O Vaticano investiga uma possível lavagem de dinheiro em sua tesouraria

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Por: André | 05 Novembro 2015

O porta-voz papal Federico Lombardi confirmou que a Justiça civil do Estado Vaticano está realizando uma investigação por suposta lavagem de dinheiro em sua tesouraria, a Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (APSA).

A reportagem é publicada por Religión Digital, 04-11-2015. A tradução é de André Langer.

O padre jesuíta disse que o caso vem sendo acompanhado desde fevereiro passado pelo Escritório do Promotor de Justiça, nome técnico da promotoria vaticana, e inclui operações de compra e venda de títulos e transações vinculadas ao empresário italiano Gianpietro Nattino.

Além disso, confirmou que o escritório investigador solicitou a colaboração das autoridades judiciais da Itália e da Suíça mediante cartas rogatórias internacionais enviadas por via diplomática no dia 7 de agosto de 2015.

A investigação é fruto do trabalho ordinário da Autoridade de Informação Financeira (AIF), um organismo criado já no pontificado de Bento XVI e que é responsável pelo monitoramento de todas as operações financeiras das instituições vaticanas.

Cada vez que esse organismo detecta uma anomalia, suspeita de lavagem de dinheiro, envia uma observação à Promotoria que acompanha o caso. Mas neste caso, as transações investigadas incluem a própria tesouraria papal.

A APSA, que se ocupa da gestão das finanças e dos imóveis do Vaticano, teria sido utilizada – com cumplicidade interna – para a lavagem de capitais e a “manipulação do mercado”, segundo consta em um documento reservado que cobre o período que vai de 2000 a 2011.

A solicitação de colaboração das autoridades suíças e italianas se deve ao fato de que parte das operações aconteceu em seus respectivos territórios.

Segundo os investigadores, a “carteira” em questão é atribuída a Nattino, presidente do Banco Finnat Euramerica SpA, que teria ordenado a transferência de mais de dois milhões de euros para a Suíça poucos dias antes da introdução das normas anti-lavagem no Vaticano.

A este respeito, o empresário assinalou em uma nota: “Em relação às recentes indiscrições da imprensa, expresso a minha total serenidade e confiança”.

“Minha forma de agir sempre se caracterizou pela máxima transparência e retidão, no respeito das legislações em vigor. Confio em que se possa esclarecer definitivamente, e o quanto antes, este caso”, apontou.

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