Quem é John Rawls, o filósofo citado pela misteriosa Rainha da Delação?

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Por: Cesar Sanson | 31 Julho 2015

"A Rainha da Delação brilhou ao evocar Rawls. Lamentavelmente, o Brasil está muito distante da sociedade justa que ele tão magnificamente descreveu". O comentário é de Paulo Nogueira em artigo publicado por Diário do Centro do Mundo, 30-07-2015.

Eis o artigo.

Beatriz Catta Preta, a misteriosa Rainha da Delação Premiada que abandonou seus clientes da Lava Jato, deixou uma mensagem no Facebook do escritório em que trabalha.

Ei-la: “Cada pessoa, escreveu John Rawls, possui uma inviolabilidade fundada na Justiça que nem o bem-estar da sociedade como um todo pode sobrepor. Portanto numa sociedade justa os direitos assegurados pela Justiça não estão sujeitos à barganha política ou ao cálculo dos interesses sociais“.

Em sua ignorância desumana, a imprensa brasileira não avançou nenhuma informação sobre Rawls.

Os leitores do DCM sabem de quem se trata. Ninguém formulou uma teoria tão engenhosa sobre uma sociedade justa quanto John Rawls (1921-2002). Em 1971, Rawls publicou um livro aclamado: A Teoria da Justiça.

A idéia central de Rawls era a seguinte: uma sociedade justa é aquela na qual, por conhecê-la e confiar nela, você aceitaria ser colocado de maneira randômica, aleatória. Você estaria coberto pelo que Rawls chamou de “véu de ignorância” em relação à posição que lhe dariam, mas isso não seria um problema, uma vez que a sociedade é justa.

Mais de quarenta anos depois do lançamento da obra-prima de Rawls, dois acadêmicos americanos usaram sua fórmula para fazer um estudo. Um deles é Dan Ariely, da Universidade Duke, especializado em comportamento econômico. O outro é Mike Norton, professor da Harvard Business School.

Eles ouviram pessoas de diferentes classes sociais. Pediram a elas que imaginassem uma sociedade dividida em cinco fatias de 20%. E perguntaram qual a fatia de riqueza que elas supunham que estava concentrada em cada pedaço.

“As pessoas erraram completamente”, escreveu num artigo Ariely. “A realidade é que os 40% de baixo têm 0,3% da riqueza. Quase nada. Os 20% de cima têm 84%.”

Em seguida, eles aplicaram o “véu de ignorância de Rawls”. Como deveria ser a divisão da riqueza para que eles se sentissem seguros caso fossem colocados ao acaso na sociedade?

Veio então a maior surpresa dos dois acadêmicos: 94% dos entrevistados descreveram uma divisão que corresponde à escandinava, tão criticada pelos conservadores dos Estados Unidos por seu elevado nível de bem-estar social, e não à americana. Na Escandinávia, os 20% de cima têm 32% da riqueza. (Disse algumas vezes já e vou repetir: o modelo escandinavo é o mais interessante que existe no mundo, um tipo de capitalismo extremamente avançado do ponto de vista social.)

“Isso me levou a pensar”, escreveu Ariely. “O que fazer quando num estudo você descobre que as pessoas querem um determinado tipo de sociedade, mas ao olhar para a classe política parece que ninguém quer isso?”

A Rainha da Delação brilhou ao evocar Rawls. Lamentavelmente, o Brasil está muito distante da sociedade justa que ele tão magnificamente descreveu.

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