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21 Agosto 2015

"As trajetórias mais seguras para a humanidade exigem redução de emissões da ordem de 60% a 70% até meados deste século. Em outras palavras, as emissões per capita devem convergir para não mais do que duas toneladas de CO equivalente (COe) em 2050", escreve Carlos Nobre, climatologista, doutor pelo MIT - Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA), é presidente da Capes - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 20-08-2015.

Eis o artigo.

Para deter o aquecimento global em 2ºC será preciso uma radical descarbonização da economia mundial. Tarefa difícil, mas ainda possível.

O mundo está perdendo a janela de oportunidade para resolver a crise do clima. Para ter uma chance razoável de deter o aquecimento global em 2ºC e evitar seus efeitos mais dramáticos, precisamos limitar todas as emissões de gás carbônico (CO) a um trilhão de toneladas.

No ritmo atual, o "espaço seguro" de carbono para limitar o aquecimento global será ultrapassado em menos de 30 anos. Para atingir a meta de 2ºC será necessária uma radical e urgente descarbonização da economia mundial. Tarefa difícil, mas ainda possível.

Um compromisso global com a descarbonização deverá ser firmado em dezembro deste ano, na Conferência do Clima de Paris. Até outubro, os países deverão apresentar propostas de corte de emissões, conhecidas como INDCs (da sigla em inglês Contribuições Pretendidas Nacionalmente Determinadas).

As trajetórias mais seguras para a humanidade exigem redução de emissões da ordem de 60% a 70% até meados deste século. Em outras palavras, as emissões per capita devem convergir para não mais do que duas toneladas de CO equivalente (COe) em 2050.

Atualmente, as emissões anuais per capita de EUA (18,6 t de COe), Rússia (15,8 t), Alemanha (10 t), China (7,9 t) e Brasil (7,5 t) estão acima da emissão per capita global (6,4 t).

A soma das INDCs apresentadas até aqui, no entanto, é pouco auspiciosa: perfaz apenas 2% das reduções necessárias. Em 2030, cada americano estaria emitindo 17 t de COe; cada russo, 13 t, cada alemão, 8,8 t; e cada chinês, 9,6 t. Sob a ótica das emissões per capita, percebe-se que a convergência para os valores desejáveis é muito lenta.

Ao Brasil, Paris abre uma oportunidade histórica para continuar a dar o exemplo. Das atuais 7,5 t de COe anuais, podemos chegar a 4 t ao ano em 2030. Uma redução de mais de 40%. A meta já anunciada de restauração de 12 milhões de hectares de florestas até 2030, aliada à continuidade da queda de desmatamento, indica que é factível atingir emissões líquidas nulas em mudanças do uso da terra.

Com isso, a maior parte das emissões brasileiras se concentrariam em dois setores: agricultura e geração de energia. Na agricultura, as emissões aumentaram pouco mais de 4% de 2005 a 2012, mas o PIB agrícola cresceu 16% no mesmo período, mostrando tendência de maior eficiência, que pode ser acelerada com o Plano de Agricultura de Baixo Carbono, com tecnologias para aumentar produtividade e renda do produtor e reduzir emissões.

As emissões de energia têm crescido com o aumento da população e do PIB. É possível descasar as duas curvas até 2030 com eficiência energética e entrada de energias renováveis não tradicionais.

Estudos da UFRJ mostram que usinas eólicas e solares próximas a linhas de transmissão sofrem menos com a intermitência de fornecimento quando não há vento ou sol. Essas fontes podem gerar no mínimo 300 e 350 gW/h, respectivamente. É quatro vezes mais do que todo o nosso parque gerador atual.

Em suma, é possível ao Brasil atingir 4 t de CO2e per capita de emissões em 2030, com vantagens para a economia e para a população. Isso mostraria o caminho para a continuidade das reduções, com a meta de se chegar a 2 t per capita em 2050, quando nossa matriz energética seria quase 100% limpa e renovável. Esse é o país –e o mundo– sustentáveis que desejamos legar a nossos filhos.

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