Em meio a chacina, comandante da PM tira folga e viaja aos EUA

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Por: Cesar Sanson | 27 Agosto 2015

A segurança pública em São Paulo está evidentemente mal dirigida: na periferia, as ações policiais não separam trabalhador pobre de criminoso. Nos bairros mais favorecidos, a polícia não garante a paz.

A reportagem é de Helena Sthephanowitz e publicada por Rede Brasil Atual, 26-08-2015.

Em 2012, ordem vinda de dentro dos presídios da facção criminosa PCC assustou os moradores da capital paulista com ataques a policiais militares e incêndios a ônibus. Na época, 127 pessoas morreram assassinadas em São Paulo, conforme dados do Sistema de Informações Criminais (Infocrim) da Secretaria da Segurança Pública do estado. Porém, mesmo com o quadro de crise em curso, o secretário de segurança, em 2012, Antônio Ferreira Pinto, pediu – e o governador Geraldo Alckmin (PSDB) autorizou – uns dias de folga.

Pinto não abriu mão de viajar até um país vizinho, a Argentina, para assistir ao primeiro jogo da final da Copa Libertadores da América, entre Boca Juniors e Corinthians. Três anos se passaram e eis que o cenário se repete, com um outro personagem subordinado ao governo tucano.

Na noite de 13 de agosto, cerca de 30 pessoas foram vítimas de ataques a bala, por homens encapuzados, nas cidades de Osasco e Barueri, região metropolitana da capital. Sem razão aparente, 18 pessoas foram mortas, no episódio mais violento do mês, até aqui.

No entanto, em meio a essa chacina e sem que fossem descobertos os matadores, o comandante geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo, coronel Ricardo Gambaroni, imita o ex-secretário, pede para se afastar do posto por 15 dias para viajar à cidade de Kansas, nos Estados Unidos, com a justificativa de renovar sua habilitação de piloto de avião – e é atendido pelo governador Geraldo Alckmin.

Os problemas do segurança pública nas grandes cidades de São Paulo, como se sabe, não são exatamente uma novidade para os moradores das periferias. Mas de tempos em tempos, atinge também o eleitorado tradicional dos tucanos, com perfil bem diferente das vítimas da chacina.

No último domingo (23), moradores do Morumbi, bairro da elite paulistana, fizeram um protesto mobilizado por parentes e amigos de André Ribas, morador da região, vítima de latrocínio. Houve grande adesão e muitos relatos de pessoas declarando já terem sido vítimas da violência. Carregavam balões pretos em sinal de luto e fizeram uma carreata até a porta do Palácio dos Bandeirantes, onde despacha o governador, que não deu as caras.

Os manifestantes do Morumbi reclamam mais 14 mil policiais para fazer o policiamento ostensivo no bairro. Segundo eles seria o necessário para o tamanho da população local, apesar de o efetivo da PM para todo o estado ter fechado 2014 com 86 mil agentes. Em relação ao fixado em lei, deveriam ser 94 mil – o governo tucano, há 20 anos no poder, convive com um déficit de pelo menos 8 mil policiais. A Polícia Civil também padece de falta de profissionais.

O agravante é que, em vez de cobrir pelo menos parte do déficit, o efetivo está encolhendo. No ano passado, a corporação sofreu uma redução de 1.513 policiais em relação a 2013. Há promessas de concursos até 2016, mas a mesma promessa de suprir o déficit foi feita no passado e não se cumpriu.

A segurança pública em São Paulo está evidentemente mal dirigida: na periferia, as ações policiais não separam trabalhador pobre de criminoso, e a mesma polícia não consegue garantir paz à população que vive em bairros mais favorecidos.

Enquanto os pobres morrem por chacina tendo maus policiais como suspeitos, enquanto os ricos do Morumbi morrem em latrocínios, o comandante da PM está preocupado em tirar folga e dar uma "escapulida" para os Estados Unidos.

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