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Por: Jonas | 28 Setembro 2015

O discurso que Francisco pronunciou no Congresso dos Estados Unidos teve a marca típica do Papa, que se tornou uma referência de primeiro nível no cenário político internacional. Pelo estilo e pelos temas.

A reportagem é de Washington Uranga, publicado por Página/12, 25-09-2015. A tradução é do Cepat.

Para falar aos congressistas – e dali para o mundo –, não deixou de lado sua condição de chefe da Igreja Católica, mas, com plena consciência do ambiente, utilizou uma linguagem universal, destinada aos católicos e aos que não são e se pôs em uma perspectiva inter-religiosa frente a um auditório que também é composto assim. Começou citando Moisés, “o Patriarca e legislador do Povo de Israel”, e elogiando o trabalho de seus interlocutores, que “consiste em fazer com que este país cresça como Nação”. E, de imediato, o Bergoglio cúmplice e sedutor dos ouvintes deu lugar ao Francisco que fixa posição: “São chamados a defender e cuidar da dignidade de seus concidadãos na busca constante e exigente do bem comum, pois este é o principal cuidado da política”, disse aos legisladores.

Nenhum dos temas importantes ficou fora do discurso. Em seu discurso, sempre utilizou uma linguagem cuidadosa, mas não isenta de energia. E seguindo um estilo próprio de suas intervenções públicas, decidiu se dirigir, através de seus representantes, ao “povo” dos Estados Unidos, em especial aos trabalhadores, aos avós e aos jovens. Para sua estratégia discursiva, escolheu, como modo de aproximação e identificação, utilizar quatro figuras emblemáticas da história norte-americana: “Abraham Lincoln, a liberdade; Martin Luther King, uma liberdade que se vive na pluralidade e na não exclusão; Dorothy Day, a justiça social e os direitos das pessoas; e Thomas Merton, a capacidade de diálogo e a abertura a Deus”. E os apresentou como “quatro representantes do povo norte-americano”. Outro realce à audiência.

Chamou ao compromisso, a partir de uma perspectiva inter-religiosa, na defesa da paz e a favor da justiça: a cooperação entre as religiões “é um potente instrumento na luta para erradicar as novas formas mundiais de escravidão, que são fruto de grandes injustiças que só podem ser superadas com novas políticas e consensos sociais”, quando “o mundo é cada vez mais um lugar de conflitos violentos, de ódio nocivo, de sangrenta atrocidade, cometida inclusive em nome de Deus e da religião”. E enfatizou em sua pregação: esperança, reconciliação, paz e justiça.

Falou dos imigrantes e dos refugiados e, para isso, reconheceu a ele próprio como filho de imigrantes. Em seguida, pediu uma resposta “fraterna” para os que chegam procurando melhores condições de vida e recorreu a uma frase do Evangelho de Mateus: “Façam aos outros aquilo que vocês querem que lhes façam”. Mencionou-a como “uma regra de ouro”.

Não teve meias palavras para insistir, seguindo os bispos católicos dos Estados Unidos, na necessidade de abolir a pena de morte. Muitos participantes que haviam aplaudido intervenções anteriores permaneceram em silêncio nesse momento. E defendeu aos pobres destacando que “a luta contra a pobreza e a fome há de ser realizada constantemente, em suas muitas frentes, especialmente nas causas que as provocam”.

Também incluiu o tema ambiental e o cuidado com a natureza, questões que se considera que serão centrais em seu discurso, de hoje, nas Nações Unidas. Recordou o dito em sua própria encíclica Laudato Si’, e disse que “agora é momento de ações corajosas e de estratégias para implementar uma ‘cultura do cuidado’”.

Criticou o armamentismo e pediu uma conversão em “agente de diálogo e de paz” para “acabar com os muitos conflitos armados que afligem nosso mundo” e “com o tráfico de armas”.

Fez uma firme defesa da família, com tudo o que ela significa a partir da doutrina católica a respeito do aborto e da indissolubilidade do vínculo, mas evitou usar tom polêmico sobre estes pontos. Pediu para se “criar pontes” entre visões diferentes e insistiu em “iniciar processos”, antes que “manter espaços”.

Diante do Congresso dos Estados Unidos, um Francisco em toda a sua amplidão, com uma agenda que incluiu os temas chave de seu magistério, falando em inglês e com uma linguagem cuidadosa, procurando seduzir seus ouvintes (os presentes e o virtual), apoiando-se na própria história e tradição norte-americanas e destacando suas figuras emblemáticas. Um novo desdobramento da estratégia político-institucional de Francisco. Haverá novos capítulos.

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