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10 Novembro 2015

Geólogo diz que, além de minério de ferro, rejeito da barragem que se rompeu pode conter ainda arsênio, antimônio, zinco e cobre.

O impacto ambiental causado pelo rompimento das barragens de rejeitos da mineradora Samarco, em Mariana (MG), ainda é incalculável. Mas, de acordo com especialistas, com os milhões de toneladas de lama despejados nos cursos d’água, haverá assoreamento e contaminação de rios, morte em grande escala de plantas, peixes, aves e mamíferos, sem descartar a possibilidade de dispersão de produtos químicos tóxicos.

A reportagem é de Fábio de Castro, publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 10-11-2015.

Segundo Eduardo Duarte Marques, pesquisador do Serviço Geológico do Brasil, em Belo Horizonte, o rejeito das barragens é predominantemente formado por substâncias inertes, só que o minério de ferro eventualmente pode conter porções de metais como arsênio, antimônio, zinco e cobre. “Em certos pontos de extração do minério pode haver concentrações maiores desses metais – o que tornaria a lama realmente prejudicial. No entanto, para saber a concentração, será preciso fazer análises químicas”, disse ao Estado.

Se o impacto ambiental químico ainda é incerto, o impacto físico já está acontecendo. “É uma lama densa, com consistência gelatinosa, que atingirá os córregos e chegou ao Rio Doce, prejudicando toda a cadeia alimentar e destruindo a fauna e flora aquática nos rios. Com a lama, os peixes não conseguem respirar e ‘morrem afogados’, por assim dizer”, declarou Marques.

De acordo com Francisco Fernandes, pesquisador do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) do Ministério da Ciência e Tecnologia, há diversos reagentes químicos – incluindo soda cáustica – que são usados no processo de beneficiamento do minério de ferro. “Embora digam que o rejeito é feito só de sílica, há restos de reagentes ali. O rio virou uma vala de esgoto ao ar livre. Essa lama vai juntar-se ainda a dejetos humanos das casas, a restos de animais mortos e detritos em geral. Ao reagir com a matéria orgânica, o rejeito cria um produto de potencialidade tóxica muito grande, embora desconhecida. Dificilmente alguém vai conseguir tirar aquilo de lá. O volume é muito grande e vai ficar mais duro que cimento”, afirmou Fernandes. Segundo ele, o fornecimento de água deverá ser afetado na região. “Para normalizar isso será preciso muito dinheiro, tecnologia e tempo.”

Água. O resultado da primeira amostra de água do Rio Doce analisada depois do rompimento das barragens, no sábado, apontou índice de turbidez 11,9 mil vezes superior ao recomendável no caso de envio para estações de tratamento para abastecimento humano. A amostra foi recolhida na cidade de Rio Doce, a 100 quilômetros do local da tragédia, pelo Centro de Tecnologia e Inovação da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), a pedido do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam). Segundo o relatório, a água apresenta até 597 mil unidades de turbidez (NTUs).

“Medidas acima de 50 NTUs requerem filtração e coagulação química para a remoção dos sólidos suspensos e melhor eficiência no processo de desinfecção da água para o tratamento para abastecimento”, diz o parecer. Segundo moradores de Rio Doce, já é possível ver um grande número de peixes mortos nos cursos d’água da região.

O prefeito Silvério Joaquim da Luz (PT) divulgou relato afirmando haver “quilômetros de matas ciliares destruídas, lama fétida e outras tantas toneladas de madeira boiando entre os pilares (da usina), formando pequenas barragens, estagnando a água”. Luz afirmou ainda haver “prejuízo econômico incalculável para os municípios”.