Papa na ONU: "Chega de abusos contra os pobres: trabalho, casa e terra são um direito de todos"

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28 Setembro 2015

Defender "com força" os direitos dos excluídos, junto com os do ambiente. Desmantelar as armas que nos tornam "Nações Unidas pelo medo". Evitar os conflitos através da negociação. Reformar a ONU, ampliando as presenças no Conselho de Segurança.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no jornal La Stampa, 26-09-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Pela quinta vez, um pontífice discursa nas Nações Unidas, demostrando como a Santa Sé acredita na importância dessa instituição, que completa 70 anos e deve ser fortalecida.

O dia de Francisco em Nova York começa cedo. Com alguns minutos de antecipação, o papa se apresenta no Palácio de Vidro, acolhido pelo secretário-geral Ban Ki-moon. Antes dos "grandes" da Terra, ele se encontra com os "pequenos": intérpretes, cozinheiros, faxineiros, agradecendo-lhes pelo seu valioso trabalho. Um grande aplauso o acolheu na Assembleia, outros 27 iriam interromper o seu longo discurso, pronunciado em espanhol.

Todos devem participar

As Nações Unidas, diz ele, devem ser reformadas com o ''objetivo último de conceder a todos os países, sem exceção, uma participação e uma incidência real e equitativa nas decisões" no Conselho de Segurança e nos órgãos financeiros. Isso, observa, vai ajudar "a limitar todo tipo de abuso ou de usura" contra os países em vias de desenvolvimento, evitando a sua "submissão asfixiantes aos sistemas de crédito" que empobrecem as populações.

Entre "as vítimas de um mau exercício do poder", Bergoglio cita "o ambiente natural e o vasto mundo de mulheres e homens excluídos". Duas realidades ligadas entre si: todo dano ao ambiente é um dano à humanidade, e, ao mesmo tempo, a exploração ambiental está associada "a um incontrolável processo de exclusão".

Francisco deseja "soluções urgentes e eficazes", define como um "sinal de esperança" a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e confia que a próxima Conferência de Paris sobre as mudanças climáticas também "obtenha acordos fundamentais e eficazes".

Mas é preciso evitar "o nominalismo declaracionista", isto é, não basta fazer compromissos. O mundo "exige de todos os governantes uma vontade efetiva, prática, constante, de passos concretos e medidas imediatas" para preservar o ambiente natural e vencer o fenômeno da exclusão social e econômica.

Aos pobres, diz o papa, deve ser permitido que "seja atores do seu próprio destino", assegurando-lhes casa, trabalho, terra e "liberdade de espírito, que compreende a liberdade religiosa, o direito à educação e todos os outros direitos civis".

Para proteger o ambiente e lutar contra a exclusão, explica Francisco, é necessário "o reconhecimento de uma lei moral inscrita na natureza humana, que compreende a distinção natural entre homem e mulher, e o respeito absoluto da vida em todas as suas etapas e dimensões".

O papa repetiu o seu "não"à "colonização ideológica através da imposição de modelos e estilos de vida anômalos, estranhos à identidade dos povos e, em último termo, irresponsáveis".

Significativamente forte também é o "não" à guerra, "negação de todos os direitos", que ecoou o grito "plus jamais la guerre!", pronunciado aqui por Paulo VI em 1965: deve ser assegurado "o império incontestável do direito e o infatigável recurso à negociação e à arbitragem".

Ética baseada em ameaças

É preciso parar a proliferação de armas, "especialmente as de destruição massiva, como podem ser as armas nucleares". "Uma ética e um direito baseados na ameaça de destruição mútua são uma fraude" para as Nações Unidas, que se tornariam "Nações Unidas pelo medo e pela desconfiança". Francisco elogia o "recente acordo sobre a questão nuclear" com o Irã.

Com realismo, ele observa que "não faltam duras provas das consequências negativas das intervenções políticas e militares não coordenadas entre os membros da comunidade internacional".

Por fim, chama a atenção dos líderes do mundo a situação do Oriente Médio, do Norte da África e de outros países africanos, "onde os cristãos, junto com outros grupos culturais ou étnicos", e também "aquela parte" dos muçulmanos que não querem "se deixar envolver pelo ódio e pela loucura", são obrigados a fugir e são perseguidos.

E lembra "a outra guerra", a do tráfico de drogas, que "silenciosamente vai cobrando a morte de milhões de pessoas". O futuro, conclui, "nos pede decisões críticas e globais diante dos conflitos globais que aumentam o número de excluídos e necessitados".

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