COP-21: Santa Sé leva a Paris a voz da Amazônia

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01 Dezembro 2015

Paris se transforma na capital do mundo depois dos atentados do dia 13 de novembro passado, mas, desta vez, por causa de um evento internacional planejado há tempo, ou seja, o início da COP-21, a conferência mundial sobre o clima e o ambiente, que, na esperança de muitos, deve marcar uma reviravolta em favor de uma clara redução das emissões de poluentes.

A reportagem é de Francesco Peloso, publicada no sítio Vatican Insider, 30-11-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Nessa frente, como se sabe, a Igreja está muito empenhada. A Santa Sé trabalha por um acordo conclusivo capaz de comprometer os governos, começando pelos dos países mais ricos e industrializados, mas também das potências emergentes, para fazerem uma virada virtuosa.

E se o início da conferência foi marcado por manifestações não autorizadas por parte de ativistas ambientalistas com relativos e inevitáveis confrontos – a cidade ainda sofre com as severas medidas de segurança tomadas depois dos atentados terroristas – o que está em jogo é muito importante para ser obscurecido por alguma brigas.

Laudato si', motor da mobilização eclesial

Por outro lado, para a Igreja, o ponto de referência obrigatório é a Laudato si', a encíclica do Papa Francisco dedicada à defesa da criação e à relação entre ambiente, novo modelo de desenvolvimento e pobreza em uma visão cristã, a partir do Cântico franciscano.

Enquanto isso, nos últimos dias, o cardeal Cláudio Hummes entregou ao governo francês e aos delegados da COP-21 uma petição com centenas de milhares de assinaturas recolhidas em 130 países do mundo. No texto, pede-se um corte das emissões de dióxido de carbono, a implementação de um programa que preveja a superação dos combustíveis fósseis, a completa descarbonização até 2050.

O texto também foi assinado pelo cardeal Peter Turkson, presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz, pelo cardeal Luis Antonio Talge, arcebispo de Manila e presidente da Caritas Internationalis, e pelo próprio pontífice.

Enquanto isso, o cardeal Turkson também tinha convidado todos os bispos do mundo a promoverem iniciativas e momentos de reflexão, celebrações religiosas, sobre os temas do ambiente, do cuidado da criação e do aquecimento global.

Os povos indígenas e a Igreja

Um impulso importante para a participação ativa da Igreja na conferência parisiense também vem da região amazônica, onde está em movimento a Repam, o rede eclesial panamazônica (promovida pelo Celam, o Conselho Episcopal Latino-Americano), ativa em nove países, que envolve dioceses e realidades locais comprometidas com a defesa da biodiversidade da grande floresta tropical.

Nos últimos dias, a rede se reuniu em Bogotá, na Colômbia, em vista justamente da cúpula prevista para a capital francesa. A Repam, por outro lado, como explicou o seu secretário, Mauricio López, "nasceu no outono de 2014 por causa da necessidade de responder como Igreja aos desafios deste grande território, onde existem grandes pressões e interesses, começando pelas atividades extrativas".

"Ao mesmo tempo – explicou – percebemos que a Igreja tem uma presença forte na área, mas muito fragmentada. Daí o nascimento da Repam, para criar uma plataforma para se trocar experiências, fortalecer o nosso compromisso, responder ao projeto enunciado pelo papa na Laudato si'."

Nesse contexto, particularmente importante foi a aliança entre a Igreja e os povos indígenas da Amazônia. De fato, estes últimos precisavam de um interlocutor capaz de levar as suas reivindicações às sedes internacionais onde são tomadas as decisões que importam.

Por outro lado, na região, continuam as perseguições e os homicídios contra aqueles que, agricultores ou ativistas, se opõem ao desmatamento e a uma exploração mineral sem escrúpulos e capaz de destruir porções inteiras da floresta, fazendo terra arrasada.

Segundo o secretário da Repam, "a escuta das comunidades indígenas era um tema inevitável. Até agora havia estado ausente na vida da Igreja a escuta ativa desses povos". "Eles – disse López – conhecem muito bem a presença da Igreja missionária, de fronteira, mas sentiam a ausência da Igreja institucional."

Nesse sentido, no diálogo e na última reunião da Repam, surgiu o fato de que "ser católico e ser indígena faz parte da identidade deles, não há ruptura: indígenas com uma missão popular, mas, ao mesmo tempo, fiéis e chamados à construção do reino. Por isso, é importante caminhar juntos, defender o território e o ambiente junto com eles, que são os mais vulneráveis. E levaremos a voz deles para Paris, participando da conferência sobre o clima".

A ação diplomática da Santa Sé

Se esse é o plano da mobilização global, existe outro mais institucional. A Santa Sé busca desempenhar um papel importante sob o perfil diplomático também em Paris, tornando-se ponto de referência para os países que, mais do que outros, da África à Oceania, passando pela América Latina, sofrem as consequências das mudanças climáticas.

Quem explicou qual é a contribuição do Vaticano para o processo que levou à Conferência de Paris (agendada para os dias 30 de novembro a 10 de dezembro) foi recentemente Dom Paul Gallagher, "ministro das Relações Exteriores" do Vaticano. Durante o recente encontro organizado pelo Pontifício Conselho para a Saúde, sobre o tema da acolhida do homem e do planeta, o secretário para as Relações com os Estados indicou as duas direções dentro das quais se articula a ação da Igreja: "Por um lado, através da contribuição direta para as atuais negociações por parte da delegação da Santa Sé, durante os vários encontros do grupo de trabalho da Convenção encarregada de negociar o acordo a ser adotado em Paris". Portanto, tanto através das "várias e diferenciadas atividades de reflexão e de aprofundamento da Santa Sé em tal âmbito, quanto através do incentivo da Santa Sé aos organismos da Igreja Católica a fazerem a sua contribuição" de conteúdos e propostas concretas.

No campo diplomático, explicou Gallagher, a estratégia do Vaticano pode ser sintetizada em três pontos: "Ancorar o acordo em uma clara orientação ética; promover a consecução de três objetivos concatenados entre si: atenuar o impacto das mudanças climáticas, combater a pobreza e fazer florescer a dignidade humana"; e, por fim, "manter o olhar no futuro".

Este último objetivo envolve sucessivas verificações do processo dos compromissos assumidos e acompanhamentos transparentes. Ao mesmo tempo, o acordo alcançado também deveria ser adotado pelas populações locais. Por isso, seria necessário ativar processos de participação em nível local, começando pelos povos indígenas.

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