Dois anos sem o padre Dall'Oglio

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29 Julho 2015

Foto: Periodista Digital

Completam-se os dois anos do desaparecimento, na Síria, do jesuíta Paolo Dall'Oglio. E, enquanto no país enfurece uma assustadora guerra civil que engole vítimas todos os dias, voltar o nosso pensamento para ele – pessoa generosa, conhecida pessoalmente por muitos – é um modo de não esquecer um drama que se insere naquele gigantesco país do Oriente Médio.

A reportagem é de Luigi Sandri, publicada no jornal Trentino, 27-07-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Há 30 anos na Síria, Dall'Oglio – romano nascido em 1954 –, no deserto, na fronteira com o Iraque, havia fundado um mosteiro, Deir Mar Musa, onde vivia uma comunidade cristã dedicada ao diálogo com o Islã.

Localizado em um esporão de rocha, esse mosteiro parecia um ninho de águia, e, para chegar até ele, nós, peregrinos, tínhamos que percorrer muitíssimos degraus sob um sol escaldante.

Já envolvido na vida do país de adoção, Paolo havia apoiado aqueles que, em março de 2011, haviam se levantado contra o regime autoritário do presidente Bashar al-Assad, alauíta (grupo minoritário ligado ao xiismo), que, reprimindo o protesto, tinha desencadeou uma guerra civil que se complicou cada vez mais.

Enquanto se desenrolavam eventos maiores – entre os grupos antirregime, ajudados pelo Ocidente, finalmente se impôs o Isis, o chamado "califado islâmico", hoje proeminente e dominante no norte da Síria (incluindo a cidade de Raqqa) e do Iraque –, Deir Mar Musa também teve crescentes problemas, e, finalmente Dall'Oglio foi expulso do país.

Mas ele retornou clandestinamente e, em Raqqa, enquanto estava envolvido em uma mediação humanitária, no dia 29 de julho de 2013, foi sequestrado, talvez por grupos jihadistas. Desde aquele momento, não se soube mais nada de certo sobre ele: rumores incontroláveis se espalharam, alguns defendendo que ele ainda está vivo, por fim entregue nas mãos Isis, outros anunciando que ele foi executado pouco depois de ser sequestrado.

Nessa cruel cantilena de notícias, entre esperança e angústia, imaginamos a dor da sua família. Sempre supondo que ele ainda está vivo, agora se formou a associação "Jornalistas Amigos do Padre Dall'Oglio".

Além disso, junto com Paolo na Síria, permanecem sequestrados – como recordou o papa no último domingo – outros seis eclesiásticos, incluindo dois bispos ortodoxos. Enquanto isso, a guerra civil em curso produz o seu implacável balanço: segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, no dia 15 de março de 2015, quarto aniversário do início do conflito intrassírio, estes eram os dados (que até hoje já pioraram!): 215 mil vítimas, enormes destruições de casas, estradas, fazendas, importantes sítios arqueológicos; 3,8 milhões de refugiados que encontraram abrigo nos países vizinhos: 1,7 milhão na Turquia, 622 mil na Jordânia, 250 mil no Curdistão iraquiano, 1,2 milhão no Líbano, país de 4 milhões de habitantes.

Além disso, 4,8 milhões de sírios vivem no país sitiados e sem possibilidade de movimento. Para desatar esse nó geopolítico, os EUA, uma vez muito inimigos de Assad, agora colaboram com ele, apoiado pelo Irã, para derrotar o califado. A Turquia também parece determinada a atacar o Isis. Mas, enfim, a Síria jamais terá paz?

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