10 mil crianças refugiadas estão desaparecidas, segundo a Europol

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06 Fevereiro 2016

A situação de crianças refugiadas não acompanhadas veio à tona como uma das questões mais prementes na atual crise migratória.

Pelo menos 10 mil crianças refugiadas não acompanhadas desapareceram após entrar na Europa, segundo a agência de inteligência da União Europeia. Teme-se que muitas delas tenham caído nas mãos de grupos que atuam com o tráfico humano.

A reportagem é de Mark Townsend, publicada por The Guardian, 30-01-2016. A tradução de Isaque Gomes Correa.

Na primeira tentativa de se quantificar um dos aspectos mais horríveis da crise migratória em curso, o chefe da Europol disse ao jornal The Obsever que milhares de menores vulneráveis sumiram após se registrarem junto às autoridades locais.

Brian Donald afirmou que 5 mil crianças desapareceram só na Itália, enquanto que, na Suécia, perdeu-se o contato com outras 1000. Ele também alertou que uma “infraestrutura criminosa” pan-europeia tem, agora, visado capturar crianças refugiadas. “É razoável dizer que estamos em busca de 10 mil ou mais crianças. Nem todas elas serão exploradas por organizações criminosas; algumas podem ter sido passadas adiante a famílias. Simplesmente não sabemos onde elas estão, o que estão fazendo ou com quem se encontram”.

A situação de crianças refugiadas não acompanhadas veio à tona como uma das questões mais prementes na atual crise migratória. Na semana passada, foi anunciado que a Inglaterra aceitaria mais menores não acompanhados da Síria e outras regiões em conflito. De acordo com a organização Save the Children, 26 mil crianças desacompanhadas entraram na Europa em 2015. A Europol acredita que 27% do um milhão de pessoas que chegaram ao continente no ano passado eram menores.

“Quer estejam registradas ou não, estamos falando de aproximadamente 270 mil crianças. Nem todas estão desacompanhadas, mas temos indícios de que uma grande parcela pode estar”, disse Donald, dando a entender que o número de 10 mil é uma estimativa conservadora sobre o número real de menores não acompanhados que desapareceram desde que entraram no continente.

Em outubro, autoridades em Trelleborg, no sul da Suécia, revelaram que havia sumido cerca de mil crianças refugiadas desacompanhadas que chegaram na cidade portuária no mês anterior. Na terça-feira (5 de jan.), um relatório produzido pelas autoridades suecas alertava para que muitos refugiados não acompanhados sumiram e que havia “muito poucas informações sobre o que acontece depois que desaparecem”.

“Toda uma infraestrutura criminosa se desenvolveu nos últimos 18 meses em torno da exploração do fluxo migratório” – Brian Donald, coordenador da Europol

Na Inglaterra, o número de crianças desparecidas logo após chegarem em busca de asilo dobrou no último ano, levantando suspeitas de estejam sendo alvo de gangues criminosas.

Mariyana Berket, da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa – OSCE (na sigla em inglês), declarou que “menores desacompanhados de regiões em conflito são, de longe, a população mais vulnerável; muitos deles estão sendo enviados por suas famílias para entrarem na Europa primeiro e, depois, recebê-las, ou simplesmente fugiram com outros membros do agregado familiar”.

Donald confirmou que a Europol tem provas de que algumas crianças refugiadas desacompanhadas na Europa foram exploradas sexualmente. Na Alemanha e na Hungria, criminosos foram pegos explorando imigrantes. “Toda uma infraestrutura criminosa se desenvolveu nos últimos 18 meses em torno da exploração do fluxo migratório. Têm prisões na Alemanha e na Hungria onde a ampla maioria das pessoas presas e colocadas aí possui relação com a atividade criminosa em torno da crise migratória”, disse Donald.

A agência de polícia igualmente denunciou uma cooperação perturbadora entre gangues organizadas que ajudam a contrabandear refugiados para dentro da União Europeia e gangues de tráfico humano que os exploram com trabalhos sexuais e de escravidão. Segundo ele, gangues antigas, conhecidas por se envolverem em tráfico humano, estavam agora sendo surpreendidas explorando refugiados.

“Aquelas que estiveram ativas no contrabando humano estão parecendo em nossos arquivos com relação ao contrabando de migrantes”, informou Donald.

A Europol irá ter um momento junto a organizações que trabalham na rota dos Balcãs. Algumas entidades locais alertaram as autoridades policiais para atentarem ao desaparecimento de crianças na região. “A preocupação dessas pessoas tem relação com o número de menores desacompanhados. Elas estão pedindo ajuda para identificarem como estas crianças são escolhidas e levadas para dentro da infraestrutura criminosa. Elas vem trabalhando nisso diariamente, e nos procuraram porque viram que era um problema enorme”.

Donald advertiu para que o público fique vigilante, afirmando que a maioria das crianças refugiadas que sumiram estariam escondidas não muito distante dos nossos olhos. “Estas crianças estão em nossas comunidades; se estão sendo abusadas, isso acontece na comunidade. Elas não estão sendo levadas para longe e mantidas no meio das florestas, embora eu suspeite que algumas possam estar. Elas estão nos nossos bairros. Estão visíveis. Enquanto população, precisamos estar alerta”.

A abordagem caótica da Europa à crise migratória levou, na semana passada, a pedidos para que a Grécia seja tirada da zona de fronteiras abertas, um desdobramento que uma importante autoridade da ONU descreveu como um “novo nadir” na abordagem da União Europeia.

Escrevendo para o jornal The Observer, Peter Sutherland, representante especial da ONU para migração, afirmou que um tal movimento iria “efetivamente transformar a Grécia em um pesadelo a centenas de milhares de pessoas em busca de asilo. A ideia é desumana e uma enorme violação dos princípios básicos europeus”.

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