Jesuítas equatorianos: ''O papa à nossa mesa, como em Emaús''

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08 Julho 2015

"Agora, eu conheci a ambos: Jorge Mario Bergoglio e o Papa Francisco", brinca o padre Fabricio Alaña. O atual reitor do Instituto Javier de Guayaquil é um dos noviços protagonistas do intercâmbio formativo iniciado com Buenos Aires, justamente graças à iniciativa do então superior dos jesuítas argentinos, Bergoglio. Em 1989, o padre Fabricio se especializou em letras e filosofia no Colégio Máximo, cujo reitor era precisamente o futuro pontífice. A mesma pessoa que, nessa segunda-feira, voltou para o interior dos muros cor de pastel do edifício onde estudam 1.600 crianças e jovens entre os dois e os 17 anos. Não mais, porém, como um coirmão, mas como bispo de Roma.

A reportagem é de Lucia Capuzzi, publicada no jornal Avvenire, 07-07-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Que efeito esse encontro lhe provocou?

Foi muito mais do que um privilégio. Mais do que uma bênção, já que Deus nos abençoa todos os dias com a Sua graça. A visita do papa nos fez reviver o sentido mais profundo do nosso ser comunidade. Uma comunidade de religiosos, uma comunidade de fiéis, uma comunidade de amigos no Senhor. E os amigos se dão força reciprocamente para continuar trabalhando pelo reino de Deus e a sua justiça. Além disso, Francisco escolheu um modo altamente simbólico para estar entre nós: compartilhar a mesa. No partir do pão juntos, os discípulos reconhecem Jesus. Para um cristão, portanto, reunir-se à mesma mesa significa compartilhar a vida, na fé.

Você conheceu Mario Bergoglio no Máximo.

Sim. Quando cheguei, me dei conta de que, para os argentinos, ele era quase um mito. E logo se tornou também para nós. Um homem muito concreto, com mãos e pés que se sujavam continuamente na lama dos bairros onde fazíamos apostolado e onde ele era pároco. Ele organizou um plano formativo em cujo centro havia o discernimento das realidades, mais do que as ideias. No entanto, ele não era apenas o reitor: era uma espécie de "irmão mais velho", capaz de se preocupar com os mosquitos que nos picavam. E capaz de fazer com que você tirasse as inquietações mais profundas com a mesma naturalidade com que perguntava: "Você já provou aquele delicioso bife que prepararam?".

Qual é a missão do Instituto Javier?

Somos uma escola jesuíta que vai do jardim de infância ao ensino médio. O nosso objetivo é educar para transformar vidas, corações e mentes, e torná-los mais semelhante ao estilo de Jesus. Ou seja, formar mulheres e homens para e com os outros, que contribuam para o desenvolvimento sustentável do país, no respeito da criação. E que promovam o Evangelho da justiça e da fraternidade. Não se trata apenas de transmitir cultura, mas de preenchê-la com paixão pela causa do Reino.

Em pleno estilo inaciano.

Nós, jesuítas, somos "contemplativos na ação". A paixão por Deus se expressa através da "paixão pelo mundo". Nessa ótica, a educação é fundamental, como demonstram as reduções do Paraguai, o rosto mais autêntico da missão jesuíta. Lá, dava-se às pessoas uma formação de tudo o que fosse humanitas, fides, iustitia, utilitas. O que significava uma educação humana integral abrangente das artes, aberta à transcendência, baseada na justiça, como consequência do reconhecimento da dignidade do ser humano e dos povos. E que fornecesse aos jovens os instrumentos para seguir em frente, desenvolvendo as próprias capacidades em harmonia com o ambiente ao redor. O paradigma permaneceu o mesmo, mesmo que utilizemos termos mais "modernos" para defini-lo: formar pessoas competentes, compassivas, empenhadas, conscientes.

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