"Querem que a confusão reine na Santa Sé. Mas o papa e a Igreja sempre sobrevivem" Entrevista com Marcello Semeraro

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26 Outubro 2015

Escreveram que o papa está doente. Mas ele, Francisco, como reagiu? "Quer saber a verdade? Eu o encontrei no hall de Santa Marta, na manhã em que a notícia saiu nos jornais. Ele sorria. Estava sereno. Como se nada tivesse acontecido. Ele tem uma força interior única. Essas coisas nem o atingem."

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 23-10-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Dom Marcello Semeraro, bispo de Albano e secretário do "C9", o Conselho dos nove cardeais que trabalham sobre a reforma da Igreja, conta que Francisco "não se deixa impressionar" por aquilo que muitos no Vaticano definiram como um complô.

Eis a entrevista.

Que ar se respira no Sínodo?

A assembleia prossegue sem obstáculos nem preocupações particulares. É claro, entre nós, comentou-se a notícia sobre a falsa doença do papa. Pareceu-nos uma manobra desejada para criar uma má imagem do papa. É difícil dizer quem a maquinou, mas talvez não será difícil, com a justa calma, ter clareza. De fato, há alguns que perseguem a desarmonia e que querem que essa confusão reine dentro do Vaticano.

Os vazamentos pareciam um legado exclusivo do último período do pontificado de Bento XVI. O que Francisco pensa do Vatileaks? Ele teme que essa temporada possa voltar?

Eu nunca ouvi Francisco pronunciar a palavra Vatileaks. A respeito disso, também nunca o senti preocupado. Até porque ele realmente não tem nada a esconder. Ele permanece sempre muito sereno. E eu acho que ele julga essas notícias como moscas certamente irritantes, mas que não podem, de modo algum, prejudicá-lo. É a mídia que amplifica coisas que, depois, nos fatos, têm um peso relativo. Ele, repito, tem uma força interior que lhe vem de uma vida profundamente enraizada no Espírito. Os jogos mesquinhos postos em campo por alguns não o tocam.

Alguns estão jogando um jogo contra o papa?

Alguns levam adiante algo de decepcionante e repugnante. É realmente mesquinho inventar que Francisco sofre de uma doença no cérebro, como se, por isso, ele não fosse capaz de agir com conhecimento de causa. Evidentemente, o seu magistério tão claro, sereno e, ao mesmo tempo, decidido está acertando no alvo, e a alguns isso não cai bem. Mesmo antes de Bento XVI, nas décadas e nos séculos passados, aconteciam coisas do gênero no Vaticano. No entanto, os papas e a Igreja sempre sobreviveram.

Nos relatórios dos círculos menores, foram destacadas posições divergentes sobre a comunhão aos divorciados recasados. Nisso, o Sínodo está dividido?

Eu não falaria de divisões. Ao contrário, de sensibilidades diferentes que encontram acolhida e possibilidade de expressão no Sínodo. As diferenças também vêm de experiências geográficas inevitavelmente diferentes. São uma riqueza e absolutamente não são um problema.

O relatório final vai tomar qual direção?

Veremos. Certamente, respeitará todas as posições. Será um texto abrangente e não excludente. E todos os círculos menores poderão se encontrar nele. Ele vai mostrar aquela harmonia que, dentro do Sínodo, para além das várias representações midiáticas, foi vivida. Uma harmonia garantida por um método preciso: ouvir todos de baixo e, depois, fazer síntese no alto.

Nessa quinta-feira, a reforma da Cúria na qual você está trabalhando chegou a um resultado importante. O papa anunciou a vontade de instituir um novo dicastério com competência sobre os leigos, a família e a vida.

É a demonstração, o sinal de uma atenção para com a família, célula vital da Igreja e da sociedade.

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