Linguagem de gestos

Mais Lidos

  • A III Guerra pode ter começado esta semana. Artigo de Michael Hudson

    LER MAIS
  • Contra a guerra injusta e injustificada com o Irã. Editorial da revista jesuíta America

    LER MAIS
  • Neste proscênio de 2026, onde a restauração trumpista não apenas reconfigura mapas, mas desarticula a própria gramática da diplomacia liberal, o Rio de Janeiro emerge não como um enclave de exceção, mas como o laboratório biopolítico mais avançado do Sul Global

    Arquitetura da impunidade e predação do pneuma: o Rio de Janeiro como laboratório da noite feroz. Entrevista com Luiz Eduardo Soares

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

15 Janeiro 2016

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus segundo João 2,1-11 que corresponde ao 2° Domingo do Tempo Comum, ciclo C do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto

http://www.periodistadigital.com/religion/

O evangelista João não disse que Jesus fez “milagres” e “prodígios”. Ele chama-lhes “sinais” porque são gestos que apontam em direção a algo mais profundo do que podem ver os nossos olhos. Em concreto, os sinais que Jesus realiza orientam para a sua pessoa e mostram-nos a sua força salvadora.

O sucedido em Caná da Galileia é o começo de todos os sinais. O protótipo dos que Jesus irá levando a cabo ao longo da sua vida. Nessa “transformação da água em vinho” nos é proposta a chave para captar o tipo de transformação salvadora que opera Jesus e que, em seu nome, devem de oferecer seus seguidores.

Tudo ocorre durante um casamento, a festa humana por excelência, o símbolo mais expressivo do amor, a melhor imagem da tradição bíblica para evocar a comunhão definitiva de Deus com o ser humano. A salvação de Jesus Cristo deve ser vivida e oferecida pelos seus seguidores como uma festa que dá plenitude às festas humanas quando estas ficam vazias, “sem vinho” e sem capacidade de encher o nosso desejo de felicidade total.

O relato sugere algo mais. A água só pode ser saboreada como vinho quando, seguindo as palavras de Jesus, é “retirada” de seis grandes tinas de pedra, utilizadas pelos judeus para as suas purificações. A religião da lei escrita em tábuas de pedra está esgotada; não há água capaz de purificar o ser humano. Essa religião deve ser libertada pelo amor e pela vida que comunica Jesus.

Não se pode evangelizar de qualquer forma. Para comunicar a força transformadora de Jesus não bastam as palavras, são necessários os gestos. Evangelizar não é só falar, pregar ou ensinar; menos ainda julgar, ameaçar ou condenar. É necessário atualizar, com fidelidade criativa, os sinais que Jesus fazia para introduzir a alegria de Deus tornando mais feliz a vida dura dos camponeses.

A muitos contemporâneos a palavra da Igreja deixa-os indiferentes. As nossas celebrações os aborrecem. Necessitam conhecer mais sinais próximos e amistosos por parte da Igreja para descobrir nos cristãos a capacidade de Jesus para aliviar o sofrimento e a dureza da vida.

Quem quererá escutar hoje o que já não se apresenta como notícia alegre, especialmente se se faz invocando o evangelho com tom autoritário e ameaçador? Jesus Cristo é esperado por muitos como uma força e um estímulo para existir, e um caminho para viver de forma mais sensata e alegre. Se só conhecem uma “religião aguada” e não podem desfrutar algo da alegria festiva que Jesus espalhava, muitos continuarão a afastar-se.