste e o oeste.

O diálogo de sexta-feira tiveram como anfitrião o presidente cubano Raul Castro, que cumprimentou o pontífice na chegada ao aeroporto e que deve acompanhar os dois líderes na assinatura da declaração.

O padre jesuíta Robert Taft, sacerdote americano do rito bizantino-eslavo e professor de longa data no Pontifício Instituto Oriental em Roma, disse que o encontro entre Kirill e Francisco é “realmente extraordinário”.

Taft, que se encontrou com Kirill várias vezes em Roma e nos EUA antes de ele ser eleito patriarca, disse que a eleição de 2009 do russo à sua função e a eleição de Francisco, em 2013, trouxeram “novos atores e um novo campo de jogo” às discussões entre as igrejas.

O jesuíta citou em particular um discurso que Francisco ante a presença do Patriarca Ecumênico Bartolomeu durante uma visita à Turquia em 2014. Aqui, o pontífice disse que a Igreja Católica “não pretende impor nenhuma condição, exceto a profissão de fé compartilhada” pela unidade cristã.

“Essa é a coisa mais extraordinária do mundo”, disse Taft. “É uma coisa totalmente nova”.
Francisco irá viajar na sexta-feira à tarde diretamente de Havana para a Cidade do México, onde começa uma turnê de seis dias pelo país.

Embora irá passar todas as noites na capital central, o papa vai cruzar o país de avião e helicóptero diariamente para visitar lugares mais afastados ao sul, leste e norte.

Além de uma breve cerimônia de boas-vindas na Cidade do México no Aeroporto de Benito Juarez na chegada sexta-feira à noite, o pontífice não tem nada mais programado para fazer neste dia.

No sábado, Francisco irá se reunir com o presidente mexicano Enrique Peña Nieto e com os bispos do país antes de celebrar uma missa na Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe.

Ele voará de helicóptero no domingo a uma região ao norte da capital, onde celebrará uma missa pública e visitará um hospital infantil.

O pontífice vai então visitar duas cidades no estado de Chiapas, na fronteira entre o México e a Guatemala, na segunda-feira. Na terça-feira, vai para Morelia, cidade a cerca de 320 quilômetros ao leste da capital atormentada pela violência das drogas. Ele irá terminar a sua jornada no México na quarta-feira em Ciudad Juárez, cidade fronteiriça no outro lado da El Paso, Texas.

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