Detenção de líder social causa tensão na política argentina

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Por: Cesar Sanson | 21 Janeiro 2016

As primeiras semanas de Mauricio Macri à frente do Governo estão se transformando numa queda-de-braço entre o macrismo vencedor e a resistência kirchnerista. Praticamente qualquer movimento vira uma disputa em que Macri, com sua vitória eleitoral e uma onda de apoio social e midiático, tem tudo para ganhar. Entretanto, alguns fatos podem complicar essa sensação de calma que ele deseja instalar. A detenção de Milagro Sala, uma das líderes sociais mais conhecidas e polêmicas da Argentina, causou um grande escândalo no país e alimentou as críticas ao Governo por parte do kirchnerismo.

A reportagem é de Carlos E. Cué e publicada por El País, 20-01-2016.

O prestigioso Centro de Estudos Legais e Sociais (CELS), próximo do kirchnerismo, mas muito respeitado por sua defesa dos direitos humanos, emitiu um comunicado muito duro denunciando a detenção e os motivos alegados para encarcerar Sala. A ativista declarou greve de fome, o que complica ainda mais a gestão política de um assunto tão delicado.

Segundo o CELS, trata-se de um “gravíssimo precedente de criminalização do protesto social”. Este assunto pode ser o tiro de largada rearmamento do kirchnerismo para organizar um protesto contra Macri. “Com a lógica do Governo, depois da detenção de Milagro Sala, a Venezuela deveria pedir a aplicação da cláusula democrática do Mercosul” contra a Argentina, afirmou Héctor Timerman, ex-ministro de Relações Exteriores dos Kirchner, em referência às críticas de Macri às prisões políticas do chavismo.

Milagro Sala, que é deputada do Parlasul (o parlamento do Mercosul) era uma das pessoas mais poderosas de Jujuy, província pobre do Norte argentino. Com sua organização Tupac Amaru, que construiu bairros inteiros, domina escolas e os empregos de milhares de pessoas, é a referência política da região, já que sua aliança com o kirchnerismo lhe permitia receber enormes subvenções para organizar seus projetos sociais. Sala é o clássico expoente do poder alternativo ao oficial dentro do peronismo, onde sindicatos e organizações sociais frequentemente têm mais força e dinheiro para distribuir do que os próprios Governos locais.

Entretanto, a derrota do peronismo nas últimas eleições provinciais em Jujuy, em setembro, e a vitória de um aliado de Macri, Gerardo Morales, marcou o princípio do fim do poder de Sala. Jujuy é a única província do Norte onde o peronismo perdeu, transformando-se numa referência para Macri. Tanto que foi ali que ele encerrou, em Humahuaca, sua campanha eleitoral do segundo turno, que o levou a ser presidente da Argentina.

O governador Morales decidiu reduzir as subvenções da Tupac Amaru, e Sala mobilizou seus seguidores para protestar. Após 32 dias de acampamento e de um ultimato, ela foi presa por “instigação a cometer ilícitos e tumulto” durante os protestos. “Isto é como na ditadura”, afirmou a detida.

“É preciso acabar com os intermediários. Milagro Sala tirou dinheiro do Estado e dos pobres”, respondeu o governador Morales depois da detenção. O Governo de Jujuy moverá um processo contra a dirigente pelo “roubo” de 29 milhões de pesos (8,8 milhões de reais) do Estado, e a Justiça deixou claro que Sala só sairá da prisão se ordenar a dispersão do acampamento em frente à sede do Executivo provincial.

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