Francisco à FAO: “Somos responsáveis por dois terços da população mundial que carece de proteção”.

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Por: André | 19 Outubro 2015

“Cada vez mais a desigualdade é o resultado dessa cultura que descarta e exclui muitos de nossos irmãos e irmãs”. Em uma mensagem dirigida ao diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, por ocasião do Dia Mundial da Alimentação, o Papa Francisco assinala “a responsabilidade” da comunidade internacional para “com os dois terços da população mundial que carecem de proteção social, inclusive mínima”.

A reportagem é de Jesús Bastante e publicada por Religión Digital, 16-10-2105. A tradução é de André Langer.

Francisco começa seu texto colocando “em primeiro lugar tantos irmãos nossos que passam fome e desnutrição, sobretudo pela distribuição iníqua dos bens da terra”. Para Bergoglio, a segurança alimentar “se divisa ainda com uma meta distante para muitos”.

“Somos testemunhas, com frequência mudos e paralisados, de situações que não podem ser vinculadas exclusivamente a fenômenos econômicos, porque, cada vez mais, a desigualdade é o resultado dessa cultura que descarta e exclui a muitos dos nossos irmãos e irmãs da vida social”, denuncia o Papa, que destaca “a responsabilidade” da comunidade internacional para “com os dois terços da população mundial que carecem de proteção social, inclusive mínima”.

Um dado ainda mais alarmante pelo fato de que “a maioria dessas pessoas vive nas zonas mais desfavorecidas daqueles países onde ser pobre é uma realidade esquecida e a única fonte de sobrevivência está ligada a uma produção agrícola muito limitada, à pesca artesanal ou à criação de gado em pequena escala”, disse o Pontífice, que insiste em que “é natural que eu me faça porta-voz das árduas preocupações que me confiaram. Sua vulnerabilidade, com efeito, tem repercussões muito graves em sua vida pessoal e familiar, já constrangida pelo peso de tantas contrariedades ou por jornadas esgotantes e sem limite de tempo, como não acontece com tantas outras categorias de trabalhadores”.

“As condições das pessoas famintas e desnutridas coloca de manifesto que não basta, nem podemos nos contentar com um chamado geral à cooperação ou ao bem comum”, acrescenta Bergoglio, que se pergunta: “Ainda é possível conceber uma sociedade em que os recursos fiquem nas mãos de poucos e os menos favorecidos se vejam obrigados a recolher apenas as migalhas?”

A resposta “não pode se limitar a boas intenções e propósitos”, mas em trabalhar por “saúde, educação, qualidade de vida e participação nos processos de decisão”.

“Penso nos mais desfavorecidos, naqueles que, pela falta de proteção social, sofrem as nocivas consequências de uma crise econômica persistente ou de fenômenos climáticos que afetam a sua segurança alimentar. São pessoas, não números, e reclamam que as apoiemos, para podermos contemplar o futuro com um mínimo de esperança. Eles pedem aos governos e às instituições internacionais para agirem rapidamente, fazendo todo o possível, naquilo que depender de sua responsabilidade”, conclui o Papa, que pede à FAO “uma solidariedade transformada em gestos visíveis, que requer compartilhar e não apenas uma melhor gestão dos riscos sociais e econômicos ou uma ajuda pontual quando há uma catástrofe e uma crise ambiental”.

“A Igreja não tem a missão de tratar diretamente destes problemas do ponto de vista técnico. No entanto, os aspectos humanos destas situações não a deixam indiferente. A criação e os frutos da terra são dons de Deus conferidos a todos os seres humanos. Por isso, são destinados a ser divididos igualmente entre todos”, destaca o Papa, que dá sinais de sua esperança na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável aprovada nas Nações Unidas. “Espero que não se fique apenas em um conjunto de regras ou de possíveis acordos. Confio que inspire um modelo diferente de proteção social, tanto no âmbito internacional quanto nos âmbitos nacionais”.

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