Republicano Donald Trump já não é uma mera atração de verão

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Por: Jonas | 31 Agosto 2015

“Quem é mais duro que eu?” A pergunta, claro, era retórica, realizada por Donald Trump com sua característica grandiloquência aos prováveis eleitores de Iowa, amontoados em uma sala de exposições nas margens do rio Mississipi. Essa é sua mensagem: ninguém é mais duro. E é por isso que o adoram.

A reportagem é de David Usborne, publicada por Página/12, 27-08-2015. A tradução é do Cepat.

Inclusive, por seus próprios valores. Trump estava com um espírito efusivo quando aterrissou em Dubuque, Iowa, na noite de quarta-feira, para reforçar sua já ampla vantagem no estado, onde, em fevereiro próximo, será dado início ao processo, estado por estado, por cinco meses, para se escolher o pré-candidato republicano. Durante três horas, deu uma explosiva coletiva de imprensa, reuniu-se em particular com os organizadores estatais de alto nível e protagonizou um ato político jovial, em alguns momentos.

Trump está começando a se parecer com uma força imparável. Considerado por muitos, em um primeiro momento, como uma celebridade irrelevante, uma atração de verão dentro de um campo republicano cheio de candidatos, agora está matando todos os seus rivais.

Nada parece interromper seu impulso. Pelo contrário, qualquer tentativa, inclusive por seus rivais, de marcá-lo como não apto para o alto cargo, por seu descomunal ego e seu gosto pelo escandaloso, só provoca efeito contrário.

E para além de toda fanfarrice e brincadeiras, Trump parece entender que ser o fenômeno do momento não se traduz automaticamente em votos, quando importa. Que quase 4.000 pessoas tenham se apresentado para ouvi-lo, nesta cidade de 60.000, é impressionante. Já a organização para garantir que se fiquem com ele até o final será um desafio diferente. “Você sabe, uma coisa é ter ‘o verão de Trump’”, disse à multidão. “No entanto, isso não significa nada, a menos que vençamos primeiro a indicação e depois a Hillary, ou quem se colocar (pelo partido democrata)”. Surgiu no local com Sam Clovis, um proeminente ativista conservador de Iowa, seu novo assessor de política nacional, que acabava de deixar Rick Perry, o governador do Texas que está doente e que tinha a campanha dirigida por Clovis.

Mas, sim, a campanha de Trump tem um propósito mais sério – “Disseram que não me candidataria. Disseram-me que não apresentaria os documentos. Disseram que não tenho uma campanha. Bom, eu tenho! Eu a faço!” –, não está moderando seu tom. Incendiou as redes sociais por retirar de sua coletiva de imprensa um importante apresentador de notícias hispano-americano, Jorge Ramos, a quem, após alguns minutos, permitiu voltar, e durante o ato criticou os canais de TV, atacou duramente seus rivais Jeb Bush, Marco Rubio e Chris Christie e zombou de toda a classe política.
    
“Algo acontece em Washington... Prometo que não acontecerá comigo... eles são eleitos... olham esses belos edifícios, belas salas e, rapidamente, tornam-se impotentes. Transformam-se, não funciona. De repente, não são lutadores”, disse. Sua opinião mais forte da noite: que os candidatos presidenciais não deveriam utilizar o teleprompter, uma espécie de tela escrita que permite ler discursos e que parecem improvisados.

Ele nem sequer utiliza anotações, dando voltas aleatoriamente sobre temas de conversa que, pouco a pouco, resultam familiares. Comprometeu-se em construir um muro de 3.000 quilômetros ao longo da fronteira com o México, deportar 11 milhões de imigrantes que estão no país ilegalmente, reescrever acordos de livre comércio com maior vantagem para os Estados Unidos, enfrentar a China em particular, reforçar o exército e – possivelmente o mais potente para seus partidários – não ficar em dívida com ninguém na Sala Oval e não receber dinheiro dos lobistas ou grandes doadores.

Não importa que os discursos de Trump não sejam só presunçosos, mas também carregados de exageros e afirmações de duvidosa procedência. Em Iowa, ele disse que tinha 20 páginas web em seu nome e que construí-las lhe custou três dólares cada uma, ao passo que a página web de Obamacare custou ao governo cinco bilhões de dólares, um dado que ninguém pode confirmar.

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