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02 Fevereiro 2016

Já nos alertaram no passado sobre o aceleradíssimo declínio da população de elefantes e rinocerontes nas mãos de caçadores furtivos, a legalização do uso de drogas recreativas ou o uso da genética para erradicar os mosquitos que transmitem doenças como a dengue ou o zika. Riscos –e oportunidades– emergentes que, como todos os anos, um painel de especialistas se encarrega de apontar para ajudar a identificar os fatores que podem ser decisivos para a vida no planeta. Fenômenos que hoje parecem estranhíssimos ou de ficção científica, mas que num futuro próximo podem acabar moldando o mundo.

Neste ano, também fizeram a lista dos 15 “problemas com relevância mundial e conhecimento limitado dentro da comunidade de cientistas, responsáveis políticos e profissionais dedicados à conservação e restauração da biodiversidade”, como resumem esses especialistas, coordenados por William Sutherland, professor da Universidade de Cambridge e presidente da British Ecological Society. Inteligência artificial, suplementos de testosterona, o novo cenário no Ártico provocado pelo aquecimento ou a energia azul estão entre os assuntos cujas consequências não devemos ignorar.

A reportagem é de Javier Salas, publicada por El País, 01-02-2016.

Ilhas artificiais

Embora não seja um fenômeno novo, cresceu significativamente nos últimos anos a construção dessas ilhas artificiais, como acontece na China desde 2014, com um grupo de pelo menos sete ilhas que cobrem 13 quilômetros quadrados. Essas práticas agravam os efeitos do desenvolvimento costeiro, da poluição e da pesca que levaram a um notável declínio dos corais. “É possível que os recifes degradados sofram uma erosão mais rápida e já não amorteçam a ação das ondas. Nesse caso, é altamente provável que as ilhas artificiais sofram erosão e se contraiam durante os tufões, especialmente porque o nível do mar continua a subir”, alertam. Além disso, dizem, tais ilhas podem abrir um precedente para a criação de novas terras que fomentem reivindicações territoriais em águas em disputa ou em águas internacionais.

Superinteligência artificial

Que as máquinas saibam pensar como humanos, inclusive melhor do que eles, é certamente uma grande oportunidade para o futuro. Mas seu desenvolvimento e implementação terão consequências importantes, algumas deles muito temidas, como no campo das armas. Os especialistas denunciam que não se está enfrentando o impacto sobre a conservação ambiental. “O desenvolvimento da superinteligência artificial pode ter efeitos substanciais e atualmente não previstos na diversidade e na conservação biológica”.

Pesca de arrasto por meio de descargas elétricas

Essa modalidade de pesca usa pequenas descargas elétricas para capturar peixes achatados, como o linguado e o camarão, provocando-lhes convulsões que os tiram abruptamente dos sedimentos do fundo do mar onde se escondem. Seus defensores alegam que o método aumenta a eficiência na captura dessas espécies enquanto causa menos consequências indesejáveis ao não rastrear esse fundo, razão pela qual começa a ser estudado seriamente o seu uso, como acontece na União Europeia, onde no momento o método é proibido. Os efeitos secundários e de longo prazo desse sistema de pesca ainda estão por ser descobertos.

Chifres sintéticos

A revolução da impressão 3D está abrindo a possibilidade de criar partes de animais de modo sintético para tentar deter sua exploração. O exemplo do qual já se está falando é o dos chifres de rinoceronte, que poderiam ser desenvolvidos usando queratina, para desencorajar a caça predatória inundando o mercado com chifres idênticos aos reais. Muitos ambientalistas acreditam que essa ideia poderia ser contraproducente por alimentar um mercado que deveria desaparecer.

Nanopartículas nos ecossistemas

Estão sendo comercializadas nanopartículas em produtos de consumo e produtos agrícolas que podem ser dispersadas no meio ambiente durante a fabricação, utilização e descarte de tais produtos. Estima-se que as concentrações de nanopartículas de dióxido de titânio, amplamente utilizado em produtos como pasta de dentes e cremes de proteção solar, atualmente estão aumentando de modo acelerado em solos agrícolas. Alguns desses compostos, como as nanopartículas de prata, podem ser altamente tóxicos em concentrações baixas, razão pela qual parece razoável que possam afetar a biodiversidade em ecossistemas terrestres e cultivos.

Energia azul

A energia osmótica ou energia azul é uma maneira de obter energia ao colocar em contato a água salgada com a água doce (de mar e de rio). É uma energia renovável com grande potencial agora que foram resolvidos os problemas técnicos que limitavam sua capacidade de gerar energia. Embora a energia azul seja relativamente limpa, o resíduo derivado, a água salobra, pode levar a grandes variações de salinidade que afetam as espécies aquáticas, sem esquecer o impacto ambiental da construção dessas infraestruturas em estuários.

Geleiras artificiais

Nos áridos e frios Himalaias ocidentais, foram criadas geleiras artificiais como mecanismo para aumentar a oferta de água para irrigação agrícola em resposta à mudança climática. Para erguê-los, foram construídos canais projetados para desviar enormes volumes de água para uma depressão na sombra, onde é congelada. Essas mudanças no uso do solo podem afetar os ecossistemas desérticos frios nas áreas circundantes, cujos efeitos a longo prazo não são bem conhecidos.

Testosterona na água

Cada vez mais homens tomam suplementos de testosterona para aumentar a musculatura, cujos efeitos vão desde mudanças físicas a problemas cardiovasculares e cognitivos. O aumento do uso desses suplementos é susceptível de aumentar as concentrações de testosterona em rios e mares, onde “os efeitos sobre os organismos aquáticos são incertos”, embora conheçamos os efeitos negativos provocados por outro hormônio, o estrogênio.

Uso de abelhas para disseminar agentes

Para proteger os cultivos, está no início o uso de abelhas controladas como vetores de agentes microbiológicos, ou seja, como distribuidoras de pesticidas ou outros produtos que protejam as plantas de doenças e pragas. Embora seja um método aparentemente sustentável e eficaz, apresenta efeitos potenciais sobre o meio ambiente e o solo, e não foram avaliadas as consequências sobre outros insetos e plantas que não sejam o objetivo direto.

Pesca não regulamentada no Ártico

Os 2,8 milhões de quilômetros quadrados da região central do Oceano Ártico estão fora da jurisdição de seus cinco Estados costeiros: Canadá, Dinamarca, Noruega, Rússia e Estados Unidos. Quando o aquecimento começar a provocar seu efeito, aparecerão grandes navios pesqueiros nessa área que, sem regulamentação, podem provocar uma pesca maciça capaz de levar ao colapso grandes populações de espécies marinhas. “Se os acordos internacionais falharem, há uma alta probabilidade de que seja desenvolvida uma nova pesca comercial no Ártico, com quantidades não controladas e não sustentáveis de pesca”, alertam.

A China como civilização ecológica

O Governo chinês incorporou oficialmente o conceito de civilização ecológica, que obriga a pensar nas consequências ambientais de seu desenvolvimento como nação. Por exemplo, desde o ano 2000, o país investiu 100 bilhões em incentivos financeiros para o reflorestamento e a gestão da água. “Se for bem-sucedida, a adoção dos princípios da civilização ecológica pode ter efeitos positivos substanciais na proteção e conservação ambiental na China e incentivar outros países a apoiar e implementar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável definidos em 2015, principalmente se tais princípios forem promovidos por meio de investimentos chineses no exterior”, dizem os especialistas.

Sistemas de rastreamento de navios

“Os rápidos avanços em sistemas de rastreamento de navios no mar oferecem oportunidades importantes para fortalecer a proteção ambiental”, dizem esses especialistas em seu relatório, referindo-se a métodos de identificação automática de navios com precisão e em tempo real, que serviriam para monitorar a atividade de barcos pesqueiros, combatendo a pesca ilegal. Usando satélites e outros controles remotos também poderiam ser identificados transportes ilegais e descargas de resíduos, bem como ter um melhor conhecimento das emissões e do impacto ambiental dos navios.

Monitoramento acústico

O monitoramento acústico passivo foi utilizado durante muito tempo para estudar a vida selvagem, como acontece no acompanhamento de cetáceos, por exemplo. Os avanços tecnológicos estão aumentando as possibilidades de faze isso de forma barata e eficiente em grandes áreas, o que permitiria detectar não só as espécies e algumas formas de mudança ambiental, mas também atividades proibidas como a exploração madeireira, a caça predatória e a pesca ilegal.

Armazenamento de energia

Espera-se que os custos de armazenamento de energia em baterias diminuam à medida que seu mercado cresça, pois se tornou cada vez mais relevante à medida que o uso de energias renováveis aumenta. “Enquanto o armazenamento de energia em baterias pode reduzir a magnitude das futuras alterações climáticas e os seus impactos sobre a biodiversidade, pode haver efeitos ecológicos indesejáveis da ampla implantação da energia eólica e de outras tecnologias de energia renovável”, afirmam.

A genética dos invasores

As espécies invasoras, aquelas que assaltam ecossistemas que não são os seus, deslocando espécies nativas, costumam ter uma variabilidade genética muito menor que em seu lugar original, sendo geralmente exemplares mais similares. No entanto, há casos como o do arminho, que é geneticamente mais rico agora na Nova Zelândia do que em seu Reino Unido original, indicando que as espécies invasoras poderiam se tornar reservatórios genéticos de sua espécie.