A 50 anos da morte de Camilo Torres, padre guerrilheiro símbolo de paz para a Colômbia

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08 Fevereiro 2016

Já acolhemos nestas páginas algumas reflexões sobre o processo de paz colombiano, um caminho intrincado que busca pôr em diálogo construtivo o governo e a guerrilha (FARC, ELN), com a mediação da Igreja: a local, mas também a de Roma, liderada pelo papa que vem "do fim do mundo". Novos passos foram dados, passos concretos, que encontram a sua força no valor da memória.

A reportagem é de Claudio Ferlan, publicada no sítio Mente Politica, 04-02-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Em novembro passado, o arcebispo de Cali, Darío de Jesús Monsalve, salientou a necessidade de uma reavaliação do nome de Camilo Torres Restrepo, padre guerrilheiro morto no dia 15 de fevereiro de 1966.

Camilo, destacou Monsalve, tem muito a dar, muito a ensinar a uma Colômbia que está se movendo no caminho da reconciliação, da verdade e da justiça de transição.

Nascido em 1929 em uma família rica de Bogotá, Camilo Torres foi ordenado sacerdote em 1952 e se mudou cedo para Louvain, para estudar sociologia. Voltando para a pátria, foi nomeado capelão da Universidade Nacional, onde esteve entre os protagonistas da abertura da primeira faculdade de sociologia de toda a América Latina.

Promoveu diversos projetos voltados ao resgate dos setores mais marginalizados da sociedade colombiana, teorizando a necessidade urgente de uma mudança radical na própria organização do seu país. A iniciativa mais relevante foi a fundação da Frente Unida do Povo, um movimento que se opunha à "Grande Coalizão" de governo, formada pelos dois maiores partidos, Liberal e Conservador.

A Frente se propunha a enfrentar as urgências tangíveis das esferas urbanas e rurais forçadas a uma pobreza extrema e pedia que a Igreja se inclinasse abertamente com a Teologia da Libertação. O ativismo e a proximidade com o pensamento marxista custaram a Torres o posto na universidade e a destinação a uma paróquia da cidade.

Desanimado com o insucesso das suas propostas não violentas, em junho de 1965, decidiu abandonar o sacerdócio e aderir ao Exército de Libertação Nacional (ELN), movimento guerrilheiro inspirado na revolução cubana.

Depois de um curto período de treinamento, Camilo morreu no dia do seu batismo de fogo em um confronto com as forças do governo. O seu corpo foi tomado pelo exército e enterrado em um lugar secreto, a fim de evitar uma celebração heroica dos restos mortais do padre em armas.

Perguntas e respostas

Nos primeiros dias de 2016, através da sua conta no Twitter, o Exército de Libertação Nacional enviou dois pedidos: o primeiro ao governo, para que, como sinal de paz, "depois de tê-los escondido por 50 anos", entregue os restos mortais de Camilo; o segundo à Igreja, para que lhe restitua simbolicamente o status sacerdotal.

As respostas não demoraram e ambas foram positivas. O presidente da República, Juan Manuel Santos, imediatamente deu o seu consentimento, e os restos mortais de Camilo Torres logo foram identificados, apenas 17 dias depois do tuíte. Cabe agora ao exame de DNA dissipar qualquer dúvida, mas parece que se trata de uma formalidade.

Na mesma linha moveu-se o presidente da Conferência Episcopal Colombiana, Luis Augusto Castro, legitimando antes o pedido da busca dos restos mortais do padre guerrilheiro e abrindo também a possibilidade da restituição do status sacerdotal: "Deveremos estudar a questão", afirmou, acrescentando que não quer fazer um julgamento apressado.

A prontidão das provas dadas pelo governo e pela Igreja despertou muito otimismo na opinião pública colombiana. Exemplo de grande valor simbólico e concreto, a reavaliação (para alguns até mesmo "ressurreição") de Camilo Torres é percebida como um sinal tangível das possibilidades abertas pelo diálogo.

A recuperação do seu trabalho sociológico, que tinha como objetivo a unidade "sadia e criativa" do povo colombiano, é mostrada como um gesto de esperança para aqueles milhões de colombianos que vivem na extrema pobreza e na marginalidade política e social.

Segundo o jornal El Nuevo Día, Camilo poderia ser o símbolo em torno do qual se pode construir alternativas sociopolíticas que canalizem a injustiça e a frustração social, aquelas alternativas cuja falta provocou um vácuo político preenchido, por enquanto, pela violência social. É uma esperança que tanto o governo quanto a Igreja claramente abraçaram.

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