Francisco se encontra com Obama e pede que se protejam a liberdade religiosa e o ambiente

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24 Setembro 2015

O Papa Francisco se encontrou com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em um encontro público extraordinariamente lotado do lado de fora da Casa Branca nesta quarta-feira de manhã, e elogiou o presidente pelo seu trabalho na luta contra as mudanças climáticas, mas também pediu que ele proteja a liberdade religiosa no país.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada no sítio National Catholic Reporter, 23-09-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Na presença de uma multidão-recorde de cerca de 15.000 convidados, muitos dos quais chegaram antes do amanhecer para ver o papa, Francisco agradeceu em primeiro lugar a Obama por acolhê-lo – um "filho de uma família de imigrantes" – nos EUA.

O papa, depois, expressou a esperança de que o presidente seria "vigilante" no respeito da liberdade religiosa, mas também disse que ele e os católicos norte-americanos não buscam praticar qualquer tipo de discriminação.

"Juntos com os seus concidadãos, os católicos norte-americanos estão comprometidos com a construção de uma sociedade que seja verdadeiramente tolerante e inclusiva, com a salvaguarda dos direitos dos indivíduos e das comunidades, e com a rejeição de todas as formas de discriminação injusta", disse o pontífice ao presidente.

"Com inúmeras outras pessoas de boa vontade, eles estão igualmente preocupados para que os esforços para construir uma sociedade justa e sabiamente ordenada respeitem as suas preocupações mais profundas e o seu direito à liberdade religiosa", continuou.

"Essa liberdade continua sendo um dos bens mais preciosos da América", disse Francisco. "E, assim como meus irmãos, os bispos dos Estados Unidos, nos lembraram, todos são chamados a ser vigilantes, precisamente como bons cidadãos, para preservar e defender essa liberdade de tudo o que possa ameaçá-la ou comprometê-la."

O papa e o presidente, em seguida, se encontraram em privado por um momento, para conversar longe dos holofotes.

A visita de Francisco à Casa Branca nessa quarta-feira foi o seu primeiro encontro público durante a sua viagem de seis dias nos EUA, que também irá levá-lo para Nova York e Filadélfia.

Mais tarde, nessa quarta-feira, o papa se reuniu com os bispos norte-americanos e, depois, canonizou o missionário franciscano do século XVIII Junípero Serra, durante uma missa na Basílica do Santuário Nacional da Imaculada Conceição, em Washington.

Na quinta-feira, ele vai discursar para uma sessão conjunta do Congresso antes de ir para Nova York.

A expectativa para os eventos do pontífice tem sido extraordinariamente alta. Multidões começaram a chegar à Casa Branca nas primeiras horas da manhã dessa quarta-feira. Dentre os presentes, estavam uma ampla gama de pessoas, incluindo o clero de muitas denominações, religiosas que participam da ação Nuns On The Bus, membros do Congresso e do Gabinete de governo.

Por sua parte, Obama acolheu Francisco aos EUA com louvor generoso pelo seu trabalho e ministério – dizendo que o papa ajuda a "sacudir a nossa consciência da sonolência".

O papa, disse Obama, nos convida "a regozijar na Boa Nova e nos dá a confiança de que podemos nos unir, em humildade e serviço, e buscar um mundo que seja mais amoroso, mais justo e mais livre".

O presidente mencionou especialmente a humildade do pontífice, o seu foco no "menor destes" e o seu chamado a uma Igreja focada na misericórdia.

Obama também agradeceu novamente Francisco pelo seu papel na recente normalização das relações entre EUA e Cuba, dizendo: "Estamos gratos pelo seu apoio inestimável do nosso novo começo com o povo cubano, que mantém a promessa de melhores relações entre nossos países, uma maior cooperação em todo o nosso hemisfério e uma vida melhor para o povo cubano".

O foco de Francisco ao pedir a proteção da liberdade religiosa no país ecoa as preocupações que os bispos dos EUA manifestaram nos últimos anos, particularmente sobre o que está previsto no Affordable Care Act em relação à obtenção de contraceptivos.

Obama também mencionou a liberdade religiosa no seu discurso, focando-se particularmente nos contínuos assassinatos de cristãos no Oriente Médio.

"Aqui nos Estados Unidos, nós prezamos pela liberdade religiosa", disse o presidente. "Ela foi a base para grande parte daquilo que nos uniu."

"No entanto, em todo o mundo, neste exato momento, filhos de Deus, incluindo cristãos, são alvejados e até mesmo mortos por causa da sua fé", continuou.

"Nós estamos com o senhor na defesa da liberdade religiosa e do diálogo inter-religioso, sabendo que as pessoas de todas as partes devem poder viver a sua fé sem medo nem intimidação", disse Obama a Francisco.

O papa elogiou o presidente pelas medidas que ele tomou para reduzir a poluição do ar, dizendo que "parece-me claro também que as mudanças climáticas são um problema que não pode mais ser deixada para uma geração futura".

"Quando se trata do cuidado da nossa 'casa comum', nós estamos vivendo em um momento crítico da história", disse Francisco.

"Nós ainda temos tempo para fazer as mudanças necessárias para criar um desenvolvimento sustentável e integral, pois sabemos que as coisas podem mudar", continuou o papa, citando a sua encíclica Laudato si'.

"Tais mudança demanda da nossa parte um reconhecimento sério e responsável não só do tipo de mundo que podemos estar deixando para os nossos filhos, mas também para os milhões de pessoas que vivem sob um sistema que os tem negligenciado", disse.

"A nossa casa comum tem sido parte desse grupo dos excluídos que clama aos céus e que hoje atinge poderosamente as nossas casas, as nossas cidades e as nossas sociedades", disse Francisco. "Para usar uma frase reveladora do reverendo Martin Luther King, podemos dizer que não cumprimos com uma nota promissória e agora é a hora de honrá-la".

A cerimônia desta quarta-feira na Casa Branca foi marcada por muita pompa e circunstância. Membros das Forças Armadas dos EUA anunciaram a chegada de Francisco em uniforme de gala, desfilando com dezenas de bandeiras dos EUA e do Vaticano.

A ampla gama de pessoas presentes no evento levou até um senador dos EUA a dizer que o papa havia feito algo que antes era considerado impossível.

O senador Chuck Grassley, de Iowa, tuitou que "você pode não acreditar nisto", mas os republicanos estavam conversando com os democratas enquanto esperavam por Francisco.

O pontífice falou lentamente em um inglês marcado durante a cerimônia na Casa Branca. Espera-se que ele use essa língua apenas mais algumas vezes enquanto estiver nos EUA, preferindo falar no seu espanhol nativo.

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