''Teoria dos gêneros'': as cartas que dizem ''não'' a algo que não existe

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29 Junho 2015

Qualquer assembleia de instituto ou festa de aniversário ou happy hour nos oferecem uma vida que, de fato, mistura as cores, os gestos, as atitudes de meninos e meninas. Uma transgressão dos gêneros que se assemelha a uma última transgressão depois que todas as outras já foram feitas e absorvidas. A vida adulta irá avaliar o verdadeiro ou o falso que essa transgressão traz dentro de si.

A opinião é da teóloga e escritora italiana Maria Pia Veladiano, em artigo publicado no jornal La Repubblica, 26-06-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Às vezes acontece de chegar na escola um formulário, um impresso ao qual os pais acrescentam os seus nomes e o nome do filho, com o qual declaram "estar informados sobre a existência da chamada teoria 'dos gêneros', que alguns programas e/ou ensinamentos escolares veiculam os conteúdos de tal teoria e, portanto, com efeito imediato, declaramos discordar totalmente com os conteúdos de tal teoria, que consideramos prejudicial para a educação dos nossos filhos e pedimos para não propôr tais conteúdos de forma alguma aos nossos filhos". Assinatura, data, protocolo.

Se isso acontece, é preciso parar e, da posição em que nos encontramos, no caso, professor, diretor, felizmente fiel e católico, é preciso se perguntar o que está acontecendo.

Não se tem notícia certa sobre uma teoria gender. Um rápido giro pelos sites das escolas da Itália não nos oferece uma única programação individual em que se fale de "teoria gender". E nos perguntamos, então, por que os pais se organizam com formulários, protocolos e um léxico brandamente jurídico e um pouco ameaçador contra algo que não existe.

Provavelmente, é porque eles têm medo, porque, sem culpa alguma, não entendem. O mundo afetivo e sexual dos filhos é misterioso, mudou assim como mudou com iguais sofrimentos e escândalo nos anos 1960 e, antes ainda, nos anos 1920.

Qualquer assembleia de instituto ou festa de aniversário ou happy hour nos oferecem uma vida que, de fato, mistura as cores, os gestos, as atitudes de meninos e meninas. Uma transgressão dos gêneros que se assemelha a uma última transgressão depois que todas as outras já foram feitas e absorvidas. A vida adulta irá avaliar o verdadeiro ou o falso que essa transgressão traz dentro de si.

Aquilo que a escola realmente faz, e deve fazer, é combater os estereótipos de gênero. Mas ser contra esses estereótipos não significa dizer que o gênero não existe. Significa educar para ver onde está a armadilha de um "eu" condicionado por preconceitos que autolimitam não só as escolhas, mas também o próprio pensamento, o desejo.

Razão pela qual as meninas nem sequer sonham em se tornar astronautas (agora, talvez, um pouco mais, graças a Samantha Cristoforetti), porque a sua educação, implícita ou explícita, também educou os desejos. A consciência dos estereótipos de gênero é uma conquista lenta, o estereótipo vive de uma inércia social natural e é funcional à vantagem ou ao poder de alguns. E o inimigo serve ao poder. Há poderes que se desfazem se o inimigo desaparece. E o inimigo também serve ao medo. A fusão entre poder e medo é letal.

O gender é uma dádiva de Deus. Um pouco todos os dias, e o desprezo é servido, o inimigo é servido, o pensamento é congelado, e se sente menos o medo por aquilo que não se entende. Por sorte, há um inimigo lá fora. Para ir às ruas para dizer que o fantasma do gender não passa, corre-se o risco de esmagar o pensamento em um slogan ao qual outros respondem às margens de um slogan especular e contrário. É preciso um pensamento paciente que não renuncie a entender, sem, por isso, necessariamente aprovar. E talvez, sobre tudo isso, na escola, deve falar claramente com os pais.

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