A pior crise do Brasil em 25 anos. Erros próprios

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Por: André | 20 Outubro 2015

“Existem fortes indícios de que o ciclo recessivo brasileiro seja explicado com maior contundência pelas políticas de austeridade, aplicada pela nova equipe econômica de Dilma, do que pela retração do ciclo econômico mundial”.

A análise é de Emiliano Colombo e Alejandro Robba, professores da Universidade Nacional de Moreno e integrantes da graN Makro, em artigo publicado por Página/12, 19-10-2015. A tradução é de André Langer.

Eis o artigo.

O Brasil encontra-se em sua pior recessão em 25 anos, com uma contração estimada em 3% do seu PIB para 2015. O desemprego golpeia 7,6% de sua população ativa, quando um ano atrás atingia apenas 5%, em um contexto em que não apenas não se criam novos postos, mas se acelera a destruição dos atuais. Porventura, é apenas a queda dos preços de seus produtos de exportação o que subsumiu o gigante brasileiro em semelhante recessão? Ou, antes, é fruto de um mix de decisões internas que promovem o “ajuste necessário”, que postula fome para hoje e crescimento para amanhã?

O Brasil é o maior exportador mundial de soja, carne, açúcar e café; e o segundo maior exportador de milho, minério de ferro e aço, representando estes produtos 62% do valor de suas exportações. A queda dos preços das commodities tem muito a explicar na redução de 17% de suas exportações nos primeiros nove meses do ano. Mas o componente primário de suas vendas externas é bastante menor que em outros países vizinhos, como o Chile, Peru e Colômbia, que, no entanto, experimentaram um crescimento de suas economias.

Então, mais do que no vento contrário que sopra de forma igual sobre o conjunto dos países latino-americanos de alta especialização em matérias-primas, devemos buscar a explicação dentro do próprio Brasil: o vento contra a cabotagem.

Diante da reversão do ciclo de alta das commodities, o Brasil tomou o caminho do ajuste e da diminuição do Estado, para tentar aumentar a renda empresarial como impulso para uma futura recuperação. Para isso, fez três ajustes simultâneos: sobre o valor de sua moeda, o custo do crédito e o gasto público. Cabe destacar que a desvalorização do real (36% anual) não é gratuita em termos de atividade. A inflação foi para 9,5% anual em setembro, seu valor máximo em 12 anos, e está impactando negativamente os salários e o consumo.

Por outro lado, o governo de Dilma Rousseff lançou um plano de austeridade para escorar o magro superávit primário com uma combinação de cortes de gastos (diminuição dos Ministérios, menor gasto em infra-estrutura) e aumento de impostos (combustíveis, transações financeiras). Mas seria melhor rastrear o suposto desequilíbrio fiscal pelo lado financeiro do que dos gastos para escorar a economia real. Com efeito, no Brasil, atender aos interesses da sua dívida pública corrói do Tesouro quase 4% do PIB.

Por último, a elevação da taxa de juros do Banco Central do Brasil para 14,25% anual – há um ano encontrava-se nos 10% – produziu um encarecimento do crédito interno (36% taxa de juros) e sua racionalização. Até os empréstimos do famoso banco de desenvolvimento brasileiro (BNDES) estão se retraindo (-26% anual). Portanto, existem fortes indícios de que o ciclo recessivo brasileiro seja explicado com maior contundência pelas políticas de austeridade, aplicada pela nova equipe econômica de Dilma, do que pela retração do ciclo econômico mundial.

Todos estes instrumentos apontam para a produção de um nunca bem definido choque de confiança, para que o “grau de investimento” não caia na busca de sustentar “contas saudáveis”, que supostamente acelerariam o crescimento econômico.

A Argentina está sofrendo a austeridade brasileira pelo canal comercial. Para este mercado (brasileiro) enviamos 18,5% das nossas exportações totais e 42% da demanda externa de manufaturas industriais. Mais ainda, ter aprofundado as políticas contracíclicas superando os níveis de gasto público de anos anteriores alavancou vendas internas de produtos industriais que antes eram destinados ao mercado brasileiro.

Esta espécie de substituição de exportações defensivas pode não durar muito tempo, razão pela qual deveremos discutir quais serão os novos mercados externos, caso o nosso principal sócio comercial emperrar na sua missão de ser o promotor do crescimento regional. Em um mundo multipolar com final aberto, a forma de nos inserir no mundo não depende apenas de decisões de política interna, mas também das estratégias nacionais dos nossos sócios. Este dilema e não falhar no diagnóstico também fazem parte da agenda do desenvolvimento.

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