Cardeal: O documento final do Sínodo não traz respostas, mas interrogações

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23 Outubro 2015

Um dos dez prelados responsáveis pela elaboração do documento final do Sínodo dos Bispos sobre a família deste ano disse que, embora o texto possa não dar soluções a todas as problemáticas debatidas no encontro, ele dará uma boa orientação ao Papa Francisco em suas decisões futuras.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 22-1-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O cardeal indiano Oswald Gracias disse que o documento “não vai ter todas as respostas, mas terá uma direção”.

“As interrogações estarão claras”, disse Gracias, ao conceder uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira (22 de out.). “Já as repostas não estarão tão claras assim”.

O arcebispo indiano está ajudando a elaborar o documento final do Sínodo 2015 que, desde o dia 4 deste mês, tem visto cerca de 270 prelados debaterem uma ampla gama de temas que as famílias e a Igreja enfrentam na atualidade.

Entre alguns tópicos polêmicos que se sabem estarem em discussão estão a postura da Igreja para com as pessoas gays e a sua prática de proibir que os fiéis divorciados e recasados participem da Comunhão.

Em resposta a uma pergunta feita durante a coletiva sobre o que escreve o Papa João Paulo II a respeito desta proibição, em sua encíclica Familiaris Consortio, de 1981, Gracias falou que o falecido pontífice também escreveu sobre a forma como pessoas diferentes encaram circunstâncias diferentes “não colocando todo mundo no mesmo barco”.

Ao trazer um exemplo de um divórcio onde um dos parceiros abandona o outro injustamente, o cardeal declarou: “Não podemos tratar os dois da mesma maneira”. A questão, segundo ele, é determinar como tratar os dois de forma adequada.

“A teologia progride – a doutrina permanece a mesma – e a nossa compreensão da disciplina eclesial também progride”, disse Gracias.

“Eu acho que nós ainda estamos no caminho de buscas, o Sínodo inteiro”, falou o cardeal. “O que para mim é maravilhoso é que, pessoalmente, estou muito feliz de que houve uma tal diversidade de opiniões entre coisas diferentes”.

“É assim que nós podemos trocar ideias e produzir algo benéfico para todos; é assim que podemos crescer e sermos capazes de ver o caminho a seguir, com todos tendo condições de respeitar a opinião dos demais, sabendo que se está sinceramente tentando encontrar uma forma de poder ajudar as nossas pessoas”, continuou o prelado.

“Não acho que encontramos as soluções”, disse ele. “Mas, pelo menos, começamos a falar sobre o problema e vimos que precisamos abordar tais e tais casos, que precisamos estudá-los”.

“Na medida em que nos aprofundarmos em nossa compreensão, estou certo de que encontraremos uma saída”, disse Gracias.

“O líder indiano estava falando no momento em que o Sínodo se aproxima de sua conclusão, após três longas semanas de deliberações. A sua equipe terminou uma primeira versão do documento final na quinta-feira pela manhã, que deve ser apresentado aos demais prelados no mesmo dia à tarde.

O cardeal disse que os bispos terão a maior parte da tarde desta quinta-feira para ler e estudar o texto, antes de se reunirem de novo na sexta-feira pela manhã para discuti-lo em sessão aberta. Na ocasião, poderão apresentar, para consideração, emendas ou alterações no texto.

A votação final do documento deve ocorrer no sábado pela manhã. Gracias disse esperar que a assembleia vote o texto, parágrafo por parágrafo, e, depois, como um todo.

Perguntado pelo National Catholic Reporter a respeito da extensão do texto, o cardeal falou que, atualmente, ele contava com menos de cem parágrafos.

“Tivemos em mente continuamente o que se encontrava no pensamento do grupo em geral”, falou o cardeal sobre o processo de redação. “De forma muito clara, nós não estamos tocando na doutrina. O Sínodo não está fazendo doutrina. Mas está, realmente, vendo o que é a abordagem pastoral, quais diretrizes que podemos dar!”.

“A nossa intenção é apresentar o documento ao Santo Padre no sábado como um resultado de nossas reflexões”, disse. “E, depois, ele irá levá-lo adiante. É o que esperamos”.

“O texto apresenta orientações realmente gerais”, segundo Gracias. “Ele não entra em aspectos muito específicos”.

Gracias também falou brevemente sobre uma sugestão dada por alguns dos pequenos grupos de discussão no Sínodo sobre a forma como a Igreja poderia alterar a sua prática para com os católicos divorciados e recasados. Atualmente, tais pessoas não têm a autorização de participar na Eucaristia a menos que tenham recebido as respectivas anulações de seus casamentos anteriores.

Ao menos dois dos 13 pequenos grupos – um grupo de língua italiana e o único grupo falante de língua alemã – sugeriram que a Igreja pode ter condições de usar o que se chama “foro interno” para autorizar que pessoas recasadas participem da Eucaristia, o que seria feito individualmente, casa a caso, após buscarem orientação, aconselhamento e, então, obtendo permissão dos sacerdotes ou bispos.

“Com certeza, uma solução envolvendo um foro interno é uma possibilidade que teremos de estudar”, disse o cardeal.

“Essa ideia (…) não é novidade”, disse ele, antes de se referir a um sacerdote redentorista e renomado teólogo moral que nem sempre esteve em voga no Vaticano.

Bernard Haring, o teólogo moral, propôs isso a muitos e muitos anos atrás”, disse Gracias.

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