01 Fevereiro 2016
"A encíclica Laudato Si’ nos convida a agirmos nos níveis nacional e global, mas também não devemos nos esquecer de que a Igreja administra milhares de prédios pelos quais somos, enquanto comunidade, os responsáveis", escreve Thomas Reese, jesuíta e jornalista, publicada por National Catholic Reporter, 28-01-2016. A tradução de Isaque Gomes Correa.
Eis o artigo.
Tendo escrito extensivamente sobre a Laudato Si’, decidi que era chegada a hora de ver como eu poderia implementá-la em minha vida. Decidi começar com a casa em que moro, um prédio antigo de três andares, com 15 quartos datando do final do século XIX. Se conseguisse torná-la mais eficiente em termos energéticos, eu estaria reduzindo a nossa pegada de carbono bem como economizando dinheiro para a minha comunidade.
O meu palpite era que muitas casas de família, sem contar as igrejas e outros prédios católicos, também poderiam se beneficiar de uma tal análise. Assim decidi partilhar a minha experiência aqui com vocês.
Felizmente, um melhoramento importante em nossa casa ficou completo há poucos meses com a compra de um sistema eficiente de aquecimento d’água movido a gás a fim de substituir um antigo forno movido a óleo. Além disso, um fornecimento de gás constante é mais conveniente do que depender de caminhões para a entrega de óleo.
As janelas também passaram por uma atualização. Portanto, dois dos melhoramentos mais caros já foram feitos. O meu trabalho foi observar meios mais simples, mais baratos de tornar a nossa casa mais energeticamente eficiente.
Comecei no porão, onde notei que algumas dos canos ao redor do forno de aquecimento não haviam sido isolados. Um sistema de aquecimento d’água funciona aquecendo a água em um forno e então circulando-a com uma bomba elétrica através de radiadores no prédio, com a água então retornando ao forno para ser reaquecida antes de circular novamente.
Descobri que os canos provavelmente ficaram sem isolamento quando instalamos um o novo sistema.
Os canos eram de uma variedade de tamanhos, e eu não fazia ideia qual o tamanho tinham.
Os canos são medidos pelo diâmetro interno. E mais, canos de ferro maiores do que os de cobre possuem o mesmo diâmetro interno. Muito confuso. Em teologia eles não ensinam essas coisas.
Felizmente também, ao pesquisar no Google por “isolamento de tubulação”, pude encontrar uma tabela útil que me permitiu calcular o tamanho de um cano medindo a sua circunferência externa. Acabei comprando pela internet 20 metros de isolamento para as tubulações de ferro de um a três polegadas. O custo para a postagem dos 20 metros de material isolante de calor foi alto, mas o preço do produto estava mais barato do que se comprasse em uma ferragem. Então pareceu que daria no mesmo valor ao final.
O isolamento de tubulação por fibra de vidro é, na verdade, bem fácil de instalar. Simplesmente se mede o cano e corta o material isolante com uma faca afiada ou um estilete. (Só me feri uma vez aqui.) O isolamento vem com uma fita adesiva autovedante para uma instalação fácil e rápida. Certifique-se de usar roupas velhas e um boné. As partes de cima das tubulações são ímãs para poeira.
Senti-me muito orgulhoso de mim mesmo e já estava pronto para me retirar para a sala de estar para tomar uma bebida, quando notei algumas outras tubulações que seguem junto ao piso no onde se encontra o forno, próximo das paredes. Descobri duas das linhas de retorno. Elas não haviam sido isoladas.
Todos estes canos sem isolamento radiavam calor no local onde fica o forno, exatamente onde não era preciso aquecer. Isso fazia com que o forno trabalhasse mais no reaquecimento da água antes de mandá-la de volta aos radiadores.
Depois de comprar e instalar o material isolante para estes dois canos, o local ficou notavelmente mais fresco.
Comecei a suspeitar que as coisas eram piores do que eu pensava, então comecei a trilhar por onde iam os canos de aquecimento conforme saíam do local onde o forno fica.
A primeira parada foi uma dispensa em que havia três bicicletas, latas de tinta, aparelhos de ar condicionado, tapetes e outros lixos. Além do local onde fica o forno, este era o ambiente mais quente da casa. Ele tinha duas tubulações de ferro, de 12 cm cada, que não estavam isoladas, além de canos menores que saíam deles. Um dos canos de 12 cm era a principal fonte de água quente que saía do forno, e o outro era a principal linha de retorno.
Como um explorador em um território desconhecido, segui os canos ao longo da sala de tevê, passando pela lavanderia, a sala de exercícios e até uma outra dispensa. Todos esses ambientes tinham canos sem isolamento e estavam superaquecidos. Essa dispensa tinha um freezer, que precisava trabalhar extra porque o ambiente estava aquecido.
Por fim, os canos (a maior parte deles medindo 3 cm de diâmetro) levavam para uma sala onde ficavam escondidos por um teto falso. Já era de se imaginar: muitos dos canos acima do teto falso não estavam isolados, e o falso teto mantinha todo o aquecimento trancado no forro.
Até aqui, a um custo de quase 900 dólares (incluindo postagens), comprei e instalei mais de 90 metros de isolamento no sistema de aquecimento. Enquanto isso, descobri que alguns dos canos que saíram do aquecedor d’água não estavam isolados também. Assim que a neve se derreter lá do lado de fora, irei a uma ferragem e comprarei para instalar um isolamento de espuma nestes canos de cobre.
Valeu a pena? Com certeza irei reduzir a nossa pegada de carbono e economizar dinheiro na conta de luz. O quanto isso vai economizar é difícil saber, mas uma fonte que encontrei estimou que este custo seria recuperado em menos de dois anos, e não tenho certeza de se esta estimativa incluía os custos do serviço, que para nós foi zero.
Duvido que a nossa casa seja a única no quesito isolamento térmico das tubulações. Visitem os diversos ambientes de suas casas, paróquias, escolas, e outras construções e não se surpreendam se encontrar uma falta de isolamento também.
A encíclica Laudato Si’ nos convida a agirmos nos níveis nacional e global, mas também não devemos nos esquecer de que a Igreja administra milhares de prédios pelos quais somos, enquanto comunidade, os responsáveis.
Não é um bicho de sete cabeças. É simples de fazer e não é custoso. Vista suas roupas velhas e comece a trabalhar. Na verdade, é até divertido e nos dá uma sensação de realização – uma sensação de que fizemos algo que vai continuar a ter um efeito nas próximas décadas.