"Não podemos olhar para trás. Bergoglio nos pede coisas novas." Entrevista com Reinhard Marx

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07 Outubro 2015

“O Sínodo é um caminho. Devemos dar passos à frente, mas não pode ser uma repetição, não podemos olhar para trás.”

A opinião é do cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique, presidente da Conferência Episcopal Alemã, e chefe do grupo de purpurados encarregados pelas reformas econômicas no Vaticano.

A reportagem é de Marco Ansaldo, publicada no jornal La Repubblica, 06-10-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Qual impressão o senhor teve do primeiro dia do Sínodo e da conferência que pareceu ser um pouco de fechamento do secretário-geral da assembleia, o cardeal Peter Erdö?

Hoje houve uma primeira discussão ampla, mas o Sínodo durará três semanas. Teremos a oportunidade de discutir sobre tudo. E, no fim, o papa vai fazer aquilo que considerar certo para o seu pontificado.

Mas qual foi a sua opinião?

O Sínodo é um caminho. Devemos dar passos à frente, mas não pode ser uma repetição, não podemos olhar para trás.

E quais são os objetivos que o senhor busca, qual a sua visão?

A discussão segue em frente há mais de um ano. O papa dedicou a ela uma grande parte da sua catequese. E aqui estão discursos importantes sobre o tema da família. Depois, entre os dois Sínodos, o ordinário do ano passado e o que recém começou, aconteceram tantas outras coisas. Não devemos voltar atrás nas questões, isso diz a Igreja, e essa é a perspectiva pastoral na qual nos movemos.

Mas sobre que pontos vocês discutiram?

Falamos muito sobre a questão dos refugiados. Falamos da família neste mundo globalizado e de como é difícil manter uma família unida quando se foge do próprio país.

Mas não há uma polarização dentro do Sínodo?

Quem disse isso? Onde é que está descrita assim a situação do Sínodo? Isso é o que alguns gostariam.

Essa não é a atmosfera dentro da assembleia?

Essa é a posição da mídia. Eu tenho uma ideia minha, mas a base da discussão não é tão controversa. Em um contexto como esse, é normal que haja opiniões diferentes, mas não são necessariamente apenas contrastes.

E sobre o tema da homossexualidade, como o senhor se posiciona diante das aberturas do cardeal Walter Kasper?

A homossexualidade estará no centro de uma discussão específica, que inclui também pareceres científicos. É um tema importante sobre o qual, no ano passado, eu já falei.

E como vocês abordam os diversos problemas?

Discutiremos o Instrumentum laboris. Pessoalmente, também falei com amigos. Mas acho que no Sínodo também é preciso formular coisas novas. Sobretudo, é importante que não se vá para baixo do nível da discussão levantado pelo papa. Acho que devemos nos adequar ao que o papa nos pede. E devemos ser concretos.

Houve esse caso do teólogo da Congregação para a Doutrina da Fé, que declarou a própria homossexualidade. Isso vai ter um papel na discussão?

Eu não acho que isso possa determinar a discussão. Falou-se muito sobre isso, mas o caso realmente não diz respeito ao Sínodo.

O senhor espera um documento importante?

As expectativas são altas. O Sínodo redespertou o interesse. Acho que esse também é o desejo do papa. No fim, ele vai decidir, com o seu discernimento, assim como fez no fim do Sínodo do ano passado. Mas, até lá, devemos discutir. Sobre o que é discutido no início, caberá ao papa decidir o que permanecerá no fim.

Voltemos para a polarização dos bispos. Diz-se que entre os cardeais falta comunicação. O senhor fala e discute com os cardeais Müller, Pell, Sarah [os chamados conservadores]?

Com o cardeal Müller, por exemplo, eu discuti. Falamos, mas necessariamente nem tudo sai. Depois, durante o dia de estudo há alguns meses em Roma, na Universidade Gregoriana, com as Conferências Episcopais alemã, francesa e suíça, discutimos abertamente. Hoje também houve um diálogo aberto. Eu entendo que são publicados livros que levam a discutir e que há posições diferentes. Mas a falta de comunicação entre os cardeais deve se transformar em uma discussão organizada.

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