Alternativas atraentes para os antibióticos

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Por: André | 18 Janeiro 2016

Visão geral de novas técnicas terapêuticas que podem ser necessárias em breve para lutar contra bactérias patogênicas.

A reportagem é de Sophie Bartzcak e publicada por La Vie, 12-11-2015. A tradução é de André Langer.

Se os antibióticos salvaram muitas vidas, hoje o seu abuso persistente em seres humanos e animais está colocando em risco a biodiversidade da nossa flora intestinal. Recentemente, alguns estudos mostraram que eles poderiam ser responsáveis por crianças com excesso de peso; e cada vez mais bactérias estão se tornando resistentes a qualquer tratamento, resultando em 13 mil mortes a cada ano na França, ou seja, quatro vezes mais do que acidentes de trânsito! Um problema de saúde pública de tal magnitude que amanhã, se nada for feito, "infecções comuns e ferimentos considerados leves poderão novamente matar", alertou a OMS (Organização Mundial da Saúde) em 2014. Diante deste perigo, quais são as alternativas para o futuro?

Probióticos

Estas estirpes vivas de bactérias "boas" em cápsulas ou na alimentação são objeto de muitas pesquisas. Qual é a ideia? Restaurar a biodiversidade e reintegrar boas bactérias na microbiota. A abordagem é promissora, mas precisamos esperar e ir pelo seguro, porque a qualidade dos produtos ainda é muito desigual e seu uso não é adequado para todos. No futuro, teremos condições para determinar para cada pessoa estirpes de bactérias adaptadas...

Transplante fecal

Esta técnica, recentemente experimentada em alguns hospitais, é uma das mais promissoras. Na prática, uma amostra de fezes de um indivíduo saudável é transferida para o cólon do paciente para recriar um ecossistema mais saudável. O transplante fecal está sendo usado com sucesso para infecções de Clostridium difficile, uma bactéria que mata a cada ano milhares de pessoas e é muitas vezes incurável porque resistente aos antibióticos. No futuro, o transplante fecal poderá curar colite ulcerativa, doença de Crohn e inclusive a obesidade e a diabetes.

Fagoterapia

Bastante genial, essa técnica foi abandonada na Europa com a chegada dos antibióticos, ao passo que os georgianos e os russos continuaram a desenvolvê-la com sucesso. Qual é o princípio? Usando bacteriófagos, vírus que atacam as bactérias, como antibióticos sob medida. "Em algumas horas ou dias, diante de uma bactéria multirresistente, é possível encontrar um bacteriófago para bloqueá-la, quando em circunstâncias normais se levaria vários anos para desenvolver um antibiótico eficaz", comentou o professor Jean-Damien Ricard, médico de cuidados intensivos no Hospital Louis-Mourier em Colombes (92) e pesquisador do Inserm-Paris Diderot. Recentemente, foi mostrado em ratos a eficácia de 100% da fagoterapia contra a pneumonia com uma única dose. Para o uso em seres humanos, será preciso esperar a autorização das autoridades sanitárias, que têm dificuldades para classificar esse estranho medicamento.

Aromaterapia

Vários estudos mostram a eficácia dos óleos essenciais contra bactérias resistentes (tomilho, orégano, canela, melaleuca...). Mas os primeiros tratamentos oficiais antibióticos à base de óleos essenciais são, por enquanto, testados em bovinos, porque a autorização para a comercialização de óleos essenciais para os seres humanos esbarra em sua complexidade (várias centenas de moléculas em um óleo).

Elodie Guinoiseau e Vannina Lorenzi, cientistas do CNRS, na Córsega, realizam pesquisas nessa direção e já identificaram óleos essenciais locais, como a sempre viva, a pequena inula, a santolina, a esteva ou ainda a cenoura selvagem, eficazes contra bactérias resistentes a antibióticos como o Staphylococcus aureus, os Campylobacter (gastroenterite) ou ainda o Enterobacter aerogenes (segunda maior causa de doença nosocomial).

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