A austeridade falhou: uma carta aberta de Thomas Piketty à Angela Merkel

Revista ihu on-line

Gauchismo - A tradição inventada e as disputas pela memória

Edição: 493

Leia mais

Financeirização, Crise Sistêmica e Políticas Públicas

Edição: 492

Leia mais

SUS por um fio. De sistema público e universal de saúde a simples negócio

Edição: 491

Leia mais

Mais Lidos

  • O Papa Francisco fracassou?

    LER MAIS
  • “Francisco é o primeiro Papa que fala das causas da injustiça no mundo”. Entrevista com Frei B

    LER MAIS
  • Para uma espiritualidade política

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU

close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

10 Julho 2015

"O remédio prescrito pelo Ministério ds Finanças alemão e Bruxelas sangrou o paciente, não curou a doença", afirmam os importantes economistas Thomas Piketty, Jeffrey Sachs, Heiner Flassbeck, Dani Rodrik e Simon Wren-Lewis, em carta aberta publicada por Carta Maior, 09-07-2015. 

Eis a carta.

A austeridade ‘que nunca acaba’ e que a Europa está forçando ‘guela abaixo’ ao povo grego simplesmente não está funcionando. Agora a Grécia disse ‘não mais’.

Assim como a maioria mundial sabia que iria, as demandas financeiras feitas pela Europa destroçaram a economia grega, levaram ao desemprego em massa, a um colapso do sistema bancário, fez com que a crise da dívida externa ficasse pior, com o problema da dívida subindo para impagáveis 175% do PIB. A economia agora jaz quebrada com as receitas fiscais em queda livre, produção e emprego em baixa e os negócios com fome de capital.

O impacto humanitário foi colossal – 40% das crianças agora vivem na pobreza, a mortalidade infantil sobe aceleradamente e o desemprego dos jovens chega perto de 50%. Corrupção, evasão de impostos e uma terrível contabilidade do governo grego anterior ajudaram a criar o problema da dívida. Os gregos cumpriram com muito do pedido de austeridade da chanceler alemã Angela Merkel – cortaram salários, cortaram os gastos do governo, reduziram as pensões, privatizaram e desregularam e aumentaram os impostos. Mas nos anos recentes, a série dos chamados ‘programas de ajuste’ inflingiram no que diz respeito a Grécia ter servido apenas para fazer uma Grande Depressão de um jeito que não era visto na Europa desde 1929-1933. O remédio prescrito pelo Ministério ds Finanças alemão e Bruxelas sangrou o paciente, não curou a doença.

Juntos, estimulamos a chanceler Angela Merkel e a Troika a considerarem uma correção de curso, para evitar maiores desastres e permitir que a Grécia continue na Zona do Euro. Agora, a Troica está pedindo ao governo grego que aponte uma arma para sua cabeça e atire. Infelizmente, a bala não ira somente matar o futuro grego na Europa. O dano colateral irá matar a zona do euro como um baluarte de esperança, democracia e prosperidade, e poderia levar a consequências econômicas mais distantes ao redor do mundo.

Nos anos 1950, a Europa foi fundada pelos perdões de dívidas passadas, notadamente as alemãs, as quais geraram uma contribuição massiva a um crescimento econômico e pacífico em um pós-guerra. Hoje, precisamos reestruturar e reduzir a dívida grega, dar à economia um espaço para se recuperar e permitir que a grécia pague uma parte menor da divida em um longo período de tempo. Agora é a hora para um pensamento humano do programa falido e punitivo da austeridade nos últimos anos e concordar com uma redução massiva das dívidas gregas em conjunção com reformas necessárias no país.

À chanceler Merkel nossa mensagem é clara; a alertamos a tomar essa ação vital de liderança para a Grécia e Alemanha, e também para o mundo. A história irá lembrar de você pelas suas ações esta semana. Contamos com você para fornecer os passos corajosos e generosos em direção à Grécia e que irá servir à Europa por muitos anos ainda.

Atenciosamente,

Heiner Flassbeck, ex Secretário de Estado no Ministério Federal das Finanças alemão

Thomas Piketty, Professor de Economia na Escola de Economia de Paris

Jeffrey D. Sachs, Professor de Desenvolvimento Sustentável, Professor de Políticas Públicas e Gestão e Diretor do Instituto Terra na Universidade de Columbia

Dani Rodrik, Professor da Fundação Ford de Economia Política Internacional, Escola Harvard Kennedy

Simon Wren-Lewis, Professor de Política Econômica, Escola de Governo Blavatnik, Universidade de Oxford