"Quem está com os pobres não vive em um castelo." Entrevista com Corrado Lorefice, novo arcebispo de Palermo

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09 Novembro 2015

Dois dias atrás, o padre Corrado Lorefice, o sacerdote de fronteira que Bergoglio quis como arcebispo de Palermo, esteve conversando com o papa: "Francisco me disse que logo vai me explicar por que escolheu justamente eu. E me convidou apenas a continuar sendo quem eu sou, a não mudar nunca". E, às 19h, é a partir de uma pequena paróquia de Modica, na Igreja do Carmo, onde ele se encontra com um grupo de jovens, que esse padre que se inspira no padre Puglisi olha para os escândalos do Vaticano. E comenta o último apelo pungente do pontífice.

A reportagem é de Emanuele Lauria, publicada no jornal La Repubblica, 07-11-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

O papa diz que "um fiel não pode falar de pobreza e viver como um faraó". Também a você não pareceu uma referência casual?

Certamente, não foi óbvia. Até agora, falou-se de pobreza em termos paternalistas. O papa, ao contrário, se conecta às sensibilidades que surgiram no Concílio Vaticano II, a uma dimensão da pobreza que não é apenas um fato social, mas um elemento constitutivo da Igreja. E a Igreja, no seu caminho, deve se assemelhar ao Senhor: não se pode ser Messias dos pobres e buscar o poder neste mundo.

Uma imagem diferente daquele que surge do chamado Vatileaks.

Sem dúvida, vivemos em uma instituição em que o poder humano emerge e custa a dar lugar à Igreja que Deus quer, que o Concílio quer, que Francisco quer. Ora, é natural que a Igreja no mundo deva assumir uma forma. Se eu não tivesse celular, por assim dizer, eu não falaria com você neste momento. Mas, ao assumir uma forma, ela não deve perder de vista o Messias pobre: o clero pode ter uma casa, não castelos.

Que efeito você sente ao ler sobre altos prelados que moram em supercoberturas, de empregados do Vaticano que viajam em classe executiva?

Me desagrada. Especialmente porque são notícias que confundem os fiéis, que os despistam. Ou se serve a Deus ou ao dinheiro. Onde há muito dinheiro é difícil seguir o Senhor. Depois, por favor, eu também acredito que em alguns setores da informação começou a caça às bruxas. Certamente, o momento é bom para purificar a Igreja, para que nós, padres, façamos um caminho de maior simplicidade. Quem nos pede isso são as pessoas que sofrem com a crise econômica. Aqui, em Ragusa, eu conheço pessoas de 50 anos de idade que viviam com dignidade e que agora vêm me pedir um pacote de massa.

Você acha que o papa corre o risco de um isolamento no Vaticano?

Não, imagine! A grande maioria do clero, dos bispos aos sacerdotes, vê esse pontífice como uma bênção. Quanto aos fiéis, o povo santo de Deus sente onde está o Evangelho.

E os "carreiristas apegados ao dinheiro" de quem o próprio Francisco fala?

Bem, o papa é álguém que chama as coisas pelo nome e pelo sobrenome. Ele fez isso desde o início do seu apostolado. Alguns se ressentem e tentam reagir. Alguns, talvez, não compartilham a linha do pontífice, que chama ao essencial e tem interesse em mostrar um desvio negativo da Igreja. Mas, quando descobrimos escândalos desse tipo, nos esquecemos de que a Igreja do Papa Francisco é feita de religiosos e de leigos que constroem a partir de baixo os fundamentos da fé. Hoje, eu telefonei para uma freira missionária agredida em Guadagna, em Palermo: agora, muitos falam dela, mas onde estavam quando assistiam em silêncio aqueles que dormem no carro ou na estação? Essa é a Igreja verdadeira, o do padre Puglisi, também a de Biagio Conte. Uma Igreja simples. E quanto a mim, reflitam, quem diria que eu iria para Palermo?

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