Decide-se o futuro do Concílio pan-ortodoxo

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Por: Jonas | 22 Janeiro 2016

A reunião será amanhã, em Chambésy. Durante a semana de oração pela unidade dos cristãos, os primazes das Igrejas ortodoxas autocéfalas se reunirão no Centro do Lago de Genebra, posto de vanguarda suíça do Patriarcado ecumênico de Constantinopla, para decidir se o Santo e Grande Concílio da Ortodoxia se realizará verdadeiramente ou não, se começará no próximo dia 19 de julho e se a inédita reunião global da cristandade ortodoxa se realizará em Istambul, na sede Patriarcal do Chifre de Ouro, ou se precisará mudar de sede para não criar problemas para os representantes do Patriarcado de Moscou, hóspedes não tão bem-vindos na Turquia de Erdogan, após o estouro das tensões com a Rússia.

A reportagem é de Gianni Valente, publicada por Vatican Insider, 20-01-2016. A tradução é do Cepat.

A “sinaxis” ortodoxa de Chambésy representa uma passagem delicada no caminho da Ortodoxia. Ao final, todos os Primazes confirmaram sua presença, menos os de Antioquia e da Polônia (por motivos de saúde), e o arcebispo Hyeronimos II de Atenas, por “razões pessoais” (que podem estar relacionadas com os recentes desencontros com o Patriarcado de Constantinopla). No entanto, suas Igrejas estarão representadas pelos delegados autorizados.

O Grande Concílio ortodoxo vem sendo pensado há décadas, e com um prurido profético o Patriarcado de Constantinopla acelerou sua convocação para enfrentar os problemas que atingem os ortodoxos no mundo presente. Segundo o Metropolita de Pérgamo, Ioannis Zizioulas, considerado por muitos o maior teólogo cristão vivo, toda a Ortodoxia corre o perigo da “introversão” e precisa de uma experiência sinodal de amplo alcance, caso não queira acabar encerrada nos guetos da própria automarginalização. Contudo, na medida em que vai se aproximando o grande evento eclesial, também vão se multiplicando os sinais de desgosto e de incerteza sobre o seu alcance real, e sobre a necessidade de que seja realizado.

A fase instrutora do Concílio, apontou o Metropolita Russo Hilarion de Volokolamsk, presidente do departamento de relações exteriores do Patriarcado de Moscou, avança com lentidão: dos oito documentos preparatórios para o encontro, só foi alcançado o consenso unânime exigido para três deles, ao passo que o documento sobre a delicada questão da autocefalia, no momento, foi retirada da agenda de trabalho. Assim como também não se chegou a um acordo a respeito dos procedimentos que os trabalhos da assembleia terão, e recentemente certos atritos complicaram as relações entre as Igrejas ortodoxas grega e búlgara e o Patriarcado ecumênico de Constantinopla. Há poucos dias, justamente o Patriarcado ortodoxo da Bulgária levantou a possibilidade de não participar do encontro em Chambésy, indicando que um dos motivos desta decisão seria a eventual presença do Primaz ortodoxo das Terras Checas e da Eslováquia, que não é reconhecido como tal pelas outras Igrejas ortodoxas.

A frágil consistência organizativa do Concílio pan-ortodoxo, que está sendo preparado, leva-o a sofrer pressões de todas as dimensões, nutridas pelos tradicionais desencontros nas relações entre as Igrejas da Ortodoxia. Ao mesmo tempo, os organizadores mais atentos estão convencidos de que nenhuma destas Igrejas assumirá a responsabilidade de sabotar um encontro tão esperado, há muitíssimo tempo, por um simples ajuste de contas ou para entorpecer ainda mais o papel de “primis inter pares” que o Patriarca ecumênico Bartolomeu exerce. As dificuldades podem acarretar atrasos ou mudança da sede do Grande Concílio, que pode ser transferido para Patmos, Salonica ou para o próprio centro ortodoxo de Chambésy. O Grande Concílio talvez devesse reconsiderar suas pretensões e limitar seus objetivos a algumas declarações de consenso sobre poucos pontos (e, neste sentido, qualquer comparação com o Concílio Vaticano II seria imprópria). Porém, nesse momento, parece improvável o naufrágio absoluto da grande iniciativa sinodal ortodoxa. A seu modo, com seu estilo litigante, os chefes das Igrejas ortodoxas buscarão oferecer uma prova concreta da comunhão de fé e doutrina que os unem há 2.000 anos, apesar de alguma suspensão temporal das relações bilaterais e dos conflitos “jurisdicionais”.

Os que seguramente esperam que o Santo e Grande Concílio ortodoxo tenha um resultado digno e exitoso são a Santa Sé e o Bispo de Roma, Patriarca do Ocidente. A Igreja de Roma segue e acompanha com amizade e espírito de fraternidade o processo no qual as Igrejas irmãs ortodoxas estão envolvidas. E o Papa Francisco continua tecendo uma rede de relações com cada uma delas (incluindo as menores) e com seus Primazes, manifestando um enfoque absolutamente em sintonia com a eclesiologia sinodal ortodoxa. As constantes relações do Sucessor de Pedro com o “irmão Bartolomeu”, sucessor de André, continuam sendo evidentes. E também os contatos com o Patriarcado de Moscou revelam uma relação cada vez mais intensa entre a Igreja de Roma e a maior das Igrejas ortodoxas, que vai para além das convenções da etiqueta “ecumenista” (e não se deve esquecer a simpatia que “o czar” Putin manifestou pelo Papa Francisco). Em 2015, o Metropolita Hilarion, “número dois” do Patriarcado moscovita, esteve quatro vezes em Roma e em duas oportunidades se reuniu com o Papa Francisco nas longas audiências privadas. Em abril do ano passado, o próprio Patriarca Kirill elogiou a visão da Santa Sé a respeito do conflito na Ucrânia, reconhecendo que o “Papa Francisco e a Secretaria de Estado tomaram uma posição autorizada sobre a situação na Ucrânia, evitando afirmações unilaterais e invocando o fim da guerra fraticida”. A Igreja de Roma, por sua parte, não se aproveita do dualismo crônico entre o Patriarcado de Moscou e a “Igreja mãe” de Constantinopla. Neste aspecto, também funciona a atitude de Roma ao favorecer a unidade entre os irmãos ortodoxos. Além disso, o Papa Francisco demonstra que não quer reduzir as relações com a Ortodoxia a gestos de atenção e sintonia dirigidos somente aos Patriarcas Kirill e Bartolomeu. Também aumentaram as relações fraternas com o Patriarca romeno Daniel; ao mesmo tempo em que o Patriarca sérvio, Ireney, ficou favoravelmente surpreso com a decisão do Papa em criar um grupo misto de trabalho, encarregado de estudar a história das relações entre croatas e sérvios durante a Segunda Guerra Mundial, e pelo papel que o cardeal croata Aloisiye Stepinac desempenhou, neste contexto. Há quase um ano, o mesmo Patriarca Ireney expressou, em uma carta ao Papa, suas reservas diante da possível canonização do já beato Stepinac. A tarefa da comissão de estudo, com o apoio pessoal do Papa (como recordou o dominicano Hyacinthe Destivelle, responsável pelas relações com os ortodoxos eslavos no Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos), não foi a de “interferir em um processo de canonização, que é uma questão interna da Igreja, mas, sim, a de favorecer a purificação da memória, algo necessário para a reconciliação entre as Igrejas e entre os povos”. Graças a um processo semelhante de reinterpretação comum da história, apontou Destivelle, foi possível cancelar as recíprocas excomunhões de 1054 entre a Igreja de Roma e a de Constantinopla, a partir de um ato conjunto do beato Papa Paulo VI e do Patriarca ecumênico Atenágoras, no dia 7 de dezembro de 1965. No último dia 16 de janeiro, uma delegação da Igreja sérvia ortodoxa viajou a Roma para apresentar algumas propostas relacionadas à futura composição do grupo misto de trabalho. Também fazia parte da delegação o professor Darko Tanaskovic, conceituado estudioso, e até 2007 inesquecível embaixador da Sérvia ante a Santa Sé.

Desse modo, o Papa Francisco também se expõe ao perigo das incompreensões de alguns setores da Europa oriental ao sugerir às Igrejas ortodoxas o que o Concílio Vaticano II já havia manifestado e que o próprio Bispo de Roma repetiu na última carta enviada ao Patriarca ecumênico Bartolomeu, por ocasião da última festa patronal de Santo André: é preciso tomar nota e manifestar junto com todas as Igrejas da Ortodoxia que entre os católicos e os ortodoxos “já não há nenhum obstáculo para a comunhão eucarística que não possa ser superado mediante a oração, a purificação dos corações, o diálogo e a afirmação da verdade”.

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