Visita do papa: uma grande alegria da comunidade luterana de Roma

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18 Novembro 2015

Pedido de perdão recíproco, aberturas no fronte da hospitalidade eucarística. O drama em Paris: uma tarde sob a insígnia da fraternidade e da partilha. "Houve momentos feios entre nós, católicos e luteranos. Pensem nas perseguições entre nós com o mesmo batismo. Devemos nos pedir perdão por isso, perdão pelo escândalo da divisão": foi o que o Papa Francisco disse nesse domingo, durante a sua homilia proferida na Igreja Luterana de Roma, lotada para a ocasião.

A reportagem é da agência Notizie Evangeliche - NEV, 17-11-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Durante a visita, que ocorreu em um clima de fraternidade e partilha, foi dada a oportunidade para que alguns membros da Igreja dialogassem com o papa. Entre as várias perguntas, uma se referia à impossibilidade para os casais interconfessionais de compartilharem plenamente a Eucaristia.

Colocando a ênfase no único batismo que une a comunidade dos cristãos, o papa – dando prova de uma nova abertura nesse fronte – disse: "É um problema a que cada um deve responder...". E se perguntou: "Compartilhar a Ceia do Senhor é o fim de um caminho ou é o viático para caminhar juntos? Deixo a pergunta aos teólogos, para aqueles que entendem... Eu me pergunto: mas não temos o mesmo batismo? E, se temos o mesmo batismo, devemos caminhar juntos... 'Isto é o meu corpo, isto é o meu sangue', disse o Senhor: 'Fazei isto em memória de mim', e esse é um viático que nos ajuda a caminhar", disse o Papa Bergoglio, de improviso, concluindo assim: "Eu nunca vou ousar dar a permissão para fazer isso, porque não é minha competência. Um batismo, um Senhor, uma fé. Falem com o Senhor e sigam em frente. Não ouso dizer mais".

A alegria pela visita do papa à Christuskirche da Via Sicilia foi expressada não só pelo pastor da comunidade, Jens-Martin Kruse, mas também pela presidente do Sínodo da Igreja Evangélica Luterana na Itália (CELI), Christiane Groeben, que destacou a relevância do compromisso ecumênico: "Ele demonstra como os elementos em comum entre a Igreja Luterana e a Igreja Católica Romana são decisivamente mais importantes do que as diferenças, mesmo que existentes. Foi um dia muito bonito, e eu fiquei particularmente impressionada com dois gestos do Papa Francisco: quando ele afirmou que 'devemos nos pedir perdão pelo escândalo da divisão' entre católicos e luteranos, e quando fez uma homenagem à comunidade de Roma, com um cálice da Santa Ceia de alto valor simbólico".

Depois de 48 horas dos trágicos acontecimentos de Paris, os dois, o pastor Kruse e o Papa Francisco, fizeram referência ao particular momento histórico que a Europa está vivendo. Se, para o pastor luterano, "confiamos que Jesus venceu o mundo, e, por isso, não nos deixemos condicionar pelo medo", o papa se deteve nos "corações fechados": "É uma coisa feia ter o coração fechado. E hoje vemos o drama... Até mesmo o nome de Deus é usado para fechar os corações".

Não foi a primeira visita papal na Christuskirche de Roma – em 1983, João Paulo II foi até lá por ocasião do quinto centenário do nascimento do reformador Martinho Lutero, e, em 2010, Bento XVI também – mas a visita do Papa Bergoglio, a dois anos dos 500 anos da Reforma Protestante, marcou uma nova abertura no diálogo ecumênico.

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