Os três sinais do Papa no Equador

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Por: André | 10 Julho 2015

Francisco, irmão, sacode esta Igreja que está enferrujada, fechada em seus templos magníficos e em seus cômodos conventos”. O pedido foi feito pela Igreja a pé do Equador, uma corrente que aglutina as comunidades de base, antes que o Papa aterrissasse no país do meio do mundo. E o “irmão Francisco, sempre atento ao grito dos profetas, obedeceu e sacudiu a sociedade e a Igreja equatoriana. Com gestos e com palavras.

 
Fonte: http://bit.ly/1L1Y3eh  

A reportagem é de José Manuel Vidal e publicada por Religión Digital, 09-07-2015. A tradução é de André Langer.

Mais com gestos (gosta mais deles, porque chegam em profundidade ao povo) do que com palavras. Por isso, frente a uma Igreja instalada, principesca e casada com a direita política mais conservadora, o Papa apresentou-se com um báculo de madeira, um Fiat Idea simples e uma casula indígena.

Frente aos báculos de ouro e prata, símbolos do poder dos bispos do país, Francisco mostrou um báculo de madeira, feira e presenteada por um refugiado somali na Itália. Em sua viagem à Terra Santa, o báculo quebrou e o Papa pediu para que lhe fizessem um exatamente igual com madeira de oliveira do Getsêmani. O báculo do serviço aos pobres. Um claro recado aos prelados equatorianos, chamados a cheirar a ovelha e a servir ao seu povo pobre e descartado.

Frente às grandes limusines da maioria dos bispos do Equador, o Papa se apresentou e passeou com um pequeno Fiat Idea. Um carro simples, que até um pobre pode comprar. Um carro para servir, não para mostrar. Outro claro recado para uma hierarquia que chamava (e segue chamando ‘sotto voce’) de “comunistas” os bispos e padres que defendem os pobres e optam pela Teologia da Libertação. Proscritos, como o agora beato Romero, ou como dom López Marañón, o bispo de Sucumbíos, obrigado a renunciar, há alguns anos, por defender uma Igreja encarnada e servidora.

Diante de uma Igreja hierárquica que perdeu o “oremus” da conexão com o povo indígena do Equador, o Papa revestiu-se, na missa celebrada no Parque do Bicentenário, com uma casula com claros sinais indígenas. Mão estendida aos povos originários, tantas vezes descartados. Sinal papal que, com seu dedo, assinala o caminho que a hierarquia equatoriana tem que voltar a trilhar já. Para reabilitar a memória de dom Leonidas Proaño ou de dom Luna Tobar, os bispos dos índios.

E, se por acaso ainda restasse alguma dúvida, em sua homilia de Quito, o Papa proclamou que “a fé sempre é revolucionária”. Falar de revolução no Equador é aludir implícita e explicitamente a Correa, o líder socialcristão que está procurando implementar um modelo social inclusivo em um país em que 90% das terras estão nas mãos de 2% dos mais ricos dos ricos.

Francisco deu assim um respaldo a Correa, mas sem alinhar-se nem abençoar todas as suas políticas. Contra o que costumam pensar os radicais de direita, Francisco é um Papa centrado, centrista e moderado. Não se filia a nenhuma causa comunista. Trata apenas de proclamar, com suas encíclicas e seus gestos, que a pessoa humana tem que ocupar o centro de todo o sistema político. E, por isso, acentuou uma vez mais que os bens são destinados a todos e que essa é a hipoteca social da propriedade privada.

Francisco aproveitou, além disso, para lançar, precisamente aqui na metade do mundo, um SOS a favor da “mãe Terra”, que grita com dores de parto. Aqui, onde justamente uma das grandes companhias de petróleo, a Chevron, provocou enormes estragos ambientais, pelos quais foi denunciada e condenada em diversos tribunais internacionais. Nem a Chevron nem os latifundiários do país gostam do Papa Francisco. E também não gostam da sua já famosa encíclica verde. Porque ridiculariza, com a máxima autoridade moral do líder mundial mais influente, as constantes feridas que infringem à “casa comum”.

Francisco passou pelo Equador e deixou claro seu Evangelho: uma Igreja que não serve não serve para nada e os pobres são os preferidos de Cristo e, portanto, devem ser também os preferidos dos hierarcas e dos políticos equatorianos. Palavras do irmão Francisco.

Responderá a enferrujada hierarquia equatoriana ao conhecido ‘te louvamos, Senhor’?

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