Para Leonardo Boff religião e Teologia estão ‘em alta’ no mundo de hoje

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29 Outubro 2015

Com o tema "O fator religioso no contexto da conflitividade”, Leonardo Boff abriu os trabalhos do II Congresso Continental de Teologia, que se realiza de 26 a 30 de outubro, em Belo Horizonte (Estado de Minas Gerais - Brasil), debatendo questões sobre a espiritualidade, o fundamentalismo e o terrorismo. O teólogo pontuou que a religião e a Teologia estão "em alta” atualmente e são temas modernos, mobilizando milhares de pessoas.

A reportagem é de Cristina Fontenele, publicada por Adital, 27-10-2015.

O fundamentalismo, de acordo com Boff, consiste na interpretação e imposição de uma determinada doutrina como a única verdade possível, postura que, em geral, envereda para o desentendimento e a violência.

Para Boff, religião e política caminham juntas, a exemplo do que ocorre no Islã, sendo a religião uma força central que mantém a identidade das pessoas, sobretudo nos momentos de crise. "Mas tudo o que é são pode adoecer”, assinalou o teólogo, lembrando os grandes conflitos existentes no Oriente Médio.

Boff afirmou ainda que, além da religião, existem outras formas de fundamentalismo e exemplificou citando a "macroeconomia capitalista”, que tem imposto um único modo de produção e consumo para a sociedade atual. Fundamentalismo este, apontado pelo teólogo, como o responsável pela falência grega e pelos cenários desestabilizadores de países latinos, como o Brasil e a Argentina, "obrigando” os governos a obedecerem a uma única lógica econômica.

Citando o lema do Pentágono (Estados Unidos) "um mundo, um império”, Boff comparou a versão estadunidense com o direcionamento papal: "um mundo, uma casa”. Destacando como são entendimentos diretamente opostos do que seria o viver em comunidade. Segundo o teólogo, desde que Washington (Estados Unidos) disse "a América está em guerra”, o mundo tem vivido sob a perspectiva dos conflitos modernos, a exemplo dos atuais refugiados europeus, que seriam resultado das guerras empreendidas pelo Ocidente.

Para Leonardo Boff, precisamos resgatar a conexão com a Terra, pois vivemos a "cultura do cansaço”.

Defendendo uma postura mais autocrítica, Boff lembrou ainda o fundamentalismo individual, praticado, às vezes, de forma inconsciente. Comportamento este que, a todo o momento, é chamado à reflexão a partir do processo de globalização, que permite às pessoas interagirem com diferentes seres humanos, de várias partes do Globo.

Assim como o fundamentalismo, o teólogo enfatizou que é preciso abordar também o tema do terrorismo, prática que, para ele, tem como objetivo instalar o medo generalizado na mente das pessoas. Para tanto, o terrorismo apresenta algumas características, como a necessidade dos atos serem espetaculares e a imagem de que os atentados foram minuciosamente preparados.

Sobre a espiritualidade, o Boff defendeu a necessidade de se resgatar a conexão com a terra, pois "vivemos a cultura do cansaço”. Para ele, o futuro pode ser decidido sob duas perspectivas. A ótica de que o mundo vive uma tragédia anunciada, na qual não é possível reparar os estragos já realizados pelo homem; e a ideia de uma crise de civilização, diante da qual é possível retomar o caminho do equilíbrio, visão esta defendida por Boff.

Para o teólogo, o próximo passo da humanidade é, então, descobrir o que ele denomina de "capital espiritual” do ser humano. O que significa migrar da cabeça para o coração e sentir Deus a partir daí. Um caminho que oferece um potencial ilimitado, em função da vida e não do acúmulo.

Paradoxalmente, "nem sempre a religião alimenta”, concluiu Boff, relatando uma conversa que teve com Dalai Lama, na qual o teólogo questionou o budista sobre qual seria a melhor religião. Surpreendido, Boff disse que, segundo Dalai Lama, a melhor religião é aquela que torna o indivíduo melhor, mais humano, misericordioso e mais sensível.

O Congresso

Dezenas de teólogos e teólogas latino-americanos estão reunidos no II Congresso Internacional de Teologia para debaterem a "Igreja que caminha com o Espírito e desde os pobres”. Promovido pela Amerindia Continental e com as presenças de nomes de referência na Teologia da Libertação, como Leonardo Boff e o Gustavo Gutierrez, o encontro visa a aprofundar o fazer cristão em comunidade, ante os novos desafios de um mundo plural e conflitivo.

A cerimônia de abertura, nesta segunda-feira, 26, fez uma homenagem à Mãe Terra (Pachamama), com a oferta de elementos simbólicos, como água, terra e frutos, além da representação do lixo a partir da natureza morta e de sacos plásticos. Os participantes entoaram cânticos e leram uma oração pedindo perdão pelo consumo irresponsável dos homens, o que tem levado a quase extinção dos bens da natureza.

Nas palavras iniciais do Congresso, a mexicana Socorro Martínez, coordenadora continental da Ameríndia, disse que a eleição do Papa Francisco, em 2013, para o comando do Vaticano, trouxe conquistas significativas para o contexto eclesial, sendo o pontífice um "legado” da América Latina e o primeiro papa que, de fato, optou pelos pobres. Segundo a teóloga, Francisco convida a uma nova forma de estar e atuar, para além do assistencialismo, mais próxima de uma sociedade que deve promover a dignidade de todos.

Também com a mensagem de boas-vindas, Pablo Bonavía, coordenador do Observatório Eclesial do Uruguai, destacou que a reforma na Igreja deve se distanciar do narcisismo e promover um processo civilizatório alternativo, para se viver com alteridade, cuidando da "Casa Comum” [expressão cunhada pelo Papa na encíclica ecológica Laudato si’]. O sacerdote lembrou ainda que assumir uma mudança radical e profunda não implica improvisação, e destacou as jornadas de trabalho empreendidas para discutirem o contexto eclesial em diversos países, como Bogotá [Colômbia], Montevidéu [Uruguai], Chile, Bolívia, Buenos Aires [Argentina], entre outros.

A programação do Congresso inclui reuniões para compartilhar as diferentes experiências da América Latina sobre ecologia, migrantes, tráfico de pessoas, povos indígenas e o papel da mulher na comunidade eclesial. Entre as palestras, os convidados irão debater a conjuntura e a relevância da Igreja no mundo, a autoridade dos mártires e dos pobres. O I Congresso Continental de Teologia foi realizado em 2012, na Universidade Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), em São Leopoldo (Rio Grande do Sul). Após três anos, o atual encontro dá seguimento à reflexão teológica no contexto latino-americano pós Concílio Vaticano II.

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