A pior crise do Brasil em 25 anos. Na encruzilhada

Revista ihu on-line

Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

Edição: 546

Leia mais

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Mais Lidos

  • A fé do Brasil dividido

    LER MAIS
  • Núcleo de pesquisa da USP publica nota sobre criacionismo defendido por novo Presidente da CAPES

    LER MAIS
  • A nova teologia do Ecoceno. Entrevista com Leonardo Boff

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

Por: André | 20 Outubro 2015

“A conjuntura local e regional destaca que, para poder aprofundar os processos de crescimento com inclusão social da região, se requer não apenas que o Brasil reveja suas políticas de austeridade e o nosso país intensifique os esforços para sustentar o mercado interno, mas também que ambos os países sustentem o Mercosul como principal instrumento de integração comercial e produtiva.”

O artigo é de Ana Gárriz, licenciada em Economia, Citra-UMET/Conicet, e publicado por Página/12, 19-10-2015. A tradução é de André Langer.

Eis o artigo.

Após experimentar um processo de crescimento sustentado sem precedentes na última década, o Brasil encontra-se hoje imerso em um estancamento econômico. Caso as previsões do Fundo Monetário Internacional se cumprirem, culminará com uma contração do produto interno bruto na ordem de 2% este ano. Os fundamentos da complexa conjuntura econômica que o país vizinho atravessa encontram-se em debate. Há quem sustente que se trata de uma recessão auto-infligida, fruto da complicada correlação de forças que o Partido dos Trabalhadores trava no poder após as últimas eleições e a chegada ao gabinete de economistas de claro corte neoliberal.

Outros analistas, por sua vez, aduzem que as medidas de austeridade anunciadas nos últimos meses (cortes de gasto público, aumento das taxas de juros e desvalorização) constituem uma resposta obrigatória da administração Rousseff diante de um contexto internacional que ameaça pôr em xeque a principal fonte de obtenção de divisas com que o Brasil contou após perder, a partir de 2007, seu superávit de conta corrente: a atração de investimentos estrangeiros diretos e investimentos financeiros em carteira.

Perante a encruzilhada local e internacional atual, o principal sócio comercial da Argentina optou por manter-se dentro do esquema de metas de inflação, recorrendo para isso a uma redução de seu gasto público que, em concomitância com a desvalorização do real, desaceleraram a atividade econômica e ameaçam com sua contração. Pois bem, que consequências isso terá sobre a economia argentina? O Brasil explica por si só 20% do crescimento acumulado das exportações da Argentina ao longo do período 2003-2013. Em consequência, caso as previsões do FMI se cumprirem, a queda do produto brasileiro entranharia uma perda de exportações para o nosso país que poderia chegar aos 5%.

Caso analisarmos a cesta de produtos exportados para o Brasil, podemos ver que os impactos de sua recessão sobre a economia nacional virão fundamentalmente pelo comércio bilateral industrial. Mais de 75% das exportações argentinas a este destino constituem manufaturas de origem industrial. Esta particular dinâmica é explicada, em grande parte, pela venda de produtos pertencentes ao complexo automotivo: durante o primeiro trimestre do corrente ano, 45% das exportações bilaterais do nosso país correspondem a veículos e autopeças.

Este panorama coloca sobre a mesa três questões fundamentais. Em primeiro lugar, que uma vez mais a realidade mostra que não existem possibilidades de realizar “ajustes expansivos”. Em segundo lugar, que a manutenção do consumo doméstico é a ferramenta imediata mais efetiva para neutralizar os efeitos que a economia local tem sobre a crise brasileira. Embora no primeiro trimestre do corrente ano as exportações bilaterais de manufaturas de origem industrial tenham caído 25% em relação a igual período do ano anterior, a evolução da atividade industrial local durante este tempo mostra uma queda de apenas 2%. Da mesma forma, enquanto as exportações de veículos e autopeças se reduziram ambas em 30%, a produção de veículos contraiu-se apenas 16%.

Por fim, ceder às exigências dos campeões do livre comércio, que fundamentalmente no Brasil velam pela necessidade de assinar acordos bilaterais de livre comércio com países cujas lacunas de produtividade com respeito às da região ainda são elevadas, só agravará mais ainda a atual crise brasileira, com repercussões que se estenderão sobre o nosso país e o resto da região. A este respeito, cabe mencionar que, de acordo com nossas estimativas, mesmo quando os esquemas de integração comercial industrial bilateral vigentes possam ser melhorado no sentido de uma distribuição mais equitativa entre os países, os benefícios que em termos de desenvolvimento industrial estes tiveram, fizeram com que a região tenha hoje tecidos industriais mais desenvolvidos que aqueles que se teriam configurado na ausência de tais espaços de cooperação regional.

Em suma, o que a conjuntura local e regional destaca é que, para poder aprofundar os processos de crescimento com inclusão social da região, se requer não apenas que o Brasil reveja suas políticas de austeridade e o nosso país intensifique os esforços para sustentar o mercado interno, mas também que ambos os países sustentem o Mercosul como principal instrumento de integração comercial e produtiva.

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

A pior crise do Brasil em 25 anos. Na encruzilhada - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV