“O grave é que a mídia mente”. Entrevista com Manuela Carmena

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Por: André | 02 Setembro 2015

Com 71 anos, multifacetada e agradável, é a cara da nova política em Madri. Consciente de ser uma alternativa para uma Espanha onde os partidos tradicionais perderam credibilidade, Manuela Carmena ocupa a prefeitura da capital há dois meses. Sua plataforma cidadã Agora Madri, que inclui representantes do movimento dos Indignados, agrupamentos da esquerda tradicional e a força contestatória Podemos, rompeu com a hegemonia do Partido Popular em uma das cidades mais conservadoras da Espanha. Até agora.

Militante comunista em sua juventude, Carmena forjou uma vasta trajetória na Justiça como defensora de presos durante o franquismo, magistrada e cofundadora da associação progressista Juízes pela Democracia. Autodefine-se, sobretudo, como uma mulher de esquerda e não se deixa encurralar com o mote de política profissional. Carmena esteve em Buenos Aires para apresentar o seu livro Por que as coisas podem ser diferentes (Ed. Capital Intelectual), passagem em que incluiu um encontro com a presidenta Cristina Fernández e uma reunião com o chefe de Governo portenho e candidato Mauricio Macri.

Orgulhosa de ter declarado Madri uma cidade livre de despejos, em conversa o Página/12, Carmena reflete sobre as novas formas de fazer política, a corrupção na Espanha, a necessidade de uma reforma da Justiça e o grande desafio para sua administração, acabar com a desigualdade.

A entrevista é de Mercedes López San Miguel e publicada por Página/12, 28-08-2015. A tradução é de André Langer.

Eis a entrevista.

Sua bandeira política foi acabar com os despejos.

Sim, é uma delas. Tínhamos uma série de medidas urgentes: frear os despejos; melhorar os problemas de subnutrição de crianças e criar postos de trabalho para os jovens. Começamos a distribuir alimentos para que as crianças não deixassem de ter comida nas férias e nos finais de semana, quando não estão na escola. As crianças não comem o que necessitam por causa da situação econômica de suas famílias, que tiveram uma enorme queda nos salários. Devemos buscar novos programas para ativar o emprego. Na intendência de Madri há agências de emprego que são municipais situadas em zonas mais vulneráveis. Estamos começando a desenvolver projetos piloto de trabalho ali, fechando acordos com empresas que estejam dispostas a contratar jovens para dar-lhes formação e emprego.

Como combaterá a corrupção?

Pensamos que é muito importante a transparência para combater a corrupção e desenvolvemos medidas neste sentido, como, por exemplo, que todos os cidadãos possam ver em uma página na internet onde as pessoas do ajuntamento se reúnem. Vamos propor logo que se crie um escritório contra a fraude. Queremos que seja um organismo que não dependa da equipe municipal, mas de todo o pleno do ajuntamento para que seja muito independente e objetivo e possa ajudar a aprofundar quando haja denúncias concretas de qualquer cidadão.

A corrupção parece endêmica na classe política espanhola.

Sim. Ela afetou muitíssimo o PP, com os caixas dois, as economias dos partidos e incrementou-se com os contratos públicos. Temos uma visão clara de que foram feitos muitos contratos desnecessários. Há muitas atividades que podem ser feitas pelos funcionários do ajuntamento, por exemplo, a prestação de informações ao público que em Madri é feita pela Línea Madrid; é um serviço privado.

Como é brigar com uma mídia conservadora como a de Madri, que a critica por suas férias, pela página internet de transparência, até por levar uma flor?

Foi muito risonho o debate sobre a flor que levei para a praia e argumentava-se se era uma flor protegida ou não. Eu disse que não sabia se estava protegida e que me dessem uma multa. Mas não estava [protegida]. Em geral, quando uma pessoa modifica o establishment, quando faz algo novo primeiro há indiferença e depois aparece o confronto. Muitas dessas críticas fazem parte do confronto em um contexto de uma realidade que estamos mudando.

Sente que há uma campanha midiática contra você?

Creio que não. As críticas bem fundamentadas são bem-vindas. Não me preocupo em se as críticas ultrapassam os critérios éticos. Penso que a vida pessoal de um político pode ter interesse para um cidadão, e eu me submeto e compreendo que façam perguntas sobre minhas férias. Mas não me parece bem que deem informações sem nenhuma confrontação, que digam mentiras. O que é grave é que se minta, não que se informe sobre nós. A mídia tem que informar com a verdade e sempre deve perguntar à pessoa em questão.

Por que na Espanha não somente não se investigam os crimes do franquismo, mas também se obstrui a causa empreendida pela juíza argentina Servini de Cubria? A Justiça espanhola não concedeu os pedidos de extradição contra 20 acusados, entre eles oito ex-ministros.

Eu creio profundamente na Justiça universal, creio que é uma grande conquista para tornar efetivos os direitos humanos e, portanto, qualquer passo que se dê nesse sentido me parece muito correto. A Espanha foi criticada duramente pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas por descumprir a obrigação de investigar o franquismo. A Espanha deve retificar.

Muitos assinalam que a Justiça responde ao PP, e, além disso, o governo de Mariano Rajoy não tem vontade política para retificar.

Evidentemente, não há vontade política. O Poder Judiciário também não cumpre com as disposições do Conselho de Direitos Humanos da ONU. É uma tarefa pendente.

Há a necessidade de uma reforma judicial?

Sim, há muitas coisas que devem ser modificadas, imediatamente. Talvez uma seja como implantar a executividade nos tribunais da Espanha das resoluções dos organismos de controle de direitos humanos. Assim como está claro que as decisões do Tribunal Europeu de Direitos Humanos devem ser obrigatoriamente acatadas, e foram cumpridas as sentenças nos tribunais espanhóis, também deveria contemplar as declarações do Conselho de Direitos Humanos da ONU. A reforma necessária é a que vincule a Justiça nacional com os pressupostos dos direitos humanos internacionais.

Em seu livro, você propõe como tese uma organização política sem partidos. Como seria?

Tento aprofundar o papel dos partidos políticos nas sociedades modernas atuais. Os processos deliberativos se burocratizaram e coisificaram. Penso que tem que haver novas estruturas de representação da cidadania que compatibilizem uma democracia direta junto com uma representação dos interesses dos cidadãos. Os partidos são muito gerais, pretendem dar respostas para tudo, desde a eutanásia até o aborto, etc. Seria melhor a representação dos cidadãos em projetos concretos. Por exemplo, para melhorar os meios de adoção dos casais homossexuais ou para melhorar os processos de educação. O mal que faz a própria concepção de partido, como o seu nome indica – e ouvi isso de Juan Carlos Monedero (um dos fundadores do Podemos) –, é uma porção. Não seria ruim pensar em algo mais inter-relacionado. Nossa capacidade de decisão fica sujeita a essa concepção dogmática do partido. Cada um de nós é uma possibilidade de mudança.

Na quarta-feira passada, você teve um encontro com a presidenta Cristina Fernández. Sobre o que falaram?

Falamos de coisas do cotidiano, desde o que eu fiz quando me aposentei, sobre a loja social que eu abri em Madri (N. da R.: ao se aposentar criou uma empresa sem fins lucrativos que fabrica roupa para bebês, com o trabalho das presas de Alcalá). Também sobre o meu livro. Ela me contou que acaba de ter uma neta e depois falamos sobre porque eu decidi liderar a candidatura do Agora Madri e de como transcorreu o processo eleitoral. Foi interessante.

Da reunião participou o ministro da Economia, Axel Kicillof. Conversaram sobre a crise espanhola?

Sobre isso falamos pouco. Perguntaram-me sobre o desemprego.

Que em Madri beira os 16%...

Está muito desnivelado conforme os bairros. Nos bairros mais vulneráveis, os do sul, o desemprego passa dos 20%, e há muita diferença com os setores ricos.

Terá um encontro com Mauricio Macri?

Sim. (Foi na quinta-feira, 27 de agosto) Estou interessadíssima, porque Macri e eu somos presidentes da UCCI (União de Cidades Capitais Ibero-americanas). Estamos na mesma organização e não poderia deixar de visitá-lo.

A Europa olhou com certa crítica os processos progressistas na América Latina. Qual é a sua visão?

Da Espanha, precisamos de uma maior comunicação com a América Latina. Continuamos tendo uma visão não suficientemente ampla.

Qual é a sua opinião sobre a situação na Grécia?

Não sou politóloga para opinar sobre a questão política. Do ponto de vista humano, a Europa tem que ajudar a Grécia; cada europeu deveria pedir para que não se quebrasse a Grécia, que não pode pagar a dívida. Quase como um processo de solidariedade civil.

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