Mais de 2.000 migrantes já morreram este ano no Mediterrâneo

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Por: Cesar Sanson | 05 Agosto 2015

Mais de 2.000 migrantes já morreram este ano tentando atravessar o Mediterrâneo. A grande maioria procurava chegar à Itália. São dados da Organização Internacional para a Migrações (OIM), que indicam um aumento no número de vítimas em relação ao ano passado. No mesmo período de 2014, morreram 1.607 pessoas – 400 a menos que este ano.

A reportagem é de María Salas Oraá e publicada por El País, 04-08-2015.

Dentro do Mediterrâneo, o Canal da Sicília é a rota mais mortífera para quem se arrisca em busca de um futuro melhor. Barcaças se amontoam nessa via marítima que conecta a Líbia com a Itália, normalmente em más condições e não aptas para navegar. As embarcações são usadas pelas máfias que traficam pessoas amontoadas em seu interior.

Embora a Itália e a Grécia tenham recebido um número similar de migrantes (97.000 na Itália frente a 90.500 na Grécia), 1.930 pessoas perderam a vida tentando chegar à Itália, uma cifra exorbitante em comparação com as 60 que morreram tentando alcançar a costa grega.

A OIM afirma que os números são estimativas e podem ser ainda maiores, pois é impossível ter dados precisos. Além disso, pode ser que alguns barcos tenham afundado sem ser resgatados e que outras mortes não tenham sido registradas. O trajeto mais perigoso foi palco da última tragédia na semana passada, quando 21 pessoas morreram. Ao chegar ao local, a equipe de socorro constatou que todas as vítimas tinham morrido a bordo das embarcações em que viajavam. Duas foram encontradas na sexta-feira passada por um navio da Guarda Costeira, enquanto outras cinco foram resgatadas no sábado pelo barco Bourbon Argos da organização Médicos Sem Fronteiras a cerca de 30 milhas da costa da Líbia.

Outras 14 pessoas foram achadas sem vida na terça passada pelo navio militar irlandês L. E. Niamh, do dispositivo comunitário de vigilância Tritón. Como não havia sinais de violência nos corpos, as autoridades italianas investigam se as mortes se deveram ao forte calor e à superlotação: as vítimas viajavam amontoadas com outras 500 pessoas. Após entrevistar os sobreviventes, a equipe da OIM chegou a outra hipótese: os migrantes morreram porque o motor da embarcação esquentou demais e eles tiveram que usar a água disponível a bordo para esfriá-lo, morrendo de sede e calor.

Em julho, o mesmo local foi palco da trágica história de uma menina síria de 11 anos que morreu de coma diabético numa balsa após ter seus medicamentos roubados por traficantes líbios. Com lágrimas nos olhos, o pai da menor contou ao delegado Carlo Parini, um dos chefes da polícia de Siracusa, que foi obrigado a deixar o cadáver da filha no mar.

Segundo o diretor geral da OIM, William Lacy Swing, essas situações são "inaceitáveis" porque não se pode permitir que "as pessoas que fogem de conflitos, perseguições e miséria no século XXI tenham de suportar essas experiências terríveis em seus países de origem e no caminho, para depois morrer à porta da Europa."

Apesar da magnitude da tragédia, a OIM destacou que poderia ter sido pior se não fossem os esforços do pessoal da Guarda Costeira que patrulha diariamente as águas do Mediterrâneo em busca de embarcações com migrantes à deriva. De fato, cerca de 188.000 migrantes foram resgatados este ano até o momento, um número que logo chegará a 200.000 devido às boas condições meteorológicas e ao acirramento dos conflitos no norte da África.

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