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Por: Jonas | 01 Fevereiro 2016

“Em 50 anos, jamais me enganei pensando na fragilidade da burguesia, do imperialismo e que estávamos a um passo do triunfo do socialismo. Tive sempre a convicção em apoiar todo movimento social contra o capitalismo, emocionei-me, mas, depois, refletia: ‘Quais avanços reais conseguimos’?”, comenta o antropólogo Pedro Echeverría V., a partir de sua leitura do artigo do escritor uruguaio Raúl Zibechi: ‘Uma esquerda para o século XXI’.  Seu comentário é publicado por Rebelión, 26-01-2016. A tradução é do Cepat.

Eis o comentário.

1. Acabo de ler no jornal La Jornada o magnífico artigo de análise e denúncia de Gilberto López y Rivas: ‘Patio Tlaplan: governar para os cidadãos ou para as transnacionais?’, no entanto, o que mais interessou – por ser um tema no qual estive envolvido há vários anos – é o de Raúl Zibechi: ‘Uma esquerda para o século XXI’. Penso que as denúncias que vejo, escuto e leio no jornal, 99% delas sem solução, estão me cansando. Por outro lado, buscar e pensar como nos organizar na esquerda para acabar com os governos e o sistema capitalista e – portanto – a maioria dos problemas que a população sofre, parece-me urgente e central.

2. Comentarei ou sintetizarei o artigo do uruguaio Zibechi porque me recorda e reconfirma vários problemas que vivemos durante mais de 50 anos na esquerda. Escreve: Nos anos 1960 e 1970, quem se incorporava na militância muitas vezes escutava uma frase: “Ser como o Che Guevara” (assassinado em 1967). Com ela se sintetizava uma ética, uma conduta, um modo de assumir a ação coletiva inspirada no personagem que – com a entrega de sua vida – havia se tornado bússola de uma geração. Estar em um partido era em primeiro lugar disciplina no estudo da teoria e na atividade prática partidária. O contrário significava sair dele ou ser expulso.

3. Hoje, nós, jovens “militantes” daquele momento, podemos dizer que era como um stalinismo de obediência seguido mais pela fé em um futuro socialista que “implicava – segundo Zibechi – uma série de renúncias, essas, sim, à imagem e semelhança da vida do Che. Renunciar as comodidades, aos benefícios materiais, inclusive ao poder conquistado na revolução, estar disposto a arriscar a vida, são valores centrais nessa herança que passamos a chamar de guevarismo”. Porém, as denúncias contra os assassinatos de Stalin, em 1956, não acabaram com os métodos autoritários ou ditatoriais dentro dos partidos. Foi só depois da Checoslováquia, em 1968, que se começou a esclarecer.

4. Essa esquerda foi derrotada entre os golpes de Estado dos anos 1970 (Salvador Allende) e a queda do socialismo real em 1989 (Rússia, Europa do Leste e o Muro de Berlim). Houve centenas ou milhares de derrotas em igual número de países e lugares contra a esquerda e as lutas dos trabalhadores. Ainda que o nível de consciência dos trabalhadores tenha crescido, não é possível contabilizar vitórias duradouras que tenham feito o capitalismo retroceder. Ao contrário, as guerras, os golpes de Estado, as invasões, as ditaduras militares, todos promovidos ou encabeçados por eles, deram-lhes mais força e poder.

5. “O vanguardismo e o voluntarismo que tanto se estendeu entre a esquerda, escreve Zibechi, impediu a compreensão de que a realidade que pretendíamos transformar era bem diferente da que pensávamos, o que nos levou a subestimar o poder das classes dominantes e, sobretudo, a acreditar que se vivia uma situação revolucionária”. Eu, em 50 anos, jamais me enganei pensando na fragilidade da burguesia, do imperialismo e que estávamos a um passo do triunfo do socialismo.  Tive sempre a convicção em apoiar todo movimento social contra o capitalismo, emocionei-me, mas, depois, refletia: ‘Quais avanços reais conseguimos?’.

6. Depois, Zibechi se refere à luta armada que a Revolução Cubana nos apresentou como exemplo, em 1959, e escreve: “Que a nossa geração dos anos 1960 e 1970 tenha cometido grandes erros no uso e abuso da violência, não quer dizer que tenhamos que jogar tudo fora. As organizações armadas cometeram, além disso, atrocidades indefensáveis, utilizando a violência não só contra os inimigos, mas muitas vezes contra o próprio povo e também contra aqueles companheiros que apresentavam diferenças políticas com a sua organização”. No entanto, isso não quer dizer que não seja necessário se defender. Não devemos passar ao extremo oposto de confiar nas forças armadas do sistema (como destaca o vice-presidente da Bolívia), ou retirar das forças repressivas o seu caráter de classe.
 
7. Os exemplos do EZLN, escreve Zibechi, do povo mapuche do Chile, da Guarda Indígena nasa, na Colômbia, e dos indígenas amazônicos de Bagua, no Peru, mostram que é necessário e possível organizar a defesa comunitária coletiva. No legado de Che e na prática daquela geração, o poder ocupava um lugar central, algo que não podemos, nem devemos negar. Porém, a conquista do poder era para benefício do povo, jamais para o benefício próprio, nem sequer do grupo ou partido que tomava o poder, como se registrou na URSS, China e demais burocracias “socialistas” que, ainda que cheias de boa vontade e sacrifícios, não fizeram nada definitivo contra o capitalismo.

8. Ler o artigo. Necessitamos de uma esquerda para o século XXI que tenha presente a história das lutas revolucionárias do passado; que incorpore aquele lema “ser como o Che”, mas sem cair em vanguardismos. Que tenha presente o lema do zapatismo: “para todos tudo, nada para nós”. O mesmo pode se dizer de mandar obedecendo, que parece um importante antídoto contra o vanguardismo. O tipo de militante que a esquerda do século XXI precisa deve ser modelado pela vontade de sacrifício (Walter Benjamim). Desfazermo-nos desta tremenda fantasia de que é possível mudar o mundo votando a cada cinco anos e consumindo o restante do tempo.

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