A carta dos 13: pontos claros e sombras sobre o “mistério” do Sínodo

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Por: André | 15 Outubro 2015

Os 13 cardeais que assinaram a carta entregue ao Papa pelo cardeal George Pell, na segunda-feira 05 de outubro pela manhã, manifestaram suas preocupações com a composição da comissão encarregada de redigir a relação final do Sínodo e sugeriram a suspeita de que os relatores dos “circuli minores” teriam sido nomeados de cima para baixo em vez de escolhidos pela assembleia.

A reportagem é de Andrea Tornielli e publicada por Vatican Insider, 14-10-2105. A tradução é de André Langer.

Pell indicou que a carta (cujo suposto texto, desmentido pelos próprios signatários que não se reconhecem nele, foi divulgado pelo vaticanista do L’Espresso, Sandro Magister) era um “pedido de esclarecimentos”. Mas a resposta do Papa Francisco, na terça-feira 06 de outubro (logo pela manhã), com o convite para abandonar a “hermenêutica conspiratória”, tornou evidente que esse “pedido de esclarecimentos” sugeria a suspeita de um Sínodo manipulado em sentido aberturista.

Exatamente a mesma suspeita que ventilaram semanas antes do começo do Sínodo diferentes blogs, sítios e panfletos de ambientes jornalísticos próximos a alguns dos signatários. Escreveu-se que os relatores dos círculos menores teriam sido nomeados de cima para baixo (o que é falso), que a comissão para o documento final era escolhida nos Sínodos anteriores (falso), que as relações dos círculos menores não teriam sido dadas a conhecer (falso), que os padres não teriam podido expressar-se com seu voto sobre a relação final (falso), que falta transparência: falso também, posto que cada um dos padres sinodais pode dar entrevistas e publicar, caso quiser, sua intervenção na aula (ao passo que não era sempre desta maneira no passado).

“Eu não vejo esta manipulação de que falam”, disse o cardeal Donald Wuerl, arcebispo de Washington e membro da Comissão para a redação final, um cardeal promovido por Bento XVI a quem somente o aturdimento de certos grupos midiáticos eclesiásticos pode apresentar como “progressista”. “Eu participei dos Sínodos desde 1990 – continuou o cardeal estadunidense – e este é o mais aberto de que já participei. Não sei como se poderia manipular 13 grupos linguísticos, 13 moderados e 13 relatores, além de 250 pessoas que falam”.

Surge, pois, uma suspeita, que se soma à lista das outras tantas suspeitas: “Talvez – explicou ao Vatican Insider um padre sinodal – o problema seja justamente este: um Sínodo aberto, onde há uma grande liberdade de expressão. Há quem, criando cortinas de fumaça e suspeitas sobre manipulações e assembleias pilotadas, na realidade manifesta somente a saudade de um tempo em que tudo era mais regimentado, inclusive nas conclusões”.

Como se sabe, dos 13 supostos signatários indicados por Magister, quatro indicaram que não tinham assinado o texto da carta. Um deles, que materialmente assinou o documento (“com pluma” e “pessoalmente”, precisa), descreve o texto como muito mais breve e sintético do que aquele divulgado pelo L’Espresso, mas não quer acrescentar mais nada sobre o seu conteúdo.

Em relação aos nomes, ao não haver mais desmentidos de última hora, seria preciso tomar como boa a lista publicada por Gerard O’Connell na revista America, ou seja: Carlo Cafarra, Thomas Collins, Daniel Di Nardo, Timothy Dolan, Willem Eijk, Gerhard Müller, Winfrid Fox Napier, John Njue, George Pell, Robert Sarah, Elio Sgreccia, Jorge Urosa Savino e Norberto Rivera Carrera. Este último declarou que não assinou a carta “com os conteúdos que alguns publicam”.

Na tarde da terça-feira, também o cardeal Sgreccia desmentiu tê-la assinado. Enquanto o cardeal Dolan indicou, durante um programa radiofônico, que assinou a carta a pedido do próprio Pell, que se confirma, pois, como um dos inspiradores, além de próprio mensageiro, da carta ao Papa Francisco. De todos os nomes dos signatários citados, os mais destacados são os dois curiais: George Pell, prefeito da Secretaria para a Economia, e Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Trata-se de dois colaboradores diretos e muito próximos ao Pontífice, dois de seus “ministros” que se reúnem frequentemente com o Papa.

Dos dois, o mais surpreso com as polêmicas midiáticas das últimas horas foi Müller, que, em uma entrevista, chegou a evocar o espectro dos “Vatileaks”, dando a entender que de alguma maneira o documento foi tomado diretamente do escritório do Papa. O cardeal alemão, criado cardeal por Francisco em seu primeiro Consistório parecia querer desmentir desta maneira que tivessem vazado a carta, justo durante a semana em que os padres sinodais discutem os temas mais controversos, desde algum dos grupos próximos aos cardeais que a apresentaram. Mas a tese do prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé aparece muito fraca. Justamente o fato de que se tenha divulgado um rascunho e não o original demonstra que o ambiente que a vazou à imprensa foi o mesmo que a concebeu.

Para concluir, não deve passar despercebido o que o cardeal Pell declarou ao Vatican Insider a propósito da publicação da carta no sítio de Magister, jornalista ao qual há um ano o mesmo cardeal australiano demonstrou seu apreço. Em vez de evocar, como Müller, a estação dos “Vatileaks”, Pell respondeu a uma pergunta dizendo que não lhe parecia nada do estilo: “Estou acostumado a viver na Itália. A vida está cheia de surpresas”. Para o cardeal australiano, ministro da Economia e inspirador da carta, trata-se, pois, de uma história à italiana.

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