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25 Novembro 2015

Para sustentar seu crescimento, que já ultrapassou o da China este ano, a Índia terá o maior aumento de consumo de energia do mundo ao longo das próximas décadas. Se "a Índia não faz parte do problema", como declarou o ministro do Meio Ambiente Prakash Javadekar, ela em breve poderá se tornar um.

A reportagem é de Julien Bouissou, publicada por Le Monde, 25-11-2015.

Ela já é o maior país emissor de gases de efeito estufa do mundo, sendo que 363 milhões de habitantes vivem abaixo do limiar de pobreza e que 240 milhões não têm acesso à eletricidade. As emissões de gases de efeito estufa aumentaram 67% entre 1990 e 2012, e se nada for feito, elas deverão quase dobrar até 2030.

"Justiça climática"

Como conciliar desenvolvimento e combate ao aquecimento global? A Índia está apostando no boom das energias limpas, ao mesmo tempo em que exige um auxílio financeiro e tecnológico dos países desenvolvidos. Em sua contribuição para a COP, submetida no dia 1º de outubro, Nova Délhi detalha quais serão os meios mobilizados para combater o aquecimento climático, sobretudo para aumentar a porcentagem de fontes de energia não fósseis em até 40% de sua produção de eletricidade até 2030.

Os esforços estão concentrados na energia solar, tendo como objetivo conseguir uma produção de 100 GW até 2022, ou seja, 25 vezes sua capacidade atual. A Índia tem alguns trunfos, como uma tarifa elétrica já elevada, sobretudo para as indústrias, que torna a energia solar competitiva, e um mercado em potencial considerável graças a seu nível de insolação.

"Os objetivos são muito elevados, mas o governo quis enviar um sinal na direção dos investidores sobre o potencial do mercado", acredita Arunabha Ghosh, diretor do Conselho sobre Energia, Meio Ambiente e Água (CEEW), um think tank sediado em Nova Délhi. O primeiro-ministro indiano Narendra Modi também anunciou, durante a cúpula Índia-África que foi realizada na capital indiana no final de outubro, a criação de uma grande aliança solar reunindo mais de 100 países, e por isso a cidade pretende emergir como a capital mundial das energias renováveis.

Ao avançar fortes ambições e soluções para conseguir atingi-las, a Índia pretende demonstrar sua sinceridade na luta contra a mudança climática. Mas elas ainda devem ser financiadas, e é nesse ponto que Nova Délhi apela para a responsabilidade dos países desenvolvidos.

Para fazer com que os países ricos assumam suas responsabilidades, Modi redefiniu a natureza da ameaça. "Precisamos passar de um discurso sobre a mudança climática para o de justiça climática", ele declarou no início de setembro. Se os países desenvolvidos possuem uma responsabilidade histórica na situação atual, como lembram sempre os negociadores indianos, os países menos ricos estão entre os mais vulneráveis, a exemplo da Índia.

Com o aumento das temperaturas, as chuvas durante as monções serão mais abundantes e de curta duração, colocando em risco a produção agrícola do país, o derretimento das geleiras do Himalaia agravará os riscos de inundações na planície do Ganges, e haverá mais ciclones varrendo a costa leste do país. Os pobres sofrerão as consequências mais dramáticas disso, pois não possuem recursos suficientes para se adaptarem ou reconstruírem após uma catástrofe natural, e por viverem nas terras mais baratas e mais expostas.

"O aquecimento climático complica os esforços de combate à pobreza", reconheceu em fevereiro o Banco Mundial. Os custos do aquecimento global serão sociais, econômicos e ambientais. A Índia avalia esses prejuízos em 1,8% de seu PIB anual até 2050.

Apesar de suas ambições no setor de energias renováveis, a Índia não parece disposta a sacrificar seu consumo de carvão, uma das fontes mais econômicas de produção de eletricidade, que deverá dobrar até 2035. Ela promete somente utilizar as tecnologias limpas em suas usinas de carvão. Como reconheceu Ashok Lavasa, um dos negociadores indianos para a questão climática, ao jornal indiano "Business Standard", no dia 4 de novembro: "A prioridade da Índia é o desenvolvimento."

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