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19 Outubro 2015

"Na metade do caminho sinodal, cinco pontos me parecem claros", afirma a vaticanista italiana Maria Elisabetta Gandolfi, em artigo publicado no sítio L'Indice del Sinodo, 15-10-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

1) A carta ou as cartas dirigidas ao papa por alguns bispos foram um formidável objeto de interesse para a mídia e para nós (poucos), especialistas. Isto é, uma questão que interessou apenas os poucos interessados. Palavra de Padre sinodal.

2) Mas talvez a polêmica (dentre outras coisas, a carta parece pôr em dúvida o modo de trabalho do Sínodo) foi útil para fazer emergir um dado que já estava se consolidando: a sinodalidade e o seu método convenceram os bispos. A enorme quantidade de tempo transcorrido nos grupos linguísticos dos circuli minores, além de ser uma fadiga, criaram laços para além das diversidades de pensamento e de cultura.

Um Padre sinodal me dizia que, na primeira semana, talvez, se trabalhou um pouco cada um na sua, envolvido na formalidade da tarefa. Mas, na segunda, o costume e a amizade que se tinha criado permitiram ir a fundo nos temas e chegar a intercâmbios mais profundos: a diversidade de ideias é intercâmbio fecundo entre pessoas, não entre conceitos abstratos.

A melhor definição foi dada pelo cardeal Nichols na coletiva dessa quarta-feira, quando ele disse que esse tipo de trabalho é um ressourcement [retorno às fontes] recíproco entre as Igrejas: recurso a um termo oportuno não pelo uso de um vício linguístico, mas pela sua clara referência ao Vaticano II interpretado em chave nova.

3) A diversidade de pensamento não escandaliza, e ninguém mais tem medo de dizer que estilos pastorais diferentes brotam de visões diferentes, mas não compatíveis entre si. E, no centro, está o "caso" do acesso aos sacramentos por pessoas que vivem uma segunda união não sacramental. Esse é o banco de provas. Porque, por trás dele, há visões sobre a família, sobre o matrimônio (que não são a mesma coisa, lembrou o Pe. Álvarez Ossorio na sua intervenção), sobre a sexualidade (e a homossexualidade), sobre o papel da mulher... Embora (ainda) não se tenha falado destes últimos dois.

4) É difusa e compartilhada a necessidade de um maior espaço (poder decisional?) às Conferências Episcopais: era um ponto-chave na Evangelii gaudium e hoje parece se consolidar cada vez mais diante da urgência e da hierarquia das prioridades que, nas diversas partes do mundo, são percebidas de forma diferente. O cardeal Ouedraogo dizia isso a respeito da poligamia na África, mais do que sobre a homossexualidade no Ocidente. Essa hipótese também foi conjugada como ideia de se realizar, antes de cada próximo Sínodo, assembleias continentais de tipo preparatório.

5) Está ganhando espaço a ideia de que, depois deste enorme brainstorming, poderia ser aceitável pedir ao papa um documento (doutrinal e claro, dizem alguns; de linhas de fundo, dizem outros) que volte de algum modo para o modelo da exortação apostólica, que chegue algum tempo depois do encerramento do Sínodo. Ainda mais, afirmava ainda o cardeal Nichols, que o Jubileu da Misericórdia é um contexto ideal para compreender as conclusões a que o papa vai chegar.

O Sínodo, portanto, poderia se concluir com "documento algum", exceto o que combina os diversos "modos" elaborados pelos grupos e reunidos pela comissão para o documento final.

Mas, para além do texto e da sua forma – longa, quanto aos tempos de formulação e aparentemente complicada –, ele poderá ter levado a um resultado de maior valor: um corpo episcopal coeso, mesmo quando multiforme.

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