O pesadelo dos imigrantes latinos que não têm quem os escute nos EUA

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18 Setembro 2015

"Senhor presidente, viajamos milhares de quilômetros para vê-lo #tudoépossível", diz o cartaz exibido desde segunda-feira (14) diante da Casa Branca por oito hondurenhos gravemente mutilados durante sua tentativa frustrada de emigrar para os Estados Unidos. Sua esperança é que o presidente Barack Obama os receba e escute, mesmo que seja por alguns minutos. E o papa Francisco. Ou quem quiser ouvir seu pedido de ajuda para que não mais se repitam histórias como a deles. Para forçar sua demanda, iniciaram um jejum, que manterão durante pelo menos dez dias.

A reportagem é de Silvia Ayuso, publicada por El País, 16-09-2015. 

Entre os manifestantes estão José Luis Hernández e José Efraín Vázquez, dois jovens que arriscaram tudo para cumprir seu sonho de chegar aos EUA para levar uma vida melhor do que a oferecida a eles por sua Honduras natal. Nunca o conseguiram, e no caminho quase perderam a vida. José Luis perdeu um braço, uma perna e parte de uma mão ao cair da Fera, o trem de carga sobre o qual milhares de imigrantes sem documentos, em grande parte centro-americanos, percorrem o México até chegar aos EUA. José Efraín, que também caiu do trem --onde cair não é o único perigo que enfrenta quem se atreve a abordá-lo em um caminho cheio de criminosos e outras ameaças--, perdeu uma perna.

Ambos não hesitam em afirmar que não valia a pena arriscar e perder tanto. E querem garantir que não volte a haver mais casos como os deles e de seus companheiros. Por isso querem ver Obama, dizem, para que ele ouça suas histórias e ajude a criar as condições necessárias em sua Honduras natal e em outros países centro-americanos que são o principal foco de emigração, para que ninguém se veja forçado a arriscar a vida e a integridade em uma perigosa viagem de destino incerto.

"Queremos que Obama distribua melhor as ajudas à América Central, gerando mais oportunidades e fontes de emprego", explica José Luis Hernández, que preside a Associação de Migrantes Retornados com Incapacidade (Amiredis, na sigla em espanhol), à qual pertencem os ativistas que agora decidiram fazer jejum.

"O que queremos é frear a emigração em nossos países, que essa terra prometida que buscamos nos EUA seja em nosso próprio país, sem necessidade de arriscar a própria vida para conseguir o sonho americano, que para centenas de migrantes se transforma em um pesadelo", afirma.

Paradoxalmente, a Casa Branca investe por ano muito dinheiro e esforços na América Central em campanhas para tentar frear a onda migratória como a de menores de idade e famílias de sem documentos que, no ano passado, causou uma crise na fronteira com o México. Mas por enquanto não quis ou não soube aproveitar a mensagem que tem diante de sua porta.

Passada quase uma década desde sua malograda aventura, Hernández e Vázquez, com mais seis mutilados pela Fera, conseguiram finalmente chegar aos EUA em uma "caravana de mutilados pela Fera" que iniciaram em fevereiro em sua cidade natal, El Progreso. Foram meses de périplo pela América Central e o México, em que outros nove companheiros da Amiredis ficaram no meio do caminho, boa parte deles no Texas, onde permaneceram 45 dias detidos antes de poderem entrar em território norte-americano.

Em junho, os oito restantes cumpriram sua meta ao chegar a Washington. Os meses de penúria pareciam ter dado frutos. Até que comprovaram que as portas da Casa Branca, onde esperam entrar para pedir ajuda pessoalmente ao presidente Barack Obama, não se abrem tão facilmente.

Quase três meses depois de sua chegada a Washington, os oito membros da Amiredis, uma organização que reúne os 700 hondurenhos mutilados pela Fera, voltaram a se posicionar diante da Casa Branca. E afirmam que de lá não sairão de novo com facilidade.

"O objetivo é ver o presidente Obama, só vamos ficar satisfeitos quando ele nos escutar. Perdemos muito, e é justo que ele nos receba, porque queremos conter a migração, evitar mais desgraças", insiste Hernández.

Enquanto ele fala, seus companheiros se preparam para esse jejum com o qual esperam fazer chegar sua mensagem a Obama. Ou mesmo, com um pouco dessa sorte que até agora lhes foi esquiva, ao papa Francisco, que em pouco mais de uma semana entrará por essas portas da Casa Branca que até agora permaneceram fechadas obstinadamente para eles.

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