O vídeo do Papa, além das polêmicas

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18 Janeiro 2016

Fala o cérebro por trás dos vídeos virais que ilustram as intenções de oração do Papa, com os comentários da câmara do próprio Francisco. O primeiro já foi visto por milhões de pessoas.

A entrevista é de Andrés Beltramo Álvarez, publicada por Vatican Insider, 15-01-2016. A tradução é de Evlyn Louise Zilch.

{youtube}kZSCLTblHo8{/youtube}

O vídeo do Papa é um projeto ambicioso. O seu objetivo? Levar a palavra de Francisco a milhões de pessoas. Em sua primeira entrega o alcançou, com um spot que se tornou viral em poucas horas. Mas também gerou polêmicas, por seu conteúdo e estilo. Falou John Della Torre, diretor de La Machi, a agência de comunicação responsável pela produção dos vídeos.

Eis a entrevista.

Qual é o balanço do primeiro vídeo do Papa?

Estamos surpresos porque tínhamos uma meta de 30 milhões de pessoas de alcance total. O vídeo é viral, por isso é difícil contabilizar todas as visualizações, mas temos registrado mais de 4,2 milhões e calculamos que para cada registrado poderia ter 100 mais, por isso, estaríamos 400 milhões de visualizações. Além disso, muitos meios de comunicação têm publicado o vídeo em seus sites. Temos mais de 500 impactos da notícia sobre o vídeo em espanhol e em inglês, e na imprensa em que saiu supera mais de 115 milhões de visitas diárias, desde a CNN ou Huftington Post até em um jornal do Paquistão. Em um mundo onde a violência inter-religiosa é moeda corrente, que o Papa diga que somos todos filhos de Deus, porque nós somos suas criaturas, e que o vejam tantas que nos produza muita alegria.

Como é o processo de realização de cada vídeo?

Em primeiro lugar identifica-se qual é a intenção do Santo Padre, isto quem faz é a Rede Mundial de Oração do Papa. Um calendário é proposto, o Papa o revisa e aprova. Com isso La Machi executa um script artístico, na função de nosso diretor criativo Manolo Portabella e do roteirista Rodolfo Mansilla, integrando a teologia e a comunicação, bem como discursos deste papa e outros sobre o tema específico. O roteiro é corrigido e aprovado pelo diretor da Rede, o padre jesuíta Frederic Fornos. Este é proposto, filmado em colaboração com o Centro Televisivo Vaticano e nós mesmos o editamos. O Papa lê os scripts, que são passagens magisteriais combinadas de forma coloquial e a eles se agregam reflexões.

A reflexão é sua?

Claro, ele diz ante a câmera o que lhe parece de cada temática.

As imagens que integram o vídeo e os outros conteúdos são vocês que as propõem?

O vídeo divide-se em dois: a intervenção de Francisco e os elementos criativos, tudo forma o mesmo script. No primeiro vídeo trabalhamos o documento do Concílio Vaticano II "Nostra Aetate" em diálogo com as religiões não-cristãs. Chegamos a um material criativo, no qual participaram os três co-presidentes do Instituto para o Diálogo Inter-religioso que o Papa está propondo à Organização dos Estados Americanos (OEA) e uma líder budista argentina. Produziu-se um spot com a mesma qualidade com que a nossa agência tem trabalhado para grandes marcas.

O primeiro vídeo gerou polêmica, o que acham disto?

Sim, há polêmica. Não é muita, de todas as publicações na imprensa, apenas cinco ou seis são controversas. Este vídeo é de nova evangelização, também projetado para pessoas que estão longe e para ir ao encontro. Há algumas pessoas não gostam do Papa, que não gostam do diálogo ou que não gostam das religiões. Eles certamente não gostaram do vídeo, porque fala de diálogo inter-religioso.

Outras críticas focaram no estilo do vídeo, vocês viram estas?

Algumas críticas eram mais no sentido teológico, mas devemos esclarecer que se trata de um spot e não de uma encíclica. Tudo o que disse o Papa é doutrinariamente perfeito, somos todos filhos de Deus. O batismo nos confirma, Deus nos escolhe, mas desde que nascemos somos criaturas de Deus, filhos do mesmo pai. Para o caso das críticas estéticas, como pode parecer um tipo de comunicação protestante, bem-vindo, nós temos muito a aprender também com os protestantes. Às vezes, outras religiões comunicam melhor do que nós.

Também se criticou que os símbolos religiosos no vídeo aparecem no mesmo nível, como uma forma de sincretismo, havia essa intenção?

Este vídeo fala do diálogo entre as pessoas. O diálogo é a primeira condição necessária para evangelizar, porque caso contrário, seria impossível transmitir a mensagem de Cristo. E para dialogar tem que estar à mesma altura que as outras pessoas. Isto é o que mostra o spot, a mesma dignidade entre pessoas de diferentes religiões. Quando os símbolos religiosos são mostrados não é dito que são todos iguais, antes pelo contrário. A primeira frase é “muitos pensam de forma diferente e sentem diferente”, não é dito que eles são iguais. Exatamente o que se destaca são as diferenças e cada um, desde suas mãos, propõe o mais sagrado que tem de si. Entre eles há paz. A partir daí, temos o dever de anunciar Cristo aos outros irmãos, mas só podemos fazer com o diálogo e para que isso aconteça temos de falar e ouvir. A igualdade é entre as pessoas, não entre as religiões. O que é óbvio, porque quem fala é o Papa, o líder de uma religião.

Quais serão os próximos vídeos?

Estão trabalhando no próximo spot cujo tema será a ecologia, à luz da encíclica “Laudato si”. Não temos a data confirmada ainda, mas será transmitido em fevereiro.

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