A Primavera Árabe, cinco anos depois

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14 Janeiro 2016

"Cinco anos mais tarde, está claro que o resultado dos levantamentos foi desastroso, provocando guerras ou crescente repressão em cinco dos seis países nos quais a Primavera Árabe aconteceu", afirma Patrick Cockburnescritor, em artigo publicado por Página/12, 10-01-2015. A tradução é de Janaína Cardoso.

Eis o artigo.

A Primavera Árabe foi sempre uma frase enganosa, o que sugere que o que estávamos vendo era uma transição pacífica do autoritarismo para a democracia, similar a do comunismo na Leste Europeu. O termo pouco apropriado implicava uma visão demasiadamente simplista dos ingredientes políticos que produziram os protestos e revoltas de 2011 e as expectativas demasiado otimistas sobre seu resultado.

Cinco anos mais tarde, está claro que o resultado dos levantamentos foi desastroso, provocando guerras ou crescente repressão em cinco dos seis países nos quais a Primavera Árabe aconteceu. Síria, Líbia e Iêmen estão sendo destroçados por guerras civis que não dão sinais de ter um fim. A autocracia no Egito e Bahrein é muito maior e as liberdades civis muito menores do que eram antes de 2011. Somente em Tunes, onde a onda rumo à mudança radical iniciou, as pessoas têm mais direitos do que antes.

O que foi tão desastrosamente mal? Alguns fracassaram porque o outro lado era demasiadamente forte, como em Bahrein, onde a demanda dos direitos democráticos da maioria xiita foram esmagados pela monarquia sunita. A Arábia Saudita enviou tropas e os protestos ocidentais pela repressão foram frágeis. Isto estava em claro contraste com as denúncias ocidentais sobre a brutal repressão de Bashar al Assad do levantamento pela maioria sunita na Síria. A guerra síria tinha raízes sociais, políticas e sectárias, mas era o elemento sectário que predominava.

Por que o Islã intolerante e extremo triunfou sobre a democracia secular? Assim o fez, porque o nacionalismo e o socialismo estavam desacreditados como os lemas dos antigos regimes, normalmente regimes militares que se haviam transmutado em estados policiais controlados por uma só família governante. Os movimentos islâmicos eram o principal canal para a dissidência e a oposição ao status quo, mas tinham pouca ideia de como substituí-lo. Isto foi evidente no Egito, onde os manifestantes nunca conseguiram encarregar-se do Estado e a Irmandade Muçulmana descobriu que ganhar as eleições não trazia consigo o poder real.

Os movimentos de protesto no início de 2011 se apresentaram como progressistas em termos de liberdade política e civil, e esta crença era genuína. Mas se produziu uma verdadeira mudança no equilíbrio do poder no mundo árabe durante os 30 anos anteriores, com a Arábia Saudita e as monarquias do Golfo tomando a liderança dos estados nacionalistas seculares. Um dos paradoxos da Primavera Árabe foi que os rebeldes, supostamente buscando pôr fim à ditadura na Síria e na Líbia, tenham sido apoiados pelas monarquias absolutas do Golfo.

O Ocidente desempenhou um papel, apoiando as revoltas contra os líderes aos quais queriam ver fora do poder, como Muammar Khadafi e Assad. Mas deram extraordinariamente pouca importância ao que substituiria estes regimes. Não viram que a guerra civil na Síria estava destinada a desestabilizar o Iraque e a conduzir uma retomada da guerra entre sunitas e xiitas ali.

Um erro de cálculo, inclusive mais grosseiro não foi ver que a oposição armada na Síria e no Iraque estava sendo dominada pelos jihadistas extremos. Há tempo, Washington e seus aliados afirmavam que havia uma oposição armada não sectária moderada na Síria ainda que isto fosse, em grande parte, mítico. As zonas não governadas pelo Estado Islâmico (EI) nem por rebeldes do EI, eram tão brutais como o governo em Damasco. A oposição não sectária fugiu para o exterior, ficou em silêncio ou morreu e foram os movimentos islâmicos mais militarizados e fanáticos que floresceram em condições de violência permanente.

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