Francisco e Kirill em Cuba. “Unidos contra as perseguições dos cristãos”. Entrevista com Walter Kasper

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08 Fevereiro 2016

“O encontro será histórico porque abre com decisão a estrada para a plena unidade de católicos e ortodoxos. E depois, porque conduz a uma cooperação efetiva contra as violências perpetradas contra as comunidades cristãs”, atesta o ex-guia do dicastério vaticano que cuida das relações com as outras igrejas cristãs, o cardeal alemão Walter Kasper que foi por anos “embaixador” papal em terras da Rússia, em entrevista concedida a Paolo Rodari e publicada por Repubblica, 06-02-2016.

Eis a entrevista.

O senhor esperava este anúncio?

A virada era esperada e tem raízes longínquas. Recordo o empenho de João Paulo II há mais de vinte anos. E também quanto foi feito por Bento XVI, o qual um mês após a eleição em Bari solicitou empenho no trabalho ecumênico, “não só palavras, mas empenhos concretos”.

Por que o resultado chegou somente hoje?

Francisco, com sua diplomacia sob a insígnia da amizade, contribuiu para acelerar. E muito se deve à dramática situação internacional. Por que continuar divididos quando os irmãos morrem como inocentes por mão dos extremistas?

Quanto falta à plena unidade?

Creio que a estrada ainda seja longa. Não esqueçamos que o cisma ocorreu há quase mil anos. Também se no plano prático a sintonia existe: penso no campo dos valores éticos, nos temas da justiça social e dos direitos humanos.

Por que em Cuba?

Moscou desejava um território que fosse de qualquer modo neutro. E Cuba o é. Encontrar-se na América Latina permite manter certa distância de um continente, a Europa, que representa também os conflitos entre as duas igrejas.

A plena unidade, quando chegar, trará certa uniformidade de expressão, ou não?

A tradição ortodoxa e a latina têm, sim, a mesma fé, mas esta é conotada por expressões diversas. E esta diversidade é uma riqueza. Um ponto que assinala uma diferença é o celibato sacerdotal. O celibato, sabem-no todos, não é um dogma. E por isso também sobre este ponto se pode estar junto, mesmo na diferença recíproca.

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