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16 Outubro 2015

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus segundo Marcos 10,35-45 que corresponde ao 29° Domingo do Tempo Comum, ciclo B do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto

Fonte: http://www.periodistadigital.com/religion/ 

Santiago e João, os filhos de Zebedeu, afastam-se do grupo e aproximam-se sozinhos de Jesus. Não necessitam dos outros. Querem ficar com os lugares mais privilegiados e serem os primeiros no projeto de Jesus, tal como eles o imaginam. A sua petição não é uma súplica, mas uma ridícula ambição: “Queremos que faças o que te vamos a pedir». Querem que Jesus os coloque acima dos outros.

Jesus parece surpreendido. «Não sabeis o que pedis». Não entenderam nada. Com grande paciência convida-os para que se perguntem se são capazes de partilhar o seu destino doloroso. Quando percebem o que se passa, os outros dez discípulos enchem-se de indignação contra Santiago e João. Também eles têm as mesmas aspirações. A ambição divide-os e confrontam-se. A procura de honras e protagonismos rompe sempre a comunhão da comunidade cristã. Também hoje. Que pode ser mais contrário a Jesus e ao seu projeto de servir a libertação das pessoas?

O fato é tão grave que Jesus  «reúne-os» para deixar claro qual é a atitude que deve caracterizar sempre os Seus seguidores. Conhecem bem como atuam os romanos, «chefes dos povos» e «grandes» da terra: tiranizam as pessoas, submetem-nas e fazem sentir a todos o peso do seu poder. Pois bem, «vós não fareis nada disso».

Entre os seus seguidores, tudo tem de ser diferente: «O que queira ser grande, seja servidor; e o que queira ser o primeiro, seja escravo de todos». A grandeza não se mede pelo poder de um cargo que se ocupa ou os títulos que se ostentam. Quem ambiciona estas coisas, na Igreja de Jesus, não se faz maior senão mais insignificante e ridículo. Na realidade, é um estorvo para quem quer promover o estilo de vida pretendido pelo Crucificado. Falta-lhe um traço básico para ser seguidor de Jesus.

Na Igreja todos temos de ser servidores. Temos de nos colocar na comunidade cristã, não desde cima, desde a superioridade, o poder ou o protagonismo interesseiro, mas desde baixo, desde a disponibilidade, o serviço e a ajuda aos outros. O nosso exemplo é Jesus. Não viveu nunca «para ser servido, mas para servir». Este é o melhor e mais admirável resumo do que Ele foi: servir a todos.