Encontro dos representantes das comunidades afetadas pela exploração minerária concluiu-se em Roma ''com uma só voz''

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21 Julho 2015

A voz daqueles que, na América, África e Ásia, sofrem as feridas da exploração minerária animaram os três dias de reflexão organizados pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz, em Roma, de 17 a 19 de julho. Um único grito de denúncia contra os abusos, as violências, as contaminações, ao qual se uniram os religiosos que compartilham os destinos dessas comunidades em um esforço cotidiano nesses territórios.

A reportagem é de Tebaldo Vinciguerra, publicada no jornal L'Osservatore Romano, 21-07-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Com eles, também estavam presentes os representantes das Conferências Episcopais, da Cáritas e da aliança internacional das organizações católicas pelo desenvolvimento (Cidse).

Três sessões para um encontro que concluiu com a missa celebrada no domingo, 19, no túmulo de São Pedro. No primeiro momento – intitulado "ver" – os participantes compartilharam as experiências individuais, feitas de poucas informações recebidas sobre uma mina nos arredores, criminalização daqueles que defendem os direitos humanos, intimidações ou enganos para que os habitantes vendam as suas terras; impactos dramáticos sobre a saúde humana, sobre os rebanhos e sobre a agricultura quando a extração de minerais é praticada sem as devidas precauções em relação ao ar e à água.

E ainda: violências que exterminam os movimentos de protesto comprometidos a documentar a corrupção, promessas nunca cumpridas pelas companhias de mineração, indenizações inexistentes pelos danos sofridos e processos insatisfatórios de reassentamentos de comunidades deslocadas.

"Defender as comunidades tomando a palavra nas áreas de tensão é perigoso. Há pessoas que desaparecem", testemunharam alguns participantes. Alguns falaram até de vizinhos ou de religiosos agredidos, presos sem motivos nem julgamento, até mesmo mortos. Somam-se a isso as preocupações sobre as normativas nacionais e internacionais, muitas vezes obsoletas ou mal aplicadas, e a assimetria no diálogo e na capacidade de influência.

A mensagem enviada pelo Papa Francisco e lida na abertura dos trabalhos lembrou muitas dessas situações. E os representantes das comunidades explicaram como muitas vezes as paróquias e as dioceses são os atores mais críveis e fiéis que os acompanham. Eles denunciaram as tentativas de instrumentalização por parte de companhias que, por exemplo, tentam envolver expoentes da Igreja local a fim poder dar à imprensa a notícia de que eles apoiam a atividade minerária.

Há até quem insere nos panfletos fotografias do papa, manipulando os conteúdos da mensagem, como já aconteceu em alguns casos com imagens de João Paulo II e Francisco. Das várias mesas de debate, também surgiu o enorme compromisso das mulheres, que defendem os seus vilarejos e as suas famílias, às vezes expondo-se a riscos graves.

A segunda sessão – "julgar" – se apoiou basicamente na doutrina social da Igreja. Refletiu-se sobre a hierarquia das prioridades de destinação no uso da terra e da água, onde tais recursos não são suficientes para serem compartilhados entre comunidades e operações de mineração. O magistério da Igreja sobre o trabalho forneceu intuições para refletir sobre a realidade dramática da escravidão e do tráfico de pessoas, e sobre a necessidade de uma radical melhoria da segurança dos trabalhadores.

A terceira sessão, dedicada ao "agir", foi dedicada às propostas. Acima de tudo, foi enfatizada a importância da formação: os cidadãos devem conhecer as leis, saber se em certas situações existe a possibilidade de recorrer e de envolver as instituições; sobretudo, dentro das comunidades, deve haver quem esteja devidamente preparado e possa assumir a defesa dos direitos humanos e do patrimônio ambiental, ou utilizar técnicas de comunicação.

Nesse âmbito, foi apreciada a ação da Igreja no sentido de facilitar o intercâmbio de informações e de documentos, e na mediação ao lado das comunidades, também durante as situações mais críticas. A esperança é de que a Igreja, em nível regional, nacional e internacional, encoraje a adoção de normativas vinculantes para os operadores do setor minerário. Porque são os governos que têm a tarefa de controlar o desenvolvimento das operações de mineração e disciplinar o comportamento das companhias.

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