"Laudato Si'". Revista publica a íntegra do texto da nova Encíclica. Primeiras reações

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16 Junho 2015

De modo imprevisto, a versão online da revista italiana Espresso, na tarde de hoje, 15 de junho, exatamente três dias antes do anúncio oficial, publicou na íntegra a "Carta Encíclica Laudato Si' do Santo Padre Francisco sobre o cuidado da casa comum".

A íntegra, em italiano, de 191 páginas, pode ser lida aqui.

Segundo Giacomo Galeazzi, jornalista especializado em assuntos do Vaticano, em comentário postado na versão online do jornal La Stampa, afirma que o vazamento do texto é atribuído na Cúria Romana aos círculos conservadores com duas finalidades:

1.- enfraquecer a mensagem da encíclica que em alguns pontos critica duramente as políticas ambientais dos países economicamente hegemônicos;

2.- atacar o Pontífice no quadro das resistências à renovação da Igreja promovida por ele.

O jornalista anota também que a revista Expresso, nas últimas semanas, atacara alguns artigos da Civiltà Cattolica.

Enfim, a encíclica já tem uma primazia histórica: ela é a primeira que é atacada antes ainda da sua publicação. Inclusive, foi atacada por ter entre os seus consultores o economista Jeffrey Sachs, que defende políticas de controle da natalidade. Isto, no entanto, é totalmente desmentido pelo texto da encíclica que defende exatamente o contrário.

Religión Digital, sítio espanhol de informação religiosa, informa que fontes vaticanas atribuem o vazamento da encíclica ao jornalista Sandro Magister. Magister tem sido um jornalista muito crítico do atual pontificado.

Segundo Gian Guido Vecchi, vaticanista do jornal Corriere della Sera, 16-06-2015, "no Vaticano há uma grande irritação, a "violação das regras de ser correto" é considerada um movimento deliberado "contra o Papa e contra a encíclica", para enfraquecer a apresentação do texto que critica o desequilíbrio entre o Norte e o Sul do mundo e a política ambiental dos Países poderosos, fala da "regra de ouro" da "subordinação da propriedade privada à destinação universal dos bens", e tinha sofrido duros ataques, antes da publicação, sobretudo dos meios ultraconservadores americanos.

Vito Mancuso, teólogo italiano, em artigo publicado no jornal La Repubblica, 16-06-2015, constata que há "três conceitos decisivos na complexa interpretação bergoglina do cristianismo como serviço e defesa do homem:

1.- o louvor, ou seja, a dimensão contemplativa, absolutamente essencial para a espiritualidade jesuíta;

2.- o cuidado, a práxis voltada para o bem e para a justiça, um traço peculiar da teologia da libertação sulamericana;

3.- a casa comum, ou seja, o bem comum e a dimensão comunitária da vida humana, que é sempre vida de uma pessoa pertencendo a um povo. Precisamente por causa desta terceira dimensão que o papa escreve que com o seu texto ele não se endereça somente aos homens de Igreja e aos católicos, como é tradição para o gênero literário das encíclicas, mas a todos os seres humanos".

Segundo teóolgo italiano, "tem-se uma sensação autêntica novidade ao menos por três motivos:

1.- o estilo simples e imediato que recorda muito aquela água de que fala o papa que "nos vivifica e restaura";

2.- a atenção dada às contribuições que normalmente não constituem as fontes do magistério papal, como, por exemplo, as obras de outros líderes religiosos entre os quais o patriarca de Constantinopla Bartolomeu e as análises dos cientistas, sociólogos, economistas;

3.- a força surpreendentemente "laica" dos argumentos e da argumentação".

No entanto, Mancuso anota "a ausência de qualquer referência às grandes religiões orientais, sempre muito atentas à questão ecológica e à espiritualidade da natureza, muito antes do despertar do cristianismo para a questão".

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