Encontro Mundial de Movimentos Populares tem início em Santa Cruz, Bolívia

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Por: Jonas | 08 Julho 2015

“Quando vejo essas pessoas, o rosto dessas pessoas, dá uma esperança. Sente-se que o povo tem capacidade de transformar, de construir um mundo mais humano, mais fraterno, de igualdade”, disse Marina dos Santos, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), uma das 250 brasileiras que participa do Encontro Mundial dos Movimentos Populares em Santa Cruz de La Sierra, Bolívia.

 
Fonte: http://goo.gl/x0IxG7  

A reportagem é publicada pelo sítio do EMMP 2015 (Encontro Mundial dos Movimentos Populares), 07-07-2015. A tradução é do Cepat.

O Encontro começou na manhã desta terça-feira (7), com a presença de 1500 pessoas de 40 países do mundo. A programação prevê painéis de debate sobre os eixos “Terra, Trabalho, Moradia”, além de oficinas para aprofundar os debates e trocas de experiências. Esses eixos foram inspirados na exposição do Papa Francisco, no primeiro encontro, que destacou que é preciso lutar para não haja mais “nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem trabalho digno e nenhuma família sem moradia digna”.

Na tarde de hoje, o presidente do Estado Plurinacional da Bolívia, Evo Morales, estará presente na abertura oficial do encontro. Na quinta-feira (9), às 17h30, o Papa Francisco também se reunirá com os participantes.

“A luta pela Mãe Terra”

O primeiro painel “A luta pela Mãe Terra e a contribuição da Laudato Si” contou com a exposição de quatro representantes da resistência camponesa. Por trás de uma mesa ornamentada com alimentos produzidos pelos povos da América, João Pedro Stélide, da coordenação da Via Campesina, recordou como a organização do agronegócio compromete a soberania alimentar e a saúde de todos. “Nós temos que ter nosso plano, o plano do povo. Já não basta apenas ‘terra para quem nela trabalha’, como reivindicava Zapata. Mudou o paradigma. É necessário pensar uma mudança no campo que interesse a todos, que garanta a produção de alimentos sadios e sem venenos. Que respeite a biodiversidade, que resgate a agroecologia. Este plano de agricultura interessa a todo o povo”, destacou.

Silvia Ribeiro, do Grupo ETC, do México, criticou a concentração das empresas que atuam no campo, em todo o mundo. Ela citou o caso das sementes, em que apenas dez empresas controlam 80% do mercado. Além disso, as mesmas que produzem os venenos produzem os transgênicos que dependem deles. “Os transgênicos produzem muito menos, não podem ser recultiváveis, usam muito veneno, causam diversos malefícios à saúde, como o aumento dos casos de câncer, além de ser mais caros”, destacou.

Rodolfo Machaca, da Confederação Sindical Única de Trabalhadores Camponeses da Bolívia, destacou o método que será usado durante o encontro: denunciar, levantar demandas e assumir compromissos. “Os governos neoliberais têm culpa porque permitem saquear nossas terras. Por isso, a unidade internacional é fundamental, porque necessitamos nos unir para expulsar as multinacionais”, exortou.

O bispo da Diocese de Aysén, do Chile, Luis Infanti della Moura, também criticou o imperialismo, recordando que todos nós somos chamados a lutar por um mundo melhor. “O Papa nos chama a tomar consciência para romper e derrubar as estruturas que nos escravizam cada vez mais”.

Solidariedade internacional

Melike Yarar, representante do movimento de mulheres Curdas, deu o seu depoimento a respeito das mulheres que lutam contra o Estado Islâmico que oprime os povos de seu país. “A América Latina para nós é um exemplo. Estamos aqui para compartilhar nossa resistência e para criar comunicação entre nós. Necessitamos criar um plano de intervenção global. Necessitamos unir nossas forças. Viver é resistir, resistir é viver”, disse.

Primeiro Encontro

Entre os dias 27 e 29 de outubro de 2014, o Papa recebeu no Vaticano dirigentes sociais dos cinco continentes, que representam organizações de base, principalmente de três setores – trabalhadores precarizados, camponeses sem terra e pessoas que vivem em moradias precárias –, mas também sindicalistas, ativistas de direitos humanos e de pastorais sociais.

Este encontro de agora, em Santa Cruz, dá continuidade a esse primeiro encontro, mas em um contexto muito mais favorável, razão pela qual, de fato, já é considerado um encontro histórico.

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